Dermatofitose ou tinha canina

O que é a tinha?

É uma infeção cutânea provocada por um fungo que pode afetar a pele, pêlos e unhas. O Microsporum canis é o principal responsável por causar dermatofitose nos cães.

Como se transmite? É contagioso?

É uma doença muito contagiosa não só para os animais, como também para as pessoas – zoonose.

A sua transmissão pode ocorrer pelo contato direto com animais doentes, mas também pelo ambiente – pelo contato com os pêlos e detritos celulares como crostas e descamação da pele ou através de objetos contaminados como as camas, mantas, escovas, pentes, etc.

Existem factores predisponentes para a dermatofitose?

Há um maior número de casos reportados em animais jovens, animais com as defesas imunitárias diminuídas e em gatos de pêlo longo. Parece ainda haver uma predisposição racial em cães Yorkshire e Jack Russel, assim como também nos gatos Persas.

Quando devo suspeitar que meu cão tem tinha? Quais são os sintomas?

Os principais sintomas que o cão pode apresentar são:

  • lesões circulares de alopécia (falta de pêlo) com um anel vermelho em redor
  • descamação (caspa)
  • eritema (vermelhidão)
  • pode ou não ter prurido (comichão)
  • hiperpigmentação (pele mais escura)
  • pápulas (borbulhas)

Estas lesões podem ser localizadas, multifocais ou generalizadas.

Como é diagnosticado?

Existem várias técnicas, como:

  • Lâmpada de Wood – permite identificar zonas contaminadas com o fungo através do aparecimento de fluorescência, no entanto os falsos-positivo e falsos-negativo são comuns;
  • Tricograma – visualização dos pêlos ao microscópio;
  • Cultura fúngica – DTM é o método mais fiável.

Qual o tratamento?

O tratamento da dermatofitose canina pode ser dividido em:

  • Tratamento local: deve ser realizado em todos os casos de dermatofitose, recorrendo-se ao uso de champôs e pomadas antifúngicas. Antigamente recomendava-se tosquiar o animal mas atualmente sabe-se que pode ser prejudicial, uma vez que a lâmina pode ferir a pele do cão, que já está fragilizada devido à presença dos fungos.
  • Tratamento sistémico:  está indicado nos casos em que as lesões são multifocais, em cães com pêlo comprido; animais que vivem em ambientes de múltiplos animais; e/ou quando não há uma resposta satisfatória a uma abordagem tópica.  O tratamento sistémico consiste numa terapia antifúngica por via oral que irá atuar nos folículos pilosos e ajudar na eliminação do fungo.

Em qualquer um dos tratamentos (local Vs sistémico), as melhorias vão demorar a surgir, sendo comum que os tratamentos se prologuem durante várias semanas. Considera-se que o cão está curado após 2-3 resultados negativos em culturas fúngicas com intervalo de 15 dias.

 

Devo ter cuidados especiais uma vez que se trata de uma doença contagiosa?

Sim, como é uma doença fúngica transmissível a animais e pessoas deverá ter cuidados especiais para evitar a sua propagação, tais como:

  • Pode ser necessário isolar o cão – este continua a ser uma fonte de contágio pelo menos 3 semanas após iniciar o tratamento;
  • Evitar o contato com crianças;
  • Evitar contato com outros animais (atenção aos gatos, podem ser portadores assintomáticos);
  • Usar luvas descartáveis e higienizar as mãos após contato com o animal;
  • Objetos contaminados como camas, mantas, escovas devem ser eliminados, na impossibilidade de serem destruídos ou removidos deverão ser lavados a mais de 40oC com uma solução desinfetante.
  • Limpeza com solução desinfetante (lixívia) no local onde animal se encontra.

 

Sara Alves

Médica Veterinária de Animais de Companhia

O que são concursos de Agility?

agility dog

Em que consiste a modalidade Agility?

Esta modalidade é inspirada nos concursos de saltos de obstáculos hípicos. O cão vai ter de ultrapassar, sem faltas e dentro do tempo máximo estabelecido, um conjunto de obstáculos, com uma ordem previamente definida pela organização da prova. Este vai ser acompanhado por um condutor (pode ser o tutor do cão ou não), sem qualquer equipamento que o ligue ao cão, como a trela, podendo usar a voz e gestos para ajudar a conduzir o cão durante o percurso. O binómio cão e condutor só sabe qual vai ser a ordem dos obstáculos no próprio dia da prova, pouco tempo antes desta começar, tendo algum tempo para reconhecer a pista. Existem vários graus de dificuldade e provas divididas consoante o porte do cão.

Que tipo de obstáculos pode haver nestas provas?

Alguns exemplos dos obstáculos presentes nestas provas: túnel (rígido e de lona), slalom (passagem entre uma espécie de postes), baloiço, salto em altura e/ou em comprimento, paliçada, muros, entre outros.

Qualquer raça de cão pode fazer esta modalidade?

Sim, desde que reúna as condições físicas e comportamentais necessárias para o desempenho da prova. Existem várias categorias nos concursos, dependendo do porte do cão:  Standard, Midi e Mini. O tipo de prova e tamanho de obstáculos é, logicamente, adaptado ao porte de cada cão. Apesar de, em teoria, qualquer raça poder concorrer, existem algumas raças com resultados particularmente bons nesta modalidade. Uma das raças que mais se destaca é o Border Collie (veja aqui um artigo sobre esta raça), mas o Jack Russel e o Pastor Alemão também se destacam.

Qual a idade com que devo iniciar o meu cão nesta modalidade?

A idade mínima estabelecida pela Federação Cinológica Internacional e o Clube Português de Canicultura para a integração em provas é de 18 meses. Sendo que o condutor do cão deve ter, no mínimo, 12 anos de idade. Pode iniciar mais cedo treino que facilite depois na modalidade, como obediência básica, seguir ordens, andar ao lado do condutor e, aos poucos, inserir alguns obstáculos, respeitando sempre o crescimento e ritmo de trabalho de cada cão.

É bom boa modalidade para o cão?

É uma modalidade que, feita da forma correta e respeitando o tempo de aprendizagem de cada cão, vai ser bastante divertida para o tutor e o cão. Permite que o cão faça exercício, gaste bastante energia de uma forma divertida e que ajuda a criar uma maior cumplicidade do tutor com o cão, uma vez que os dois funcionam como uma equipa.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária de Animais de Companhia 

Rotura do ligamento cruzado anterior – doença característica do Jack Russel

Quando devo suspeitar que meu cão possa ter um rotura do LCCR?

A causas da rotura podem ser de origem traumática ou degenerativa, mas conduz sempre à instabilidade da articulação provocando artrose.

  • Em caso de rotura aguda traumática, comum em animais com < 4 anos, estes apresentam claudicação (coxear) severa e ocasionalmente não apoiam o membro no chão;
  • Quando provocado por doença articular degenerativa, mais frequente em cães entre 5-7 anos, com história de claudicação intermitente que agrava com a atividade física.

O sintoma mais comum é então a claudicação do membro posterior, e a sua gravidade depende do grau de rotura. 

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pelo seu médico veterinário pela história de claudicação e através de uma série de manobras que consistem na palpação e avaliação da mobilidade articular (teste de compressão tibial e teste de gaveta cranial). É recomendado a realização de R-x, com objetivo de identificar zonas de artrose e excluir outros diagnósticos diferenciais.

A astroscopia também poderá ser usada como meio de diagnóstico, permitindo ainda a avaliar os meniscos. 

Qual o tratamento?

O tratamento recomendado é cirúrgico, havendo várias técnicas que ajudam na estabilização do joelho impedindo o deslizamento tíbio-femoral que ocorre após a lesão.

A técnica mais recente é de estabilização dinâmica TTO ( triple tibial osteotomy) que resulta de uma combinação da TPLO (tibial plauteau leveling osteotomy) e da TTA (tibial tuberosity advancement).

No pós-cirúrgico é recomendado repouso, restrição de exercício e fisioterapia.

 

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Rotura de ligamento cruzado anterior: Enfermedad característica del Jack Rusell

Causas de rotura de ligamento:

Ciertas razas, por sus características, tienen una mayor predisposición a romperse el ligamento cruzado anterior, entre éstas destacan los perros de raza pequeña y extremidades cortas como el Jack Rusell, pero también razas gigantes como Rottweiler o Mastín.

Otras causas que pueden causar la rotura de este ligamento son:

  • Sobrepeso.
  • Sedentarismo.
  • Exceso de ejercicio.
  • Calentamiento insuficiente antes del ejercicio.
  • Saltos y giros bruscos.
  • Problemas endocrinos.
  • Diferentes traumatismos.

Síntomas:

El síntoma principal es la cojera, que será más intensa en el momento de la rotura, pero con los días puede ir disminuyendo el dolor. En casos crónicos de rotura de ligamento la cojera suele aparecer en frío, pero es más leve conforme el animal se mueve y calienta.

La cojera es un síntoma muy general que puede aparecer por otras cusas también, por lo que además de esto, podemos observar que aparecen signos de dolor como:

  • Inflamación en la zona de la rodilla.
  • Dolor a la palpación de la zona.
  • Falta de apoyo de esa extremidad.
  • Apoyo con la punta de los dedos.
  • Forma característica de sentarse (intentando dejar esa extremidad más estirada).

Diagnóstico y tratamiento:

Para confirma la rotura de ligamento se debe realizar una radiografía. En los casos más graves se puede observar la tibia más adelantada, pero en casos leves o muy recientes puede ser difícil percibir cambios en la articulación. Con los meses, debido a la inestabilidad articular, aparecerán signos de artrosis.

Existen dos tratamientos:

  • Quirúrgico: existen diferentes técnicas quirúrgicas para devolver la estabilidad a la articulación, esta técnica dependerá del tamaño y características del animal. La recuperación es lenta y será necesario hacer rehabilitación. Cuanto más rápida se haga la operación tras la rotura, más éxito habrá en la recuperación.
  • Conservador: en casos más leves, animales con artrosis grave en la rodilla o en
    animales más mayores puede elegirse la opción de no operar. Será necesario el tratamiento con antiinflamatorios en los momentos de mayor dolor y de
    condroprotectores como mantenimiento.

Irene Martinez

Médica Veterinaria

Quais as atividades físicas preferidas pelos cães

Quais as atividades físicas preferidas pelos cães

Vantagens da atividade física nos cães:

  • Aumenta o metabolismo, prevenindo a obesidade;
  • Aumento da resistência cardio-respiratória;
  • Diminuição do stress;
  • Fortalecimento muscular e articular.

 

Todos cães podem fazer as mesmas atividades?

Deverá perguntar ao seu médico veterinário se o seu animal tem alguma patologia que possa limitar a sua atividade física. Especial cuidado com as raças braquicéfalas, porque devido à sua conformação anatómica estão predispostas a obstrução das vias aéreas superiores e por isso recomenda-se exercício moderado. Veja aqui o artigo sobre “Síndrome dos Braquicéfalos”.

 

Há alguma altura do dia mais adequada ou que devemos evitar durante atividade física?

No verão deverá evitar as horas de maior calor para evitar os golpes de calor. É fundamental a hidratação (leve sempre água consigo).

 

Atividades físicas preferidas dos cães

  • Correr e brincar no parque ou praia;
  • Passear;
  • Brincar com outros amigos caninos;
  • Nadar.

Filipa Calejo
Médica Veterinária de Animais de Companhia