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Os segredos por detrás dos rótulos das rações

Para avaliar a qualidade de uma ração é necessário analisar o seu rótulo. Nele podem estar escondidas informações importantes. Vamos descodificá-las!

Inês Carvalho

Inês Carvalho

Veterinária
3 min de leitura

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Lista de ingredientes

A lista de ingredientes deve ser o mais detalhada possível, só assim é possível fazer melhores escolhas.

Também é importante no caso de cães com alergias comprovadas a alguns ingredientes, de modo a podermos evitar a inclusão desses ingredientes na sua alimentação.

Ordem decrescente

Como já explicámos num outro artigo do nosso blog, os ingredientes estão listados, no rótulo, por ordem decrescente: os  que estão presentes em maior quantidade, aparecem primeiro!

Assim, os primeiros ingredientes listados devem ser fontes de proteína de elevada qualidade e digestibilidade, idealmente de origem animal, tais como carne/peixe frescos, inteiros ou desidratados e não cereais/farinhas/glúten.

No entanto…

Se o primeiro ingrediente for carne/peixe fresco e o segundo, com uma percentagens próxima do anterior, for cereais/farinhas/glúten, provavelmente o segundo ingrediente tem, na verdade, maior peso na composição final do alimento.

Isto acontece porque os ingredientes são pesados antes do processamento e cerca de 60-70% do peso da carne/peixe fresco é água. Para a produção de um granulado, quase toda a água é retirada, o que faz com que o peso dos ingredientes frescos, na formulação final, seja menor.

Se, pelo contrário, o primeiro ingrediente for uma fonte proteica desidratada, isto já não se verifica.

A incorporação de ingredientes frescos traz vantagens em termos de composição, mas também esta pequena desvantagem no momento de interpretação de rótulos.

“Truque”

Ao ler o rótulo deve reparar se o mesmo ingrediente aparece várias vezes com “nomes diferentes”. Por vezes, a indústria utiliza este “truque” para posicionar mais abaixo, na lista, alguns ingredientes, como os cereais. Por exemplo, o milho pode ser separado em: milho/milho inteiro, farinha de milho e glúten de milho.

Se isto ocorrer, deve somar as percentagens e aí ver realmente onde é que esse ingrediente se posiciona na lista de ingredientes!

As percentagens não são tudo!

As percentagens de proteína e gordura são importantes, mas mais do que isso a origem dessa proteína e gordura é o que devemos procurar!

Devemos tentar perceber de que fontes provém a proteína e se são, maioritariamente, de ingredientes de origem animal ou vegetal. O glúten dos cereais, a proteína da ervilha, batata ou leguminosas, por exemplo, contribuem para a percentagem total de proteína apresentada.

No caso da gordura, sua origem deve ser especificada (ex.: óleo de salmão, gordura de frango, óleo de linhaça, etc.) e não ser nomeada genericamente (“gordura animal”).

Componentes a evitar

Devemos evitar corantes e conservantes sintéticos (BHA, BHT e Etoxiquina), pois ingerir estes compostos diariamente não é saudável, e preferir alimentos que utilizem conservantes naturais como a vitamina E (tocoferóis), C (ácido ascórbico) e extratos de plantas, como o rosmaninho ou alecrim.

Inês Carvalho
Médica Veterinária

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