O meu cão está a ladrar muito: o que fazer?

Porquê que o meu cão está constantemente a ladrar?

Existem várias razões para a vocalização excessiva, nomeadamente:

  • Tentativa de aviso ou alerta;
  • Excitação;
  • Ansiedade e ansiedade por separação;
  • Tédio;
  • Agressividade por medo;
  • Reposta a outros animais;
  • Síndrome de disfunção cognitiva.

Se quiser saber um pouco mais o porquê do seu animal de companhia estar a ladrar, pode também consultar este artigo.

Como ensinar o meu cão a não ladrar?

O primeiro passo para diminuir o ladrar excessivo do seu patudo passa por identificar o motivo da vocalização. Se conseguir perceber o que despoleta esse comportamento, é mais provável que o consiga moldar e corrigir. Existem também algumas dicas que pode seguir e que o podem ajudar, nomeadamente:

  • Ignorar o comportamento sempre que ele ladrar. Se berrar ou lhe der atenção, ele vai assumir isso como um reforço desse comportamento e vai fazê-lo cada vez mais. Por outro lado, quando ele para de ladrar, deve sempre  premia-lo com um reforço positivo, como por exemplo, um biscoito.
  • Desviar a atenção do seu patudo pode funcionar, principalmente se ele estiver a ladrar dirigido a alguém ou a alguma situação.
  • Enriquecimento ambiental é uma das coisas mais importantes. O seu animal deve ter vários brinquedos com que se entreter, ossos para roer e snacks para ir petiscando. O Kong pode ser uma ajuda de valor nesta questão!
  • Ajuda especializada: Se estas dicas não forem suficientes, é importante que consulte um médico veterinário de comportamento e um treinador que o possam ajudar a contrariar essas atitudes do seu patudo e torná-lo mais equilibrado.

 

Pode também ver aqui mais informações sobre alterações comportamentais em cães adultos, que lhe podem indiciar que o seu patudo precisa de ajuda especializada. De qualquer forma é importante que não desista pois existe sempre forma de melhorar o comportamento do seu animal! 🙂

 

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Quantas vezes por dia devo passear o meu cão?

Todos os cães gostam de passear?

A resposta é quase todos. Regra geral cães de porte médio/grande gostam mais dos passeios do que os cães de porte pequeno. Alguns cães de porte pequeno não gostam de sair de casa. Alguns cães de raças como o Chihuahua, Pinscher ou Yorkshire Terrier não gostam de muitos passeios… depende da personalidade de cada cão, da socialização e dos hábitos que foi criando durante o crescimento.

Porque é que o passeio é importante?

A maioria dos tutores vê os passeios como a “hora de fazer as necessidades”. Para além dos passeios servirem como tal, devem ser vistos como a “hora do exercício”, “a hora de convívio”, a “hora de explorar”, etc. O passeio ajuda na socialização e na criação de hábitos, para além de contribuir para o desenvolvimento e bem-estar dos cães.

Os cachorros devem iniciar o regime de passeios após a primovacinação estar completa. Durante os primeiros meses de vida, e uma vez que não podem passear “à vontade”, os cachorros devem socializar com outras pessoas e cães (vacinados e saudáveis), e podem até vir à rua ao colo, por exemplo. É importante que estejam sujeitos a estímulos variados desde cedo.

Então quantas vezes devo passear o meu cão?

Depende. Cães grandes e/ou cães que moram em apartamento à partida devem passear mais vezes (ou durante mais tempo) comparativamente a cães pequenos e/ou cães que moram em casas com espaço exterior. Cães de raça grande normalmente têm uma necessidade de gastar energia maior.

Idealmente cães de raça grande devem passear cerca de duas a três vezes por dia, com passeios mais longos. Cães de raça pequena devem passear duas vezes por dia, caso não tenham local onde fazer as necessidades em casa.

Durante quanto tempo?

Varia de cão para cão e do número de vezes que vêm passear.

Cães adultos de porte pequeno: pelo menos 10/15 minutos, considerando pelo menos dois passeios diários.

Cães adultos de porte médio/grande: pelo menos 20/30 minutos, considerando pelo menos dois passeios diários.

E quanto a regras durante o passeio?

Idealmente os cães devem ser passeados do lado esquerdo, sempre ao lado do dono e nunca à frente. Contudo, o passeio deve ser um momento para o cão desfrutar. Como tal, é importante que o tutor:

  • Permita que o cão explore o que está à sua volta;
  • Interaja com outros cães e pessoas;
  • Fareje sempre que queira;
  • Tenha oportunidade de encontrar o melhor local para fazer as necessidades;
  • O tutor deve sempre remover as necessidades do cão.

E o que utilizar para passear? Trela, coleira ou peitoral?

Este é também um ponto importante no que toca aos passeios porque os cães são obrigados por lei a passear à trela, e existem várias opções. Para cães que puxam muito, o peitoral é o ideal. A trela extensível, por exemplo, está mais adequada para cães mais pequenos. Para além das funcionalidades, existem imensas opções de cores e formatos diferentes… para todos os gostos!

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Como antecipar o comportamento de um cão?

Os sinais comportamentais que podemos observar no cão, como a posição da cauda, a postura corporal, os pêlos eriçados, o levantar do lábio superior para mostrar os dentes, o facto de estar a ladrar, rosnar ou ganir devem sempre ser avaliados em conjunto e inseridos no contexto em que o cão está. Estes vão variar se o cão estiver em casa, na rua, numa clínica veterinária, com desconhecidos ou mesmo com alguma dor/doença que lhe altere o comportamento normal.

Quais os sinais que indicam que o cão está com ansiedade/stress?

Alguns sinais que podem estar presentes no cão ansioso podem-se misturar também com sinais de medo. Alguns dos sinais mais associados a ansiedade/stress podem ser:

  • Inquietação;
  • Aumento da frequência respiratória (“arfar”);
  • Lamber os lábios;
  • Bocejar;
  • Aumento da salivação;
  • Pupilas dilatadas;
  • Pestanejar mais do que o normal;
  • Tremores;
  • Falta de foco;
  • Evitar o contacto ocular.

Estes sinais podem ocorrer quando o cão está num ambiente desconhecido, quando não sabe o que vai acontecer a seguir, quando houve algum barulho que o assusta (ex: foguetes, trovoada, etc). Por vezes, a seguir ou durante um episódio de ansiedade, aparecem também sinais indicativos de medo:

  • Posição da cauda entre as pernas (pode ver aqui mais informações sobre as diferentes posições da cauda nos cães);
  • Postura corporal baixa;
  • Rosnar;
  • Pode haver libertação do conteúdo das glândulas anais e/ou urina.

Mediante estes sinais pode existir um comportamento de agressividade por medo (veja aqui este artigo para saber mais sobre o tema), por isso estes não devem ser desvalorizados.

Quais os sinais que indicam que o cão está pronto para começar a brincar?

Estes sinais são, geralmente, facilmente reconhecidos pelos donos:

  • Cauda alta, descontraída e em movimento;
  • Posição com os membros dianteiros dobrados e a parte posterior do corpo mais elevada;
  • Pode correr em círculos e ladrar com a excitação do momento de brincadeira;
  • Orelhas para cima ou ligeiramente dobradas para trás.

Quais os sinais que poderão indicar uma postura ofensiva?

Este tipo de sinais podem ser observados num cão que está, por exemplo, a defender o seu território e/ou os seus recursos, como comida, água, brinquedos e pode ser dirigido a outros animais ou a pessoas:

  • Postura corporal altiva e confiante, com o corpo tenso;
  • Cauda numa posição alta e tensa, podendo fazer alguns movimentos;
  • Pêlos eriçados;
  • O cão pode rosnar ou ladrar;
  • Podem haver tentativas de mordidas.

Quando este tipo de sinais estão presentes e persistindo o estímulo que os está a provocar, o comportamento do cão pode escalar para uma agressão.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Quais os primeiros comandos básicos que devem ser ensinados aos cachorros?

Quando começar?

O treino dos cachorros deve ser iniciado desde cedo (pode começar aos 2 meses), a partir do momento em que vai para casa do dono, tendo em conta que cachorros muito novos vão ter períodos de atenção reduzidos e isso deve ser tido em conta na duração dos momentos de treino (5-10 minutos).

Como motivar o cachorro nos momentos de treino?

Estes momentos devem ser encarados como uma brincadeira, tanto para o cachorro como para o dono. O treino deve ser sempre baseado em reforços positivos e deve encontrar algo que o cachorro considere valioso para oferecer no momento que faça o comportamento desejado (geralmente biscoitos, grãos de ração ou outros snacks que o cachorro gosta muito, funcionam bem). As punições, castigos, reforços negativos, etc, não são considerados atualmente métodos de treino adequados e saudáveis para o cachorro e não devem ser utilizados, uma vez que não trazem resultados benéficos a longo prazo.

Quais os comandos que devo ensinar primeiro?

  • Um dos primeiros comandos deverá ser o cachorro reconhecer o seu nome. Apesar de ser algo que, na maioria das vezes, acaba por acontecer de forma natural, é uma boa forma de começar a introduzir o contexto de treino e permite que o dono possa chamar a atenção do cachorro mais facilmente.
  • A seguir deve ser ensinado ao cachorro a responder à chamada do dono. Apesar de poder ser confundido com o anterior, deve ser ensinado de forma distinta e pode ser muito útil em situações inesperadas, como se o cachorro conseguir soltar-se da trela, por exemplo.
  • É também importante ensinar o cachorro a sentar-se, para que seja mais fácil manter o cachorro sossegado em algumas situações.
  • Quando já tiver passado o período de vacinações, é também importante ensinar o cachorro a andar à trela, para que os passeios decorram sem problemas.

Uma das chaves do treino é ser consistente, para que o cachorro perceba bem o que lhe está a ser pedido e qual é a resposta esperada. Também é muito importante que haja paciência e que o treino acabe sempre com um momento positivo. Por exemplo, mesmo que o que está a ensinar naquele dia não tenha ficado muito claro, deve pedir ao cachorro que faça algo que ele já tenha consolidado, para que acabe o treino com algo positivo, para que não se gerem frustrações no dono e no cachorro.

Devo recorrer a um treinador para me ajudar?

Apesar de poder iniciar estes momentos de treino em casa, é sempre importante a ajuda de um educador/treinador canino. As aulas para cachorros também poderão ser bastante importantes, ajudando no processo de socialização do cachorro com outros membros da mesma espécie, em ambiente controlado.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Qual a evolução comportamental esperada num cachorro ao longo dos meses?

Podemos descartar os seguintes períodos:

  • Período neonatal : 1 – 2 semana de vida;
  • Período de transição: até 3 semana;
  • Período de socialização: entre 4 e 10 semanas;
  • Período juvenil: a partir da 10 semanas até maturidade sexual.

Qual a altura da vida do cachorro mais importante para crescer um cão equilibrado?

A socialização pode ser considerada o período mais importante de desenvolvimento do cão, altura onde irá ter percepção do meio que o rodeia e interagir com a mãe e com os irmãos – estabelecer uma hierarquia.

Um animal que seja privado dessa interação com a ninhada e um desmame precoce, ou seja, antes do período de socialização poderá tornar-se num adulto com problemas comportamentais tais como agressividade, ansiedade ou fobias.

Em que altura deve ser iniciado o treino?

Às 6 semanas pode ser iniciado treino básico, como a inibição do hábito de morder e algumas palavras de comando.

As aulas de obediência devem ser iniciadas no período juvenil, apesar de ser particularmente difícil o treino do cão jovem, sendo por isso recomendado a frequência prévia de aulas em cachorros.

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Como educar um cachorro a não morder?

Há alguma altura durante a vida do cachorro que seja um período crítico para aprendizagem da inibição da mordedura?

 Existem duas alturas críticas na vida do cachorro que influenciam a “mordedura” :

  • Enquanto cachorros a socialização e interação com a mãe e o resto da ninhada é fundamental para a aprendizagem da mordedura – a separação precoce da ninhada e da mãe inibe esta aprendizagem;

 

  • Por outro lado aos 4 meses, altura da mudança dos dentes de leite para a dentição definitiva poderá estar associada a um aumento da frequência e a intensidade da mordedura devido a dor/desconforto, como tentativa de alívio.

O que posso fazer para evitar esse comportamento?

Algumas dicas que ajudam a inibir o mordiscar:

  • Evite brincar com mãos, pés ou outras partes do corpo de forma a não incentivar a mordedura;
  • Quando o seu patudo tenta mordicar as suas mãos deverá redirecionar a sua atenção para brinquedos;
  • Interromper a brincadeira, e só voltar a brincar quando o cão parar de morder;
  • No que diz respeito a roer objetos inapropriados, quando deixar o seu patudo sozinho em casa certifique-se que ele tem brinquedos ou ossos para roer de forma a ficar o mais distraído possível;
  • Evitar punições, quer verbais quer físicas – com o mordiscar o seu cão pretende cativar a sua atenção e assim terá sucesso. Deverá ignorar ou redirecionar a sua atenção para brinquedos.
  • Durante a mordida pode exercer pressão com seu polegar no “céu da boca” de forma a inibir a mordedura.

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

O que é ansiedade de separação?

Como se manifesta?

Os animais que têm este tipo de ansiedade, podem manifestar diferentes tipos de comportamentos nos momentos em que ficam sozinhos, como por exemplo:

  • Vocalizações excessivas;
  • Micções/defecações em locais inapropriados;
  • Escavar o jardim ou tentar saltar muros;
  • Destruição de vários objetos dentro de casa.
  • Ausência da ingestão de água e comida até ao regresso do dono;
  • Auto-mutilação;
  • Em casos mais extremos pode haver mesmo respostas fisiológicas, como vómitos, diarreia e salivação excessiva.

Como posso prevenir o aparecimento deste problema comportamental?

Um dos primeiros motivos que podem levar a que este comportamento se desenvolva mais tarde é o desmame precoce (antes dos 2 meses de idade) e, consequentemente, a separação precoce da progenitora. Desta forma, sempre que possível, os cachorros devem manter-se com a mãe até aos 2 meses de idade. Outra forma que vai ajudar na prevenção é habituar o cachorro, desde pequeno, a ficar sozinho em casa. Inicialmente por períodos curtos de tempo (5-10 minutos) e ir aumentando progressivamente, devendo este ficar com acesso a brinquedos, comida, água e zona de descanso.

Quando o problema já está instalado posso fazer alguma coisa para o mudar?

O aconselhado será que recorra a uma consulta de comportamento para que exista uma avaliação detalhada. Em casos mais severos pode ser mesmo necessário a utilização de psicofármacos, em conjunto com um programa de modificação comportamental, para que se consiga resolver o problema. Deixo algumas dicas que poderão ajudar a minimizar a ansiedade de separação do seu cão:

  • Quando o cão fica sozinho deve ficar com acesso à sua zona de descanso, comida (esta pode estar dentro de dispensadores de comida, para que o cão se possa entreter enquanto come e para que esteja mais estimulado quando está sozinho), água, vários brinquedos (deve ir trocando os brinquedos, para que o tipo de estimulação vá variando) e pode também deixar a televisão ou o rádio ligado.
  • Deve tentar tornar os rituais de entrada e saída de casa o mais calmos que lhe for possível. Tente ir variando a ordem dos rituais que faz antes de sair de casa (ex: vestir o casaco, pagar na carteira,etc) porque o seu cão vai estar sempre atento a todos os detalhes que sugiram a sua saída de casa e estes vão-lhe causar ansiedade. Se possível, faça alguns desses rituais (ex: vestir o casaco) sem sair de casa efetivamente.
  • A utilização de coleiras ou difusores com feromonas apaziguadoras podem ajudar a manter o cão mais calmo.
  • Nunca deve punir o seu cão quando chega a casa e descobre que houve comportamentos destrutivos ou qualquer comportamento que considera não apropriado, uma vez que esta punição só vai gerar mais stress/ansiedade e não vai corrigir o problema.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Problemas comportamentais em cães adultos

Quais as alterações comportamentais mais comuns?

  • Ladrar – A vocalização excessiva é considerada um problema comportamental. Os motivos mais comuns são como sinal de aviso/alerta, excitação, ansiedade, tédio ou reposta a outro animais;

 

  • Ansiedade por separação do tutor – as manifestações incluem a vocalização, mastigação, urinar e defecar em locais inadequados ou outras formas de destruição. O stress ambiental de uma mudança ou evento traumático pode contribuir para um problema de ansiedade de separação.

O castigo não deve ser usado, pois o animal é incapaz de fazer essa associação ao problema, e pelo contrário induz a mais ansiedade podendo agravar os comportamentos erráticos. Deve procurar ajuda com um profissional especializado em comportamento animal de forma a identificar e a corrigir a causa da ansiedade.

 

  • Eliminação inadequada –urinar e defecar são um dos comportamentos caninos mais frustrantes. É fundamental descartar uma condição de saúde junto do seu médico veterinário, que possa ser responsável pela eliminação inadequada. Os motivos mais comuns são: por excitação ou submissão, ansiedade, por atenção ou por ausência de local adequado para eliminação.

A correção deverá ser feita realizando um reforço do comportamento desejado e a prevenção e inibição do comportamento indesejado, processo que pode demorar entre semanas a meses. A privação do período de eliminação não deve ser maior do que aquele fisiologicamente possível de controlar – 4/5 horas.

 

  • Morder – enquanto cachorros a “mordida” é uma forma de exploração do meio ambiente e de aprendizagem de hierarquia no grupo. Quando adulto a motivação para morder pode ser por medo/defesa, proteção de propriedade, dor/doença, tentativa de controlo ou por instinto predatório.

 

  • Agressividade – comportamento exibido por rosnar, “mostrar os dentes”, atacar ou morder. É importante estar atento a sinais de agressividade independente da raça ou história. Em caso de sinais de agressividade deve consultar o seu médico veterinário para descartar um problema de saúde, animais com dor podem exibir comportamentos agressivos. Deve ainda procurar ajuda com um profissional especializado em comportamento animal, o tratamento é normalmente facilmente estabelecido através da hierarquização.

 

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

O que é agressividade por medo?

Em que consiste?

A agressividade por medo é um dos tipos mais comuns de agressividade nos cães e resulta de qualquer gesto, atitude ou procedimento que provoque medo e stress no cão, por ser algo desconhecido e que este não sabe como reagir. O cão geralmente, estando perante uma destas situações que provocam medo, vai tentar afastar-se e evitar a situação. Se isto não for possível e se o comportamento persistir, podem surgir sinais de aviso, como o rosnar, ladrar, postura encolhida ou mesmo partir para uma agressão, mordendo ou tentando morder. Este tipo de agressividade pode-se manifestar tanto perante humanos como com outros cães ou animais de outras espécies.

Como posso evitar que o meu cachorro desenvolva este tipo de agressividade?

A maior parte das vezes este tipo de agressividade por medo está relacionada com má sociabilização do cachorro (este período de sociabilização decorre entre as 3-12 semanas) e também devido a experiências traumáticas vivenciadas nesta fase (é muito importante que, por exemplo, a primeira consulta veterinária seja o mais positiva possível para o cachorro). Durante este período o cachorro deve ser exposto ao máximo de estímulos possíveis, para que em adulto não os considere como totalmente desconhecidos. Alguns dos estímulos a que deve ser exposto:

  • Crianças;
  • Outros cães (se ainda não tiver concluído o protocolo vacinal, pode na mesma conviver com cães vacinados e em ambiente controlado, como por exemplo em aulas para cachorros);
  • Barulhos normais da rua, como carros, ambulâncias, etc (mais uma vez, mesmo que não tenha concluído o protocolo vacinal, pode ser passeado ao colo, dentro de uma transportadora ou fazendo viagens de carro com a janela aberta);
  • Animais de outras espécies.

Veja aqui este artigo sobre a sociabilização de cachorros.

É possível modificar o comportamento de um cão com agressividade por medo?

Sim, deve ser feita uma consulta de comportamento para avaliação da situação. O Médico Veterinário, muitas vezes em parceria com um treinador/educador canino, vai elaborar o plano de modificação comportamental mais adequado a cada caso.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Como programar um plano de treino para o meu cão?

dog sitter e pensioni per cani

Porque devo treinar o meu cão?

O treino é importante para o cão ser equilibrado e social. Tais comportamentos são ensinados através de comandos – treino que pode ser fornecido quer pelo tutor quer por profissionais.

Todos os cães devem ser treinados?

Sim, o tipo de treino varia de acordo com o grau de aprendizagem pretendido
pelo tutor. Por exemplo, um cão de família deverá ter um treino básico de
obediência de forma a ter auto-controlo e conhecimento das regras básicas da casa.

Que tipo de treinos existem?

  • Treino individualizado/resolução de problemas comportamentais;
  • Treino obediência básica/socialização;
  • Treino obediência avançada;

Tendo em conta o tipo de treino que procura poderá necessitar de ajuda de um profissional.

 

Como programar um plano de treino para o meu cão?

A forma de treinar um cão deve ser baseado em recompensas – reforço positivo, e nunca em castigos. Todos os dias deverá ir reforçando o comportamento pretendido até ser aprendido.
Alguns comandos básicos que deve ensinar ao seu patudo:

  • Sentar:

  • Ficar:

  • Regressar quando o tutor chama – chamamento;
  • Deitar;
  • Andar junto com trela;

 

 

Filipa Calejo

Médica Veterinária de animais de companhia