Ciúmes entre cães. Como agir?

Como sei se o meu cão é “ciumento”?

Se tem mais do que um cão em casa é provável que já tenha assistido a uma ou mais manifestações deste tipo. Um cão “ciumento” tende a disputar a sua atenção e a ter comportamentos de agressividade, rosnando e/ou tentando morder, quando está consigo e outro cão se tenta aproximar. O mesmo pode acontecer com os brinquedos e com a comida.

 

Como lidar com esta situação?

Uma vez que, frequentemente, estas manifestações comportamentais promovem conflito entre os cães, há vários cuidados que devem ser tomados para o evitar:

  • Estabelecer os limites de cada um e a hierarquia da casa (de forma a perceberem que o líder é o tutor e que a seguir vêm eles com iguais regras e direitos).
  • Dar o alimento em locais separados, para evitar a disputa de ração.
  • Ter brinquedos e camas diferentes para cada cão.
  • Promover passeios ao exterior (ambiente neutro), onde se deverá procurar realizar atividades de partilha e de inclusão.
  • Ignorá-los à chegada à casa, de forma a que nenhum sinta que está a receber mais atenção que o outro.
  • Quando estiver a interagir com um dos cães (ex: com ele ao colo, a brincar, etc.) e o outro se aproximar, deverá premiar o primeiro, aumentando a atenção, se este se mantiver tranquilo (reforço positivo). Se pelo contrário, este reagir com agressividade à chegada do outro cão, interromper de imediato a interação.
  • Evitar dispensar mais tempo com um cão em detrimento de outro. Se tiver que passar mais tempo com um deles (ex: por estar a precisar de mais cuidados), tente compensar o outro de seguida.

 

De notar que, apesar do tema deste artigo ser acerca dos “ciúmes entre cães”, a verdade é alguns cães têm outros animais ou mesmo pessoas como alvo destas manifestações. Um exemplo típico é o que ocorre quando uma nova pessoa é introduzida na vida diária, seja um bebé, um novo companheiro/a ou outro familiar com que passem a co-habitar. A solução é a mesma e passa por ensinar ao cão qual o seu lugar nesta nova dinâmica do quotidiano, que tem de respeitar o novo membro da família e que não irá perder a sua atenção e dedicação em detrimento dessa pessoa.

 

Tomás Magalhães

Médico Veterinário

Novo cão em casa? 5 dicas para uma adaptação mais rápida.

1.    Recolher o máximo de informações antes de o ir buscar

Antes de comprar ou adotar um novo cão, deve certificar-se que estudou bem a raça e o seu passado. Assim, irá perceber se é o cão mais adequado para si e para as condições que lhe pode oferecer. Depois de escolhido, deve informar-se acerca do histórico de saúde do mesmo (que doenças teve/ tem), do seu plano vacinal (que vacinas fez e quando precisa de repetir), do seu esquema de desparasitações e dos seus hábitos alimentares (saber qual a ração que está a fazer).

 

2.    Preparar a casa para a sua chegada

Antes do cão chegar, procure ter todas as condições de que ele precisa para os primeiros tempos. Prepare um local para ele dormir e uma zona separada para as refeições. Se for um cachorro, precisará também de uma zona onde ele possa fazer as necessidades até completar a primovacinação e poder vir à rua para as fazer. Compre também alguns brinquedos, adaptados ao seu tamanho e idade, que irão promover interações positivas entre os dois e serão importantes no treino e maneio do seu comportamento. Tenha uma ração de qualidade disponível para lhe dar (se não for a mesma que ele fazia, não se esqueça de ter parte da anterior para misturar e fazer uma transição gradual).

 

3.     Marcar uma primeira consulta no médico veterinário

Esta primeira consulta será muito importante para que o seu novo cão seja avaliado e assim possa saber se está tudo bem com ele. É também a altura em que será delineado o seu plano profilático (vacinas e desparasitações) e onde poderá fazer questões acerca de saúde, comportamento e nutrição.

 

4.     Introduzir de forma gradual aos restantes “co-habitantes”

Nesta fase o cão além das mudanças de espaço e de rotinas, também terá que aprender a partilhar o espaço com outras pessoas e/ou animais. Evite forçar o primeiro contacto, promovendo um conhecimento mútuo natural para evitar conflitos.

 

5.     Educar segundo o reforço positivo

É normal que o cão faça “asneiras” nos primeiros tempos em casa, seja cachorro ou não. A forma como lida com isso é que determinará o sucesso da sua educação. Atualmente sabe-se que a melhor forma de educar/ treinar um cão é através do reforço positivo. Por exemplo, não deverá recriminá-lo ou castigá-lo se ele fizer as necessidades fora do sítio, pois isso só fará com que ele comece a fazer em sítios escondidos da casa. Deverá sim, premiar sempre que ele faça no sítio correto.

 

Se está a ler este texto e tem um novo membro da família em casa, parabéns e boa sorte!

 

Tomás Magalhães

Médico Veterinário

Dominância em cães – Como identificar e lidar com essa característica

O meu cão é dominante? Quais os perigos?

Se o seu cão apresenta os sinais abaixo enumerados é possível que tenha um problema de dominância:

  • Tende a pressionar o corpo contra as pessoas e outros animais
  • Olha fixamente, sem se deixar intimidar
  • Torna-se agressivo quando contrariado, rosnando e tentando morder
  • É resistente ao toque e à manipulação, principalmente da região do focinho, do pescoço e dos membros
  • Lambe de forma incessante a face das pessoas ou de outros animais
  • Manifesta comportamentos possessivos relativamente à comida e aos brinquedo
  • O principal perigo de ter um cão dominante é que este tipo de animais tende a desenvolver comportamentos agressivos com seres humanos e outros cães, de forma a impor-se perante os mesmos, dificultando a sua normal convivência.

O que fazer se tenho um cão dominante?

Há várias estratégias que deverão ser implementadas, relacionadas, principalmente, com maneio comportamental. Alguns passos que deverá seguir são:

  • Estabelecer limites e regras de coexistência, determinando bem a hierarquia (em que o cão vem necessariamente a seguir a si);
  • Interromper de imediato qualquer interação, assim que ele comece a exibir manifestações de dominância;
  • Evitar confronto físico que potencie comportamentos de agressividade;
  • Iniciar treino de obediência, através, nomeadamente, do ensinamento de comandos básicos (ex: sentar, deitar, parar e esperar) de forma a torná-lo mais respeitador e submisso a si (podendo recorrer a um treinador canino para o efeito);
  • Promover a socialização com outros cães e pessoas, de forma a que adquira hábitos de partilha e de convívio com os mesmos.

 

Em algumas situações, a acompanhar esta modificação comportamental, poderá ser necessário recorrer a tratamento farmacológico. Este tratamento tem como base o uso de produtos moduladores de comportamento, de forma a criar condições mais propícias a um melhor resultado na terapia comportamental. Dentro deste leque de produtos, existem opções para quadros mais ligeiros como as que mimetizam o efeito, nomeadamente, de feromonas “apaziguadoras” caninas (ex: Adaptil) e fármacos, para casos em que precisamos de uma ação mais forte, tais como a fluoxetina e a clomipramina. Tudo depende do grau de ansiedade que está associado a este quadro de dominância e a resposta exibida perante as modificações comportamentais.

 

O melhor é agendar uma consulta com um médico veterinário especialista em comportamento canino, que lhe irá ensinar as melhores dicas de como relacionar-se com o seu cão dominante, as alterações que deverá fazer no ambiente onde ele está inserido e que ainda, se necessário, lhe irá receitar a ajuda farmacológica de que precisa.

 

                                                                                                           Tomás Magalhães           

                                                                                                       Médico Veterinário

 

Porque é que o meu cão uiva?

1 – Resposta a determinados sons

Um dos motivos que podem levar o cão a uivar é em resposta a determinadas frequências sonoras. É muito comum um cão uivar quando está a passar uma ambulância ou o carro dos bombeiros com a sirene ligada. No entanto, alguns cães podem também uivar ao ouvir alguns instrumentos musicais ou certas músicas. O cão também pode uivar quando ouve outros cães das redondezas a fazer o mesmo som. O uivo, nestes casos, geralmente desaparece quando o estímulo sonoro cessa.

2 – Causas médicas

Alguns cães podem uivar quando sentem dor ou algum tipo de desconforto. Um cão que nunca uivou e começa a fazê-lo repetidamente, em conjunto com outras alterações como estar mais parado, comer menos, etc, poderá indicar algum problema médico. Em cães seniores, que possam ter a Síndrome de Disfunção Cognitiva, além de várias alterações comportamentais e dos padrões de sono, podem também uivar sem razão aparente. Qualquer alteração de comportamento súbita, como o começar a uivar, deverá ser um motivo para prestar mais atenção ao seu cão e, se necessário, procurar ajuda veterinária.

3- Devido a ansiedade de separação

Cães que sofrem com este tipo de ansiedade podem uivar na ausência dos donos, em conjunto com outros comportamentos: destruições várias na casa, ladrar excessivo, micções/defecações fora dos locais habituais, etc. Neste caso, habitualmente, os donos só percebem que o cão uiva na sua ausência porque é relatado por vizinhos. O aconselhado nestes casos será que recorra a uma consulta de comportamento para que exista uma avaliação detalhada da situação. Em casos mais severos pode ser mesmo necessário a utilização de psicofármacos, em conjunto com um programa de modificação comportamental, para que se consiga resolver o problema.

4 – Para chamar a atenção

Alguns cães podem aprender que se uivarem, tal como quando ladram ou fazem qualquer outro som, vão ter a atenção do dono. Assim sendo, podem usar este som para pedir aos donos comida, brinquedos ou simplesmente chamar a atenção para eles.

Qualquer raça de cão pode uivar?

Sim, qualquer raça pode fazê-lo. No entanto, existem algumas raças conhecidas por uivar com frequência, como o Husky Siberiano, Malamute do Alska e o Bloodhound.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária

Porque é que o meu cão gosta de escavar?

Porque é que os cães escavam?

Os cães que gostam de escavar fazem este comportamento por vários motivos diferentes, podendo este tanto estar associado a emoções positivas como negativas. Em relação a emoções positivas:

  • Pode ser uma forma de brincarem e de explorarem o meio que os rodeia, uma vez que ao cavarem vão descobrir novos cheiros e a sensação nas patas também pode ser agradável para o cão.
  • Também podem escavar para esconder alimentos (exemplo: ossos) que vão querer comer mais tarde ou brinquedos;
  • Em raças historicamente mais ligadas à caça, pode ser uma forma de procurarem presas, como toupeiras.
  • Ainda podem escavar de acordo com as condições metereológicas. Nos dias mais quentes, ao escavar vão encontrar zonas mais frescas onde se vão poder sentar ou deitar a seguir. Nos dias mais frios ou com chuva, o buraco que escavam ajuda na proteção do frio e da chuva.

Em relação a emoções negativas:

  • É uma forma de libertação de stress, uma vez que provoca uma estimulação mental e física. Pode acontecer em cães com ansiedade de separação ou que têm poucos estímulos ao longo do dia (cães que, por exemplo, ficam em casa muitas horas sozinhos, sem brinquedos e outras formas de entretimento e/ou que têm passeios diários insuficientes).
  • Podem também escavar por baixo de vedações, de forma a tentarem escapar do local onde estão confinados.
  • Em cães que vivem em apartamentos e que, por isso, não têm acesso a um jardim para escavar, podem arranhar o chão, portas ou outro mobiliário dentro de casa, na tentativa de fazer o mesmo comportamento de escavar.

Como posso evitar que o meu cão tenha este comportamento?

O comportamento de escavar é considerado normal e típico da espécie. No entanto, aquilo que deve fazer primeiro é tentar perceber qual ou quais são as motivações do cão. Depois de identificadas, se for por uma questão de aborrecimento deverá tornar o ambiente onde o cão habita mais enriquecido: com brinquedos (ter vários e ir alternando os que disponibiliza), dispensadores de comida (ex: kong), acesso constante a água, comida e a uma zona de descanso. Deve também fazer passeios diários com o seu cão (no mínimo 2 vezes por dia), mesmo que tenha um jardim grande e muito espaço exterior dentro de casa. Deve também tirar alguns momentos do dia para brincar com o seu cão e aproveitar para treinar obediência, sempre recorrendo a métodos de treino positivos. Se a motivação for a falta de abrigo durante o dia, deve permitir que o cão tenha uma zona de sombra, nos meses de maior calor e uma zona abrigada nos meses mais frios e chuvosos. No casos de ansiedade de separação, convém procurar ajuda de um profissional do comportamento animal que o ajude a lidar com o problema. Nos cães de caça ou quando o comportamento de escavar é uma forma de brincadeira e obtenção de prazer do cão, poderá ser bastante difícil extinguir este comportamento. Nesses casos deverá limitar o acesso do cão às zonas onde não haverá problema se ele tiver esse comportamento e procurar ajuda profissional sempre que se justificar.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária

O meu cão tem medo de outros cães: o que faço?

Quais os sinais que o cão dá quando está com medo de outros cães?

A maior parte dos tutores consegue identificar com alguma facilidade estes sinais, desde que esteja atento ao comportamento do seu cão. Em alguns casos o cão pode manifestar sinais evidentes, como fugir e evitar qualquer contacto com outros cães, apresentar a cauda recolhida entre as pernas e postura encolhida. Mas, noutros casos, os sinais manifestados podem ser mais subtis, como lambidas frequentes dos lábios e evitar o contacto visual com o outro cão. Se o cão estiver com medo e não tiver maneira de se afastar (se estiver, por exemplo, preso com a trela e forçado ao contacto com outro cão) pode desencadear um episódio de agressividade por medo, podendo rosnar, ladrar ou mesmo tentar morder o outro cão.

Qual a origem do medo do meu cão ?

O medo é uma resposta adaptativa e que permite que o cão se proteja de situações potencialmente perigosas. Pode haver vários motivos que levem o cão a ter medo de outros cães como por exemplo não ter tido contacto com cães no período de sociabilização (entre as 3-12 semanas) e por isso não vai saber como se comportar na presença de outros cães e eventos traumáticos passados com algum cão (mordida, por exemplo) e que levam o cão a generalizar o medo para todos os cães.

O que posso fazer para ajudar o meu cão a superar este medo?

O ideal é que haja o acompanhamento de um ou mais profissionais especializados em comportamento (exemplo: médico veterinário que faça consultas de comportamento e treinadores qualificados). Irá ser feita uma avaliação do cão e dos problemas que tem e estabelecido um plano de tratamento e/ou treino adaptado a cada caso. Existem várias técnicas, nomeadamente de dessensibilização (diminuição da intensidade de resposta perante um estímulo) e contracondicionamento (associação da situação que provoca medo a uma experiência positiva), que podem ajudar o cão a sentir-se mais confiante e a ter menos medo do contacto com outros cães. No entanto são, por norma, processos que levam algum tempo e por isso é necessário que os tutores do cão tenham paciência, sejam consistentes nos treinos e sigam sempre as instruções dadas pelo profissional que os está a acompanhar.

Inês Millet Barros 

Médica Veterinária

Devo levar o meu cão a um treinador nos primeiros meses?

Quando devo começar os treinos?

Existem aulas para cachorros que devem decorrer durante o período de socialibilização do cachorro (este período ocorre entre as 3-12 semanas de vida do cachorro). Neste período é muito importante que o cachorro seja exposto ao maior número de estímulos possível de forma controlada e positiva, uma vez que desta forma ajuda a evitar problemas comportamentais futuros como agressividade por medo e ansiedade excessiva.  Promove ainda o desenvolvimento social entre indivíduos da mesma espécies e de outras (incluindo humanos) e ajuda o cachorro a gerir frustações.  Como nesta fase a maioria dos cachorros ainda não tem o protocolo vacinal completo e, por isso, não deve conviver com outros cães em jardins públicos, estas aulas são uma boa forma de promover uma boa sociabilização dos cachorros, num ambiente controlado e conduzido por profissionais.

Como funcionam as aulas para cachorros?

Estas aulas são importantes porque ajudam os tutores a perceberem melhor o comportamento do cão e a aprenderem algumas regras básicas de treino, devendo recorrer sempre ao treino com reforço positivo. Nestas aulas o cachorro é exposto a vários estímulos diferentes, como auditivos, visuais e tácteis e permitindo que exista uma associação positiva a cada um destes estímulos. O cachorro tem também a possibilidade de conviver com outros cachorros e pessoas, além dos tutores, ajudando-o a tornar-se socialmente mais competente, o que vai ser muito importante no seu desenvolvimento e idade adulta. Deve sempre escolher aulas dadas com profissionais qualificados, peça ajuda ao seu veterinário de confiança para que este lhe indique o melhor local, conforme a zona do país onde se encontra.

Além das aulas o que posso fazer em casa?

Nesta fase é também muito importante que em casa promova o contacto, sempre controlado e positivo, do cachorro com várias pessoas diferentes (incluindo crianças, mas sempre com supervisão de um adulto), outras espécies animais com quem pode eventualmente conviver no futuro (como gatos, coelhos, porquinhos da índia) e outros cães (que tenham as vacinas todas em dia, sejam saudáveis e sociáveis). Pode também expôr o cachorro a vários estímulos, mesmo antes do mesmo concluir o protocolo vacinal, levando o cachorro à rua ao colo, quando é possível. Quando não é, pode fazer passeios de carro com a janela aberta, uma vez que já permite que o cachorro ouça alguns dos barulhos normais da rua. Deve, desde o início, estabelecer regras claras no cachorro, tendo sempre em conta a sua idade e período de desenvolvimento.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária

Como acalmar o meu cão dos foguetes?

Porque que os cães têm medo dos foguetes?

Barulhos fortes e desconhecidos assustam os patudos. Por isso é que os nossos amigos de 4 patas têm medo dos foguetes.

Sinais de ansiedade e medo:

É relativamente fácil de reconhecer se um patudo está ou não com medo dos foguetes. Os sinais de medo podem ser reconhecidos pelos tutores, sendo que os mais frequentes são:

  • Vocalização em excesso (ladrar, uivar, etc.);
  • Tremores;
  • Inquietação;
  • Necessidade de se esconder;
  • Colocação do rabo entre as pernas;
  • Urinar;
  • Arfar;
  • Salivação em excesso;
  • Dilatação das pupilas.

Como preparar os patudos e o ambiente para situações como esta?

  • Coloque distrações pela casa (como brinquedos que o patudo goste);
  • Coloque música ambiente (coloque uma melodia que acalme os patudos: “A day in the life” é uma boa opção. Jazz e músicas calmas em geral costumam ser uma boa opção nestas situações);
  • Tenha à disposição um sítio para que ele se possa esconder (com uma manta e um brinquedo familiares);
  • Se sair de casa, não demonstre movimentos de intenção para que ele não perceba que vai ficar sozinho;
  • Não lhe faça demasiadas festinhas nem dê demasiados mimos, como se o estivesse a proteger, na altura em que ele possa ter mais medo (pode aumentar a sensação de insegurança);
  • Se ficar em casa aja normalmente com ele, para que não lhe transmita insegurança;
  • Se possível, não o deixe lá fora e mantenha as janelas e cortinas fechadas (para diminuir a entrada de barulho e luz).

O que utilizar para acalmá-los nestas situações?

  • Coleiras ou comprimidos com feromonas apaziguantes (Adaptil®): as coleiras têm uma duração de cerca de 1 mês, e o comprimido pode ser dado em situações mais esporádicas (como esta). Deve dar o comprimido um tempo antes do momento esperado de stress. As feromonas apaziguantes têm como objetivo acalmar os patudos em situações de stress e barulho;

 

  • Coletes “anti-stress”: recentemente está a ser estudado o impacto da utilização de coletes que podem funcionar em alguns cães com sinais de ansiedade. O objetivo é transmitir uma sensação de conforto, pela ligeira pressão que é aplicada no corpo do animal.

A ansiedade e hiperatividade provocada pelos foguetes pode ser perigosa…

Para além de ser desconfortável para os patudos, em cães que estão num ambiente exterior (como jardim ou pátio) os foguetes podem assustar tanto ao ponto do patudo fugir de casa (saltando o portão, por exemplo). Certifique-se que em noite de festa não deixa os patudos sozinhos lá fora.

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

 

Porque é que o meu cão come relva?

cane che scava buche in buche in giardino

O que leva o meu cão a comer relva?

Apesar de haver poucos estudos científicos neste campo e, por isso, poucas certezas dos motivos que levam o cão a ingerir relva, há várias teorias:

  • Cães que não têm uma dieta equilibrada e tentam, por isso, compensar a falta de fibra e de nutrientes com a ingestão de relva ou se a quantidade de alimento fornecida ao cão não é suficiente;
  • Por aborrecimento: cães que têm poucas distrações durante o dia e ficam muito tempo sozinhos e comem relva para se manterem mais entretidos.
  • Foram observados cães selvagens a ter o mesmo comportamento, por isso pode ser algo que o cão doméstico faz e que tem origem nos seus antepassados;
  • Para “induzir o vómito” quando não se sentem bem (esta teoria tem vindo a ser contrariada por alguns estudos que não o conseguiram demonstrar);
  • Apenas porque gostam do sabor e/ou da textura.

Comer relva pode ser perigoso para o meu cão?

Em princípio, se o cão comer pouca quantidade e não houver sinais de doença, não será motivo para preocupação. Deve sim consultar um médico veterinário se as quantidades ingeridas forem muito grandes, se houver vómitos muito frequentes a seguir à ingestão (ou qualquer outra alteração como diarreia, letargia, diminuição do apetite) ou se acha que a comida que está a dar ao seu cão poderá não ser a mais equilibrada.

Pode sim ser perigosa a ingestão de relva caso esta tenha sido tratada com herbicidas/pesticidas que são tóxicos. No caso de desconhecer se a relva foi ou não tratada recentemente, não deixe o seu cão comer essa relva. Caso haja ingestão acidental de relva tratada com substâncias sobre as quais não sabe o nível de toxicidade, é importante que procure rapidamente ajuda veterinária.

Alguns cães, além de relva, ingerem outras plantas e flores que podem ser tóxicas. Nesse caso convém sempre verificar que plantas tem no seu jardim para não correr riscos (aqui pode consultar uma lista com algumas plantas tóxicas).

Como posso impedir que o meu cão coma relva?

No caso de animais que comam comida caseira ou uma ração de uma gama mais baixa, pode ser importante começar a dar uma ração de melhor qualidade e equilibrada ou, no caso de querer dar comida cozinhada por si, consultar um veterinário especializado em nutrição que possa prescrever uma dieta equilibrada consoante as caraterísticas do cão. Se o cão fica muito tempo sozinho e sem fontes de entretenimento, deve deixá-lo com vários brinquedos (ir alternando os brinquedos que dá, para que o cão não se farte), dispensadores de comida e, sempre que possível, brinque, passeie e passe algum tempo diário com ele. Em alguns casos poderá ser difícil impedir este comportamento, principalmente se a ingestão for apenas porque o cão gosta do sabor da relva.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária

Cães e crianças: 4 principais benefícios

Os cães fazem parte integrante de muitas famílias portuguesas, com ou sem crianças. A sua presença, quando existem crianças na família, vai trazer muitos benefícios para o desenvolvimento das mesmas, tendo sempre em atenção que devem existir regras e limites bem definidos tanto para a criança como para o cão. Estes devem começar a ser estabelecidos desde cedo, sendo que o cão deve estar bem socializado com crianças e devem ser cumpridos alguns passos quando, por exemplo, há o nascimento de um novo bébé.

Neste artigo vou descrever os 4 principais benefícios desta interação:

1- Promove um estilo de vida mais ativo e saudável

As crianças que têm um cão como animal de companhia têm maior tendência para brincar no exterior com o cão e passear com ele, reduzindo o tempo passado dentro de casa a ver televisão, com o telemóvel ou computador. Desta forma, têm menor probabilidade de ter excesso de peso ou obesidade. Já vários estudos comprovaram também que crianças que crescem com um animal de estimação vão ter menor probabilidade de desenvolver problemas alérgicos e asma.

2- Ensina a criança a ter mais responsabilidade

Deixar a criança fazer algumas das tarefas que envolvem o cuidado do cão, com a devida supervisão de um adulto, vai dar-lhe mais sentido de responsabilidade e autonomia. Estas tarefas incluem, por exemplo, o dar comida e água, escovar o pêlo, passear o cão e brincar com ele. Cada tarefa deve ser adaptada à idade da criança.

3- Ajuda a reduzir os níveis de stress, ansiedade e solidão

O simples contacto com o cão, fazer festas e brincar com ele, ajuda a diminuir a ansiedade, stress e permite que a criança se sinta mais acompanhada. Um estudo americano mostrou que quem contacta com cães tem um aumento dos níveis de oxitocina, sendo esta hormona responsável por reduzir a ansiedade e promover melhores ligações sociais da criança com o cão e com outras pessoas. Existe também uma redução dos níveis de cortisol, hormona produzida em resposta a situações de stress.

4- Melhora a auto-estima da criança e torna-a mais sociável

A criança, ao ser capaz de fazer parte dos cuidados do seu cão e completar algumas das tarefas já mencionadas, vai sentir-se mais competente e, consequentemente, aumentar a sua auto-estima. A presença do cão em certas atividades que a criança tenha de fazer, ajuda a dar-lhe mais confiança, uma vez que este não a vai julgar se fizer alguma asneira. Também facilita o contacto da criança com outras crianças ou adultos, funcionando o cão como intermediário para este contacto e ajudando a promover as relações sociais da criança.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária