Que raças têm o pelo mais hipoalergénico para as pessoas?

“Sou alérgico ao pelo de animais” – é em grande parte um mito. Os alergénios aos quais as pessoas são normalmente alérgicas encontram-se na saliva, glândulas sebáceas e células da pele morta (mais conhecidas por caspa) e não propriamente no pelo dos animais. O que acontece é que o pelo é um meio de armazenamento desse tipo de substâncias, bem como de pólen ou ácaros, também grandes fontes de alergias.

Se já tem um cão em casa e necessita de minimizar os alergénios presentes no ambiente existem algumas dicas que poderá seguir.

Como reduzir a quantidade de alergénios em casa:

 

Se é uma pessoa “alérgica a animais”, dar-lhe-ei em seguida uma lista de raças de cão que poderá escolher de forma a que as suas alergias possam estar mais controlas.

Atenção! Deverá igualmente adotar as medidas anteriores. Deverá também saber que entre cada cão o tipo de alergénios difere, bem como a reação que cada pessoa individual apresenta face a cada alergénio. Por isso, apesar de possuir uma raça “hipoalergénica” em casa, poderá apresentar igualmente manifestações alérgicas.

As raças hipoalergénicas são assim definidas porque incluem cães que produzem muito pouca caspa e cujo pelo cai muito pouco ou, quando cai, fica preso nas outras camadas de pelo (evitando-se, assim, que os pelos juntamente com os alergénios se espalhem pela casa).

 

Raças “hipoalergénicas”

  • Poodle
  • Schnauzer
  • Yorkshire Terrier
  • Bichon Frisé
  • Bichon Maltês
  • Shit-tzu
  • Samoiedo
  • Cão de crista chinesa
  • Basenjis
  • Cão de água português

 

Lembre-se também que a melhor forma de perceber se é alérgico, e a que raça é alérgico, é passar algum tempo com patudos de diferentes raças e verificar a sua reação!

 

Ana Alves

Médica veterinária

Todos os cães devem fazer tosquia?

Para que serve o pelo?

O pelo tem como principal função proteger o patudo de temperaturas extremas – quer do frio quer do calor – bem como de raios ultravioleta. Existem diversas pelagens: curta, comprida, com pelo mais duro ou mais suave e até cães com duas camadas de pelo (a camada exterior e a camada interior ou sub-pelo).

Os cães mudam o pelo essencialmente na mudança de estação, contudo, esta mudança e consequente queda do pelo está muito suscetível à influência da luz solar. Por esse motivo, é comum que cães de apartamento, sujeitos a luz artificial de forma constante, acabem por largar pelo durante todo o ano.

Então por que motivo se deve tosquiar os cães?

Apesar do pelo constituir uma barreira protetora, a tosquia ajuda a renovar o pelo e a mantê-lo forte e saudável. Em alguns cães, principalmente cães de pelo longo, a tosquia ajuda a manter a higiene quer do próprio pelo, quer da pele. Como o pelo cresce mais forte e saudável, a queda de pelo pode diminuir em cães que fazem tosquia de forma regular (contudo os cães continuarão a largar pelo mesmo depois de serem tosquiados!).

Tomar a decisão de tosquiar ou não consoante o tipo de pelo

Nem todos os cães são candidatos a tosquia.

  • Cães de pelo curto, por exemplo, apesar de largarem muito pelo, não são candidatos a tosquia (como é o caso do Labrador).
  • Cães de pelo longo, tendo em conta o corte típico de raça, são candidatos a tosquia para que o pelo possa crescer saudável.
  • Cães de pelo duplo (como Husky ou Pastor Alemão) não são candidatos a tosquia. Nestes casos, o subpelo muda aquando a estação do ano, de forma a que a proteção contra o frio e contra o calor possa ser mantida.

E as tosquias são todas iguais?

Não. A tosquia pode ser realizada à tesoura, à máquina, com diferentes lâminas (que cortam o pelo com diferentes tamanhos, dependendo da lâmina utilizada), ou à mão (stripping). A tosquia deve ser realizada segundo o tipo de pelo e o tipo de raça.

  • Tosquia completa: É feita normalmente com máquina e está indicada em cães com pelo longo, com tendência a ganharem “chocas” ou cães que largam muito pelo.
  • Tosquia higiénica: Tosquia indicada em raças com bastante pelo, em que o objetivo é remover pelo principalmente de zonas que necessitam de higiene mais frequente (perto das patinhas, dos olhos, da barriga e cauda). A maioria dos cães pode realizar este tipo de tosquia de forma regular.
  • Stripping: Tipo de tosquia realizada em cães com pelo cerdoso (como o Schnauzer). O stripping é um tipo de tosquia realizado sem lâmina ou tesoura, sendo que o pelo é removido com a mão.
  • Tosquia de “raça”: Dá-se o nome de tosquia de raça quando a tosquia é feita com base no corte típico para aquela raça. Raças como o caniche ou o Yorkshire Terrier têm um “corte próprio”, que lhes favorece esteticamente.

 

Na maioria das vezes, o banho é dado juntamente com a altura da tosquia. Em alguns cães esta prática é uma questão de higiene que deve ser repetida várias vezes por ano, para além da escovagem regular do pelo.

 

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Diabetes Mellitus nos cães

Porque surge a diabetes mellitus?

A diabetes mellitus surge por deficiência na produção de insulina (a principal forma de diabetes nos cães) ou por resistência do organismo à atuação da mesma. A insulina é produzida no pâncreas e é responsável pela entrada da glicose do sangue para as células.

Existe predisposição em cães obesos, cães com pancreatite associada ou cães com Síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo). Contudo pode atingir qualquer animal (de qualquer raça ou tamanho). É mais frequente em animais mais velhos.

Existem raças predispostas?

Sim. Apesar de qualquer cão poder ter diabetes, existem raças mais predispostas ao aparecimento da doença:

  • Schnauzer;
  • Bichon Frise;
  • Spitz;
  • Fox Terrier;
  • Caniche.

Quais os sinais clínicos mais frequentes nos cães?

Os sinais clínicos são inespecíficos e podem estar presentes noutro tipo de patologias. Os mais frequentes são:

  • Perda de peso;
  • Poliúria (urinar mais que o normal) e polidipsia (beber mais água que o normal);
  • Perda de apetite (em fases mais avançadas da doença);
  • Aumento do apetite (em fases iniciais da doença);
  • Vómitos;
  • Convulsões (em estadios mais avançados);
  • Perda de visão (por cataratas diabéticas ou hipertensão) (em estadios mais avançados). Consulte o artigo sobre Cataratas nos cães.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através da medição da glicose no sangue e na urina. O médico veterinário pode recomendar a realização de outros exames de diagnóstico (como um painel alargado de análises de sangue e urina e ecografia abdominal), dependendo do estado clínico do animal.

Como é feito o tratamento?

Uma vez diagnosticada a patologia, o tratamento é feito através da administração subcutânea diária de insulina (através de uma injeção) e de uma alimentação específica. A alimentação deve ser baixa em hidratos de carbono e alta em fibra, para diminuir a absorção de glicose a nível intestinal (de forma a controlar melhor os valores da glicose no sangue).

Se houver alguma patologia associada (pancreatite, por exemplo), deverá ser instituído tratamento para a mesma e reavaliar a presença de diabetes posteriormente.

São necessários controlos regulares no veterinário?

Sim. Após diagnóstico e instituição do tratamento é necessário um controlo frequente da resposta à terapia com insulina. Muitas vezes a dose tem que ser ajustada ao longo dos controlos, consoante os valores de glicose e frutosamina no sangue.

O prognóstico é bom?

Sendo a diabetes uma doença crônica, o tratamento definitivo da doença não é possível. Contudo, o prognóstico para a resolução dos sinais clínicos e controlo da doença é reservado a bom dependendo das alterações existentes no momento do diagnóstico e da resposta do animal ao tratamento.

É possível prevenir a diabetes?

Tal como nos humanos, também nos cães existem fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A obesidade e o tipo de alimentação diária são dois fatores importantes. Como tal, a manutenção do peso ideal e a instituição de uma dieta saudável e equilibrada são importantes para prevenir o aparecimento da doença.

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

 

 

 

 

 

 

Hipotiroidismo em cães

Porque razão meu cão pode desenvolver hipotiroidismo?

Existem várias causas de hipotiroidismo:

  • Primário – mais comum
    • Tiroidite linfocitária, atrofia idiopática;
  • Secundário – traumatismos, neoplasia na hipófise ou causas iatrogénicas (remoção cirúrgica ou por medicação);

Quando devo suspeitar que meu cão possa ter hipotiroidismo?

 A manifestação clínica é variada e inespecífica, pois é uma doença que afecta vários órgãos. Podemos observar:

  • Obesidade
  • Letargia
  • Intolerância ao exercício
  • Intolerância ao frio
  • Bradicardia – frequência cárdica baixa
  • Alterações reprodutivas
  • Alterações neurológicas
  • Alterações dermatológicas como alopecias (peladas), pústulas, seborreia, entre outras, ausência ou atraso no crescimento do pelo após tricotomia (corte do pelo)

Como é realizado o diagnóstico?

 O diagnóstico é realizado pelo médico veterinário através de análises sanguíneas pelo doseamento das hormonas da tiroide (T3 e T4) e da hipófise (TSH). Além disso é recomendado a realização de análises sanguíneas gerais uma vez que é comum apresentarem também anemia, imunodepressão e colesterol elevado.

Pode ser recomendado também a realização de uma ecografia à tiroide. 

Existe tratamento?

É uma doença que não tem cura, mas tem tratamento. Este consiste na suplementação oral de substituto das hormonas da tiroide, a Levotiroxina.

Inicialmente a dose recomendada baseia-se no peso do animal sendo ajustada de acordo com o doseamento dos níveis de T4.

É necessário um acompanhamento médico? Até quando?

É uma suplementação para o resto da vida do animal, assim como o acompanhamento médico. É recomendada o doseamento da hormona T4 para ajustar a dose da medicação a cada 6 ou 12 meses.

Devo estar atentos a sinais de sobredosagem?

Sim, no caso de sobredosagem o cão pode apresentar sinais de hipertiroidismo:

  • Alteração no sono
  • Perda de peso
  • Polidipsia – aumento da ingestão de água

Deverá entrar em contacto com seu médico veterinário para ajustar a dose

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia