Cães dominantes vs cães submissos – o que saber sobre o tema!

Relativamente à dominância vs. submissão dos nossos patudos, o correto é dizer: o meu cão apresenta comportamentos dominantes ou submissos em certas situações. Quando isto acontece está sempre associado um recurso (comida, brinquedos, espaço etc).

Assim sendo, podemos tentar entender que tipo de comportamentos é que os nossos patudos apresentam em determinadas situações e tentar categorizá-los. No entanto, é importante entender que estes comportamentos não são estanques, ou seja, numa determinada situação um cão pode apresentar comportamentos dominantes e noutra comportamentos submissos.

Quando está presente um recurso e um cão, por exemplo, mostra os dentes, rosna, ladra, eriça o pêlo e /ou mantém uma postura rígida com a aproximação de algo ou alguém, podemos entender como estando a ter um comportamento dominante. Este tipo de comportamento pode acontecer intra ou inter- espécies, o que significa que pode aparecer entre cães, cães para pessoas, cães para gatos, etc.

Nestes casos é essencial não confrontarmos (ralhar, bater, tentar retirar o recurso) o nosso patudo, pois poderá despoletar agressividade. Por outro lado, devemos tentar entender o que está a causar este comportamento e como o podemos contornar: treinar para que nos permita aceder ao recurso, retirar esse recurso ou pedir ajuda a um treinador profissional !

Agora, imagine o seguinte cenário: um cão com comportamento dominante em relação a um recurso perante um segundo cão. Caso o segundo desvie o olhar, lamba os lábios, baixe as orelhas, se deite ou afaste do recurso podemos dizer que está a ter um comportamento submisso! Durante este comportamento são apresentados sinais de calma 😊

NOTA: Durante um comportamento dominante nunca há agressividade!

Avalie o seu patudo em diversos momentos e verá como agora tudo faz mais sentido !

Caso tenha alguma dificuldade em resolver algum tipo de problema de comportamento não hesite em pedir ajuda profissional, quanto mais cedo resolver mais fácil será ! 😊

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Dificuldade de aprendizagem em cachorros

Treinar um cachorro pode ser um pau de dois bicos: absorvem tudo de forma extremamente rápida mas, por outro lado, distraem-se muito facilmente. No entanto, existem muitas formas de os manter motivados e tornar essas distrações em algo bom!

– Entender o que motiva o seu patudo a manter a concentração ( tipo de comida, brinquedos, brincadeiras).

– Ao ensinar alguns sinais (senta, deita, dar a pata) por vezes tudo se torna mais fácil se usar uma recompensa de alto valor (salsicha, fígado, frango, por exemplo). Isto fará com que o seu patudo esteja muito mais motivado para aprender e as distrações não tenham tanta importância.

– Se o seu patudo for socializado e habituado a muitos tipos de estímulos (cães, barulhos de carros, ruídos altos, etc) será muito mais fácil que mantenha o foco pois esses estímulos já não serão novidade e consequentemente não terão tanto interesse.

– Não faça sessões de treino muito grandes. Intervale os treinos com passeios ou brincadeiras a casa 5/ 10 min de forma a que o seu patudo não perca o foco.

– Entre os 6 a 8 meses, por vezes pode parecer com que o seu patudo desaprendeu tudo o que aprendeu pois está na “fase de adolescência”. Mantenha os treinos consistentes!

– Seja consistente e previsível! Em cachorros é fundamental eles terem muito bem definido o que podem e não fazer. Por exemplo, se não pode ir para a sua cama, ninguém pode permitir que suba , pois ele não conseguirá distinguir quando e em qual cama pode abrir a exceção.

Disfrute dos momentos que passa com o seu patudo! Tenha paciência e seja consistente 😊

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Como ensinar o meu cão a andar sem trela na rua?

Apesar de ser libertador termos um cão que pode andar sem trela porque não nos foge, é fundamental saber que não é permitido fazê-lo. Caso haja algum tipo de acidente (atropelamento, mordida de outro cão, etc) a responsabilidade recai sobre o tutor do cão solto.

Durante o passeio o mais importante é disfrutarem do mesmo. Ou seja, não estarmos preocupados se o cão está á nossa frente, ao lado ou atrás, mas sim saber que está connosco e que vem quando chamamos por ele . O mesmo se aplica a cães que andam com trela!

É possível ensinar um cão a andar sem trela em qualquer idade. No entanto antes de passar logo para o passeio solto, é fundamental que responda a certos sinais,tais como: senta, fica e à chamada. Assim poderemos passear mais tranquilos sem o receio de que o nosso patudo não venha quando é chamado. Além disto, um cão muito habituado a todo o tipo de estímulos (pessoas, outros cães, carros, bicicletas, etc) será um cão muito mais relaxado durante o passeio e será menos provável que fuja ou que corra na sua direção, sem o nosso controlo.

  1. Comece por habituá-lo a andar com uma trela muito longa (5m ou mais)
  2. Quando estiver afastado, chame e se vier reforce.
  3. Com a trela frouxa, mude várias vezes de direção de forma a que ele o siga. Se for preciso, ajude o seu patudo com pequenos barulhos para chamar a sua atenção ou chame-o. Se vier, reforce!
  4. Quando estiver bem apreendido, pode começar a soltá-lo em zonas vedadas de forma a que se habitue a andar solto mas a estar atento a si.
  5. Generalize! Comece a ir a sítios que possa correr e brincar livremente.
  6. Divirta-se!

Disfrute dos momentos com o seu patudo!

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Tenho um cão possessivo: o que fazer?

Muitas vezes um cão é designado de possessivo quando rosna porque alguém se aproxima da comida dele, do “seu” sofá ou, até mesmo, perto do seu tutor. A isto chama-se de proteção de recursos.

A educação desde bebé é essencial para evitar que isto aconteça. Como?

Habitue desde cedo o seu cão a trocar um brinquedo por outro. Isto vai fazer com que o seu cão nunca tenha medo que lhe retire o brinquedo/ objeto da boca pois sabe que será substituído por outro ( e em certos casos, inclusive pelo mesmo). Desta forma, caso lhe dê um brinquedo novo (algo que facilmente se torna muito valioso para o seu patudo) não haverá necessidade de o proteger !

Em casos de proteção de recursos desde bebe, mostre-lhe que não é preciso ter medo que lhe tirem o objeto/ brinquedo. Como?

Imaginando que foi dado um novo boneco ao seu patudo, e sempre que lho tenta tirar ele abocanha o objeto e rosna. Coloque um biscoito ao lado do seu cão de forma a que ele tenha que se inclinar para o comer, nesse momento retire o objeto e mostre-lhe que o tem na mão. Caso não haja nenhum tipo de reação, devolva-lhe o que retirou e repita o processo. Dessa forma ele irá compreender que lhe irá SEMPRE devolver o brinquedo. Em caso de necessidade de retirar o brinquedo, entregue-lhe outro.

O seu cão protege o sofá e não deixa ninguém sentar-se?

Uma das muitas formas de contornar a situação passa por ensinar o seu patudo a subir para o sofá apenas quando lhe é pedido.

Comece por atirar um biscoito para o chão, para que ele tenha de descer do sofá. Quando o fizer peça-lhe para subir para o sofá e volte a atirar o biscoito para o chão. Ao fim de algumas repetições comece por introduzir o “chão” quando ele for apanhar o biscoito e “sobe” quando lhe pedir para subir para o sofá.

São muitos e muito diferentes os casos de proteção de recursos. Muitas vezes, é necessária a ajuda de um profissional! Quanto mais cedo conseguir contornar o problema, melhores os resultados.

Como introduzir o meu cão num parque canino?

Os parques caninos são locais externos cuja função é permitir a socialização dos cães, permitir que o cão corra sem fugir (por ser limitado) e exprima os seus instintos naturais (escavar, roer, cheirar etc).

Muitas vezes a principal preocupação dos tutores é como saber que é seguro deixar o seu cão solto com outros cães. No entanto é importante introduzir aos poucos o seu cão no parque canino se forma a que não seja demasiado assustador para ele.

  1. Nos primeiros dias passeie com ele de trela à volta do parque permitindo que ele decida por onde quer ir e com que animais quer interagir. Se tiver oportunidade, questione os tutores se todos os cães presentes são sociáveis com todos os cães. Caso sejam, não o afaste de nenhum animal.
  2. Nas primeiras idas ao parque canino, evite horas muito movimentadas. Assim poderá soltá-lo à vontade de forma a entender quais as suas atividades preferidas.
  3. Quando o seu patudo estiver mais ambientado, mesmo em dias com mais cães, solte-o de forma a avaliar a interação dele com os outros cães. Irá aperceber-se que, tal como as pessoas, os cães têm mais ligação com certos indivíduos.
  4. Torne a ida ao parque algo regular! Assim terá o seu cão cansado, feliz e equilibrado

Em dias que não o consiga levar ao parque canino, opte por deixá-lo num “Day Care” de forma a que ele mantenha o contacto com cães e que se divirta 😊

Ensinar o meu cão o “fica” passo a passo

O “fica” pode ser utilizado em alturas como:

– controlo de impulsos;

-prolongar o tempo de permanência;

– permitir que fique sossegado num local;

– entre outras;

Como fazer:

  • Pedir ao seu patudo para “sentar”/ “deitar”
  • Reforça-lo com comida de forma muito rápida e ritmada (de segundo a segundo); Ao fim de 10 vezes vá aumentando o intervalo de tempo entre os reforços ( a cada 3 segundos, depois a cada 5, etc).
  • Associe o comando verbal “fica” ao longo do exercício;
  • Para terminar o exercício atire o reforço para longe;
  • Repita o exercício várias vezes

 

DICA I: Caso o seu cão se distraia reinicie o exercício até consegui completar o tempo pretendido.

DICA II: inicie o exercício de joelhos (ou ao nível do animal) e à medida que vai aumentando o tempo vá-se levantando até estar em pé (devendo nessa altura baixar-se para entregar o reforço)

“Fica” com afastamento/ controlo de impulsos:

(Este exercício já uma combinação de vários comandos, por isso idealmente deverá treiná-los em separado para depois construir esta sucessão de pedidos)

  • Pedir ao seu patudo para “sentar”/ “deitar”
  • Começar a recuar, pedindo para “ficar”, reforçar (começar por reforçar com a distância de um passo e ir aumentando a distância entre si e o seu patudo).
  • Quando o processo anterior estiver apreendido, repita o processo mas coloque o reforço no chão e quando quiser peça ao cão para avançar e comer a recompensa
  • Repita o processo alternado os tempos de espera e distância

 

DICA SUPER IMPORTANTE! : Disfrute e divirta-se com o seu cão 😊

 

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Ensinar o meu cão a “deitar” passo a passo

O deita pode ser utlizado quando queremos que o nosso companheiro de quatro patas:

– fique sossegado numa esplanada connosco;

– antes de comer, por exemplo;

– como truque;

Treino:

  • Utilize um reforço muito apreciado pelo seu cão (biscoitos, salsicha, frango ou ate mesmo um brinquedo)
  • Na posição base ( sentado ou em pé) coloque o biscoito em frente do nariz de forma a que ele o siga até ao chão (acabando por se deitar)
  • Caso apenas baixe a parte da frente do corpo, experimente fazer o mesmo processo mas colocar o biscoito entre as patas da frente, até à região do peito em direção ao chão.
  • Repita o processo inúmeras vezes. Poderá, ao longo do tempo, associar a palavra “deita” e/ou um gesto.
  • Quando o comportamento estiver bem apreendido experimente fazê-lo noutro sítios.
  • Para treinar a permanência do seu cão deitado, reforce-o várias vezes enquanto está deitado

DICA: caso o seu patudo seja muito relutante em deitar-se experimente numas escadas (na zona lateral) usando o mesmo processo.

DICA II: Há cães mais sensíveis que outros, por isso avalie se o piso é confortável para ensinar um exercício que requer ter o corpo todo deitado.

 

Estes momentos são excelentes para estreitar laços com o seu companheiro de quatro patas, disfrute-os!

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Como ensinar um cão a não puxar a trela?

Como ensinar um cão a andar com trela?

1- Comece por habituar o seu cão à presença da coleira/ peitoral no corpo. Inicialmente e sendo muito cachorro é normal que estranhe e possa ficar imóvel. Incentive-o a andar, afastando-se dele e chamando-o. Quando o fizer, reforce-o com biscoitos e mimos (reforço positivo).

2- Introduza a trela: coloque a trela na coleira/peitoral, de forma a que sinta o seu peso. Deixe a trela frouxa e ande com ele aleatoriamente pela casa! Caso comece a recuar e a parar, estimule-o a andar na sua direção e, depois, por andar lado a lado consigo, ao mesmo tempo.

3- Quando os passos anteriores estiverem mais ou menos aprendidos, poderá dar o próximo passo: a rua. Comece por levá-lo a zonas com menos movimento para que a introdução aos passeios na rua seja algo progressivo. No entanto, repita todos os passos referidos anteriormente. É fundamental reforça-lo a andar sem medo e de forma a que se sinta seguro consigo.

Como desincentivar um cão a puxar a trela?

Em cães adultos que puxam muito à trela, uma boa opção é a utilização de peitorais em vez de coleiras, pois ao fim de algum tempo o nosso cão habitua-se à resistência da coleira no pescoço, de tal forma que continua a puxar sem o incomodar. No entanto para ter um cão calmo na rua é importante que:

1- Responda à chamada: sempre que é chamado, mesmo com trela olhe para si de forma a que ouça o que vai ser pedido. Isto deve ser treinado desde pequeno para que fique bem apreendido ao longo do tempo. Se tiver um cachorro, treine-o a vir para junto de si sempre que chama pelo nome dele, utilizando um biscoito.

2- Responda aos comandos de “senta” e “fica”: promova a calma antes da saída. Fará com que não puxe tanto. Além disso, é importante que também se sente e fique quando é pedido, mesmo na rua. Assim terá mais segurança e será mais fácil controlá-lo em ambientes diferentes.

Não importa se o nosso companheiro anda à nossa frente, atrás ou ao nosso lado: o importante é que não puxe, pois assim o passeio será muito mais agradável. Dê-lhe tempo e espaço para que possa cheirar e explorar os espaços por onde passam! Os cães precisam disso 😊 Aproveite e desfrute dos momentos com ele, mesmo as pequenas conquistas farão grandes diferenças no futuro!

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

5 escolas de treino para o meu cão no Porto

O treino canino tem várias metodologias: aversiva, mista ou positiva. A metodologia aversiva baseia-se na utilização de castigos (coleiras estranguladoras, coleiras de choque, coleiras de picos, por exemplo). As escolas com métodos positivos reforçam positivamente os comportamentos corretos (utilizam peitorais, trelas compridas, por exemplo). Como o nome indica as escolas com metodologia mista utiliza ambos os métodos de treino.

  • DTC- Dog Training Concept

Escola de treino em Touguinhó. Com métodos de treino positivos, utilizando estimulação mental e brincadeiras interativas. Tem ainda uma vertente Social com cães de Terapia.

-Rua de Vila Verde nº 7, 4480-572 Touguinhó

  • It’s all about Dogs

Com métodos positivos. Tem base no Porto mas área de atuação nas cidades vizinhas.

itsallaoutdogs@hotmail.com

  • Pet Home

Escola de treino canino e modificação de comportamento. Com outros serviços complementares (creche, petsitting, banhos e tosquias, etc).

– Zona Industrial dos Arcos de Sardão 401, 4430-434 Vila Nova de Gaia

  • Kanine- Centro de Treino Canino

Escola para treino de guarda, competição e obediência. Utilizando métodos positivos.

– Rua Vieira Pinto – Quinta da Bajanca – Vila Nova de Gaia

  • Dogga- Academy for Dogs and Families

Equipa multidisciplinar que trabalha em conjunto no treino e na modificação comportamental canina. Promovem a integração do cão no seio familiar utilizando métodos positivos.

– Rua de Francos 76 – 4250-219 Porto

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Porque é que um cão ataca outro?

Principais motivos que originam lutas

Os principais motivos que motivam os cães a lutar são os seguintes:

  • Cães que são criados juntos e que quando atingem a maturidade sexual, lutam para (re)definir a hierarquia;
  • Entrada de um cão mais jovem que desafia o cão mais velho e dominante; se o cão mais velho se tornar submisso, não irá haver problema, mas se, pelo contrário, reagir, pode acabar numa luta entre ambos;
  • Cães com fraca capacidade de comunicação podem passar a mensagem errada e promover uma luta (mesmo que não fosse essa a sua intenção);
  • Disputa pelo acesso a recursos percepcionados como importantes para os cães (comida, território, camas, brinquedos e até mesmo a atenção do dono);
  • O ataque pode ainda ser dirigido para cães que “não são da família”, como por exemplo, na clinica veterinária, nos passeios ou na cresce.

O que é que o tutor deve fazer?

  • Estar atento e reconhecer os sinais de stress e ansiedade nos seus patudos (postura corporal – orelhas para trás, lamber os lábios, arfar, entre outros;
  • Não permitir interações entre esse 2 cães sem vigilância;
  • Considerar a castração / esterilização destes animais para ficarem mais calmos;
  • Nos casos em que a agressão é dirigida para cães que “não são da família”, deve evitar ao máximo esse contacto, optando por sair de casa com o seu patudo em horas de menos movimento;
  • Procurar ajuda de um médico veterinário especializado na área de comportamento animal. Agir de forma precoce pode fazer toda a diferença porque estes comportamentos não vão simplesmente desaparecer.

Sara Alves

Médica Veterinária de Animais de Companhia