Arritmia cardíaca em cães

O coração é um órgão muito importante que tem como principal função, o bombeamento do sangue para todas as partes do corpo do cão.

No seu interior existem 4 cavidades, nomeadamente o átrio e ventrículo esquerdos, e o átrio e ventrículos direitos. É aí que a magia acontece! O sangue passa por essas cavidades e é bombeado para todo o corpo. A contração cardíaca, que bombeia o sangue, chama-se sístole e o relaxamento das cavidades é designado de diástole. São estes os acontecimentos responsáveis pelo batimento que sentimos quando colocamos a mão no peito dos patudos.

O coração é mesmo um órgão especial! Possui um circuito elétrico interno, responsável por um batimento cardíaco normal e rítmico, que varia mediante a fase do movimento – sístole ou diástole.

A arritmia ocorre quando existe uma alteração nesse circuito elétrico. Dessa forma, há uma modificação do ritmo de batimentos cardíacos sem que tenha existido uma ação para tal. O coração pode bater muito rápido (taquiarritmia) ou muito lento (bradiarritmia), podendo mesmo assumir um comportamento irregular (bloqueios), caracterizando-se a arritmia por um batimento cardíaco irregular!

Existem variadas causas que podem ser responsáveis pelas arritmias cardíacas caninas e nem sempre têm origem primária no coração. Entre elas podemos encontrar:

  • Stress
  • Diabetes
  • Cardiomiopatias
  • Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC)
  • Hipertensão
  • Intoxicação
  • Medicação
  • Desequilíbrio eletrolítico
  • Infeções

A arritmia pode ser difícil de identificar pelos tutores, pois apresenta sinais subtis na sua fase inicial. Assim, é mais provável que só se aperceba do problema quando este já assumiu um quadro avançado.

O diagnóstico de arritmia deve ser feito pelo Médico-Veterinário com recurso ao exame clínico e meios complementares de diagnóstico como ecocardiografia e eletrocardiograma (ECG). Após identificado o tipo de arritmia, deverá proceder-se a mais investigação no sentido de perceber qual a sua origem. Após todo o processo clínico, o seu cão será medicado e controlado de perto. Em casos de arritmias não controladas, pode ocorrer morte súbita do animal.

Como acontece com outras patologias, os sinais clínicos podem passar despercebidos e o seu diagnóstico precoce ser feito ocasionalmente em exames de rotina. Priveligie o acompanhamento Médico-Veterinário do seu cão e os check-ups de rotina 🙂

Ana Matias

Médica Veterinária

 

Gengivite em cães

Causas de gengivite canina

A causa principal de uma gengivite é a infeccção bacteriana derivada da placa de tártaro que existe a nível dentário – maior parte das vezes associada a uma má higiene oral e a uma má alimentação.

As bactérias acabam por entrar nos sulcos gengivias – o espaço entre as gengivas e os dentes – causando uma reação inflamatória.

A gengivite detecta-se pela inflamação marcada (cor avermelhada) ao longo da linha gengival (logo acima dos dentes). Normalmente temos sempre um mau hálito associado e uma hipersalivação.

Se a gengivite não for tratada – a infecção acaba por progredir para as estruturas do dente levando à perda dos mesmos – doença periodontal.

 

Tratamento e prognóstico

A gengivite é o primeiro estádio da doença periodontal e o único reversível. O primeiro passo é realizar uma destartarização sob anestesia geral, onde se remove o tártaro e a placa bacteriana.

O prognóstico de uma gengivite é excelente! No entanto, têm sempre de seguir as recomendações do vosso Médico Veterinário habitual 😊 O vosso patudo vai beneficiar bastante de uma rotina de higiene oral diária! Por isso lembrem-se sempre de os treinar desde cachorrinhos a vos deixarem mexer na boca deles – torna todo o processo no futuro muito mais fácil e simples 😊

 

Ana Pinto

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Refluxo em cães: causas, sintomas e tratamento

Tal como nas pessoas, também os nossos patudos podem sofrer de refluxo, que pode provocar inflamação/irritação esofágica e em casos mais severos pneumonia por aspiração.

O refluxo gastroesofágico consiste no retorno do conteúdo do estômago para o esófago. Isso acontece quando o ácido no estômago é excessivo ou quando o esfíncter esofágico inferior (músculo que fecha a passagem para o estômago) não fecha devidamente. Como consequência do refluxo pode ocorrer aquilo que se designa por regurgitação, que é diferente de vómito.

Uma das formas de diferenciar a regurgitação de vómito, é perceber se o seu patudo está enjoado, com náusea. Se isso ocorrer, estamos perante um vómito e não uma regurgitação.

Quais as causas de refluxo gástrico?

O refluxo gastroesofágico ocorre principalmente por dilatação esofágica, esofagite e, mais frequentemente, pela ingestão de alimentos em maior quantidade que a capacidade de entrada estomacal.  Por essa razão, raças de menor porte são mais predispostas ao problema. Ao ingerir grandes volumes de alimento, ultrapassando essa capacidade, o seu patudo poderá necessitar de regurgitar.

Já os problemas no esôfago propriamente dito, como a dilatação e as inflamações, podem ter origem em fatores que vão desde alterações congênitas até lesões causadas por corpos estranhos, passando por neoplasias e hérnias de hiato.

Quais são os sintomas do refluxo em cães?

Por si só, o refluxo em cães pode não se manifestar. Muitas vezes os nossos patudos apenas regurgitam, expulsando a comida sem grande esforço abdominal.

No entanto, dependendo da causa primária, os sinais clínicos também podem ser bastante inespecíficos, como, por exemplo, a falta de apetite, prostração, febre.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do refluxo gastroesofágico passa pela identificação da causa do problema. Uma anamnese completa e um exame clínico adequado podem levantar algumas suspeitas mas a confirmação passa por alguns exames complementares, tal como radiografias contrastadas ou endoscopia.

O tratamento está diretamente relacionado com a causa primária do refluxo. Isso porque, boa parte das vezes, proporcionar uma alimentação balanceada, em quantidade adequada ao porte do aniaml é suficiente para reduzir significativamente a frequência do problema.

Pode ser necessário tratamento médico e farmacológico mas em casos de situações congénitas uma das soluções pode ser a adaptação da posição de alimentação do patudo.  Pode ser experimentado colocar o animal em posição bipedal por 30 minutos após a refeição de forma a prevenir o refluxo e a consequente regurgitação.

Se reconhecer ou suspeitar que o seu patudo sofre de refluxo e regurgitação, não hesite em levá-lo ao seu médico veterinário habitual 🙂

Helena Ferreira

Médica veterinária de Animais de Companhia

O que posso dar a um cão com dores?

Avaliar a presença de dor nos cães nem sempre é fácil! Contrariamente ao que todos pensam, um patudo com dor nem sempre vocaliza ou chora. Por vezes, os comportamentos que manifestam dor são muito subtis como o lamber constantemente a zona do corpo dolorosa, dificuldade a subir/descer escadas, postura corporal, falta de apetite, entre outros.

Na realidade, o indicado será sempre procurar ajuda Médico-Veterinária se notar alguma alteração no comportamento do seu cão, que fuja ao habitual.

Outro fator extremamente difícil de avaliar pelos tutores, é o grau de intensidade da dor! Mais uma vez, realça-se a importância da avaliação Médico-Veterinária, para, nesse sentido, obter o diagnóstico correto e tratamento adequado.

A medicação indicada para um cão com dor varia mediante a sua causa, tipo e intensidade da dor, idade, peso e raça. Por isso, NUNCA se arrisque a medicar o seu cão sem autorização prévia do profissional de saúde animal!

É importante realçar que muitos dos medicamentos utilizados em Medicina Humana, estão completamente contra-indicados nos animais, já que o seu sistema fisiológico é diferente. (Eu sei que não parece, pois os cães são elementos da família, mas a realidade é que os seus órgãos funcionam de formas especiais e não conseguem metabolizar algumas das medicações!) Como exemplos disso, temos o Ibuprofeno e o Paracetamol que podem levar à morte!

Contudo, além de medicação existem outras estratégias que poderá usar para ajudar o seu cão:

  • Mantê-lo em repouso: ajuda bastante nos casos de dor óssea e articular.
  • Aplicar calor/frio e massajar: em algumas situações, mediante a indicação Médico-Veterinária, a aplicação de calor ou frio no local doloroso pode reduzir a inflamação e a dor.
  • Dieta leve, de fácil digestão: adequado em situações de dor com origem na boca (dentes, gengivas) ou gastrointestinal (cólicas).
  • Dar-lhe conforto e miminho para ele poder descansar: remédio caseiro que deve ser utilizado em todos os tipos de dor! 🙂

Ana Matias

Médica Veterinária

 

 

 

 

Cão ofegante: o que fazer para ajudar?

A respiração ofegante é sempre sinal de alerta, embora em alguns casos possa ser mais comum do que imaginamos.

Quando um cão tem dificuldades a respirar, o seu corpo manifesta-se com movimentos bruscos do tórax ou abdómen, boca aberta, respiração rápida e superficial ou bastante profunda. Não há como não perceber que algo não está normal!

Existem variadas causas que podem provocar uma respiração ofegante nos nossos patudos, desde exercício físico intenso a doenças graves. É importante que os tutores saibam avaliar a situação que presenciam, para saber se é necessária a intervenção Médico-Veterinária ou não.

Determinadas raças de cães, nomeadamente as braquicéfalas, como por exemplo Pug, Boxer, Pequenês, Bulldog Francês e Bulldog Inglês, têm mais propensão a alterações respiratórias. Nestes animais, a cavidade nasal é mais achatada, tendo menos espaço para a circulação do ar, por isso necessitam sempre de maior esforço respiratório. Ainda assim, respiração ofegante nos cães desta raça pode não ser normal e ter repercussões gravíssimas, se não for investigada atempadamente.

Como identificar respiração ofegante?

Como referido anteriormente, quando há dificuldade respiratória, o cão apresenta sinais corporais específicos. Quanto maior for essa dificuldade, mais intensos eles são! Por vezes, pode surgir tosse associada e a língua ficar de fora enquanto arfam.

Perante uma situação destas, é importante mantermo-nos calmos e permitir que o  nosso patudo repouso, sem grande excitação, de forma a não agravar ainda mais o seu estado.

É importante observar a duração destes episódios e a sua evolução, em conjunto com os sinais que o cão apresenta. Por exemplo, se sua língua começa a mudar da sua coloração rosada para uma cor mais azulada, é sinal de que está a entrar em cianose. Isto significa que, devido à falta de ar, não está a conseguir oxigenar o seu sangue e tecidos.  Estamos perante uma urgência! Está indicado levar o seu cão para o Médico Veterinário imediatamente! Se, por um lado, após uma corrida matinal, a respiração do seu cão acelera o ritmo durante poucos minutos, mas mantém-se bem disposto e depois normaliza, percebemos que o episódio passou e foi resultado do esforço intenso.

E o que pode provocar uma respiração ofegante nos cães?

Apenas o Médico-Veterinário dispõe de ferramentas que permitem avaliar e diagnosticar o vosso patudo. Reforço que se o vosso cão tem dificuldades a respirar ou apresenta muitas vezes uma respiração ofegante, deve ser avaliado pelo profissional!

Existem vários motivos que podem provocar respiração ofegante nos cães:

O que fazer para ajudar?

  • Manter o cão calmo e tranquilo, evitando movimentos ou comportamentos que o stressem ou excitem;
  • Manter-se alerta para vigiar o episódio e perceber se é transitório ou se requer avaliação Médico-Veterinária imediata;
  • Não medicar o cão sem autorização do Médico-Veterinário!

Quando o Médico-Veterinário identifica o problema que despoleta a respiração ofegante, deverá seguir as suas instruções de tratamento e as suas recomendações. É de frisar que os passeios devem ser curtos e realizados às horas de menor calor, e os momentos de brincadeira devem ser moderados e vigiados.

 

Ana Matias

Médica Veterinária

 

Higroma Canino

A bursite é uma inflamação dolorosa da bursa (uma bolsa preenchida com líquido que proporciona amortecimento às estruturas  (músculos, tendões e ligamentos) que deslizam/ articulam sobre os ossos.

Quando esta bursite ocorre na zona do cotovelo dá-se o nome de higroma.

Quais são as causas?

região do cotovelo é composta pela articulação dos ossos úmero, rádio e ulna. Uma cápsula articular envolve estes ossos e dentro dela existe o líquido sinovial, um liquido dotado de alguma viscosidade que permite que os vários ossos da articulação interejam e deslizem entre si sem que haja atrito.

Animais gigantes, (dogue alemão, mastifes, rotteweilers, entre outros) que colocam muito peso sobre  a região do cotovelo,  podem  acabar causando uma  inflamação sobre  o tendão ou a capsula articular. Um dos factores predisponentes pode ser os nossos patudos se deitarem sobre pisos muito duros, traumatizando a área (já que o cotovelo representa uma zona de relevo no braço).

O processo inflamatório instalado na articulação começa a induzir um aumento da produção de liquido sinovial dentro da cápsula articular e a região começa a aumentar de volume.

Logo no início do problema, se  for identificado numa fase inicial, é aconselhado fazer  gelo e repouso do animal, além de oferecer um local macio para se deitar. Quando o processo se torna crónico,  algumas outras medidas podem ser tomadas inclusive com a infiltração de medicamentos ou a dreanagem do liquido.

Em casos mais avançados podem ocorrer feridas cutâneas e contaminação do líquido do articular  por bactérias causando uma infecção articular, agravando a sintomatologia e o prognóstico terapêutico.

Opções de tratamento do higroma em cães

O tratamento irá depender:

  • Do tipo de higroma,
  • Do seu grau de progressão,
  • Existência ou não complicações (por exemplo: infeção bacteriana)

Quando se trata de um higroma não complicado recorre-se a uma ligadura e aos anti-inflamatórios não esteroides (AINE). Associado sempre a repouso e cama macia.

Se o animal não reagir aos AINE, ou se a infeção estiver relacionada com uma condição auto-imune, pode ser indicado o uso de esteroides.

Em casos mais severos, pode ser necessário realizar drenagem com agulha fina do líquido sinovial. No caso de se manifestarem complicações, e de surgir uma fístula ou úlcera, será necessário recorrer ao tratamento cirúrgico.

No que diz respeito às drenagens: a drenagem de Penrose, um procedimento aberto e sem aspiração, é uma das técnicas de drenagem passiva mais utilizadas. Esta técnica adequa-se à drenagem de pequenas áreas, mas não é recomendável para zonas extensas, sobretudo quando se prevê uma drenagem prolongada, porque quanto mais se efetue a drenagem, maior o risco de que se origine uma infeção ascendente pela contaminação da sua zona de saída. Em alternativa pode se realizar  drenagem de sucção fechada (ativa), que pode reduzir a aparição de hematomas na ferida e minimizar o risco de infeção, constituindo uma opção mais cómoda porque não são necessários cuidados pós-operatórios da ligadura.  A principal vantagem deste sistema de drenagem ativa é que se trata de um procedimento minimamente invasivo para o animalque diminui o risco de contaminação, dado que o líquido drenado é armazenado diretamente num depósito.

Assim, a prevenção não deixa de ser fundamental. Ter sempre à disposição uma zona de cama macia ou almofadada para o nosso animal pode fazer toda a diferença 🙂

Helena Ferreira

Médica veterinária de Animais de Companhia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cachorro com fraqueza nas patas traseiras: o que pode ser?

A fraqueza nas patas traseiras pode ter várias causas!

Estas são as mais comuns:

  • Dor
    • Após um trauma o animal pode se demonstrar mais relutante a caminhar e mais fraco dos membros ou quando já está em curso problemas articulares (especialmente em animais idosos)
  • Doença cardiovascular
    • Em todas as doenças cardíacas pode estar associada fraqueza, sempre que o coração não consegue bombear sangue suficiente para chegar a todo o corpo
  • Doença endócrina
    • Em animais com Síndrome de Cushing, ou hiperadrenocorticismo, podem apresentar fraqueza generalizada
  • Doenças Infeciosas
    • Várias patologias provocadas por vírus, bactérias ou parasitas (como por exemplo a Febre da Carraça) podem dar fraqueza muscular
  • Hipoglicemia
    • Se os níveis de açúcar no sangue do seu patudo estiverem em níveis baixos, especialmente em cães diabéticos, este poderá demonstrar fraqueza generalizada
  • Carência nutricional
    • Quando o animal não tem uma dieta completa e adequada poderão haver carências em vitaminas e minerais que são cruciais para os músculos. A sua falta pode dar origem a fraqueza ou tremores musculares.

 

Por este sinal clínico ser pouco específico e poder ser um indicador de alguma patologia grave, recomendamos que contacte o médico veterinário que segue o seu patudo o mais breve possível!

 

 

Inês Santos

Médica Veterinária

Síndrome Vestibular Canina

Sintomas e sinais visíveis

Maior parte dos cães apresenta uma desorientação súbita, desequilíbrio, head tilt (inclinação da cabeça para um lado) e nistagmos (movimentos oculares involuntários e pendulares). Eles acabam por ter relutância em andar, e os tutores acabam sempre por descrever que “o meu cão está inquieto”. Com o head tilt acabam por se desequilibrar para o lado da inclinação da cabeça.

Como distinguir a doença vestibular periférica da central

Esta distinção é fundamental para se obter um diagnóstico correcto e para ajudar a descartar / revelar patologias subjacentes. Regra geral, a diferenciação é realizada verificando-se se há ausência ou diminuição de reação postural, alteração no nível de consciência (sonolência), nistagmo vertical, entre outras alterações neurológicas correspondentes a lesões em nervos cranianos. Caso algumas destas alterações se verifiquem – temos um diagnóstico presuntivo de Síndrome Vestibular Central, caso contrário – S. V. Periférico.21

Causas do síndrome vestibular nos cães

Algumas causas desta síndrome incluem:

  • Otites médias / internas
  • Fármacos ototóxicos
  • Trauma
  • Tumores
  • Hipotiroidismo
  • Idiopático – Quando não há causa aparente, também designado de Síndrome Vestibular Geriátrica Canina – e é caracterizada tanto por um rápido aparecimento, como uma melhoria praticamente sem intervenção médica nenhuma.

Tratamento recomendado e prognóstico

O tratamento é dirigido à causa da Síndrome Vestibular, se tiver sido identificada. Na maior parte dos casos, terapia de suporte é instituída e a hospitalização é necessária, até o cão conseguir comer e andar por ele. O seu Médico Veterinário habitual realizará um plano de tratamento a seguir.

O prognóstico varia consoante a causa. No entanto, maior parte das síndromes vestibulares têm sinais clínicos apenas durante 24 a 48 horas. Ao fim de 72h já se começa a ver melhorias significativas 😊 O head tilt é o sinal clínico que mais tempo demora a desaparecer, e muitas vezes acaba por ficar como “consequência”

Caso o seu patudo apresente algum destes sinais – entre logo em contacto com o seu Médico Veteinário habitual!

 

Ana Pinto

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Líquido sinovial, osso e cartilagem

As articulações são as zonas de junção entre os ossos e são constituídas por elementos como cartilagem, tecido sinovial, líquido sinovial, entre outros. Podem estar associadas ou não a movimentos.

  • Cartilagem: localizada nas extremidades dos ossos que constituem as articulações, protege-os dos choques, permitindo que se façam movimentos. É composta por colagénio (tecido fibroso), água e proteoglicanos (glucosamina e condroitína).
  • Líquido e tecido sinovial: os tecidos sinoviais envolvem a cápsula articular e produzem o líquido sinovial. Este líquido tem poucas proteínas e poucas células e é viscoso graças ao ácido hialurónico presente na sua composição. As suas principais funções são proteger a articulação dos atritos e nutrir a cartilagem.

O líquido sinovial pode ser recolhido e analisado quando há suspeita de patologias. Pode ser aconselhado em situações de inflamação de uma ou várias articulações com acumulação de outros sinais sistémicos como febre ou até em situações crónicas após exames como radiografia ou TC (tomografia computorizada).

A importância da alimentação com componente como os condroprotetores (glucosamina e condroitína) prende-se com o facto destes serem parte importante das articulações: previnem o desgaste da cartilagem.

A dor articular associada a inflamações agudas (artrites) ou crónicas é muito comum nos nossos cães e pode intensificar-se com a idade e em temperaturas mais baixas. Se notar que o seu cão tem algum sinal de dor ou desconforto ao andar ou a apoiar os membros no chão, deve contactar o seu médico veterinário habitual.

Joana Silva

Médica Veterinária

Heterocromia: quando o seu cão tem um olho de cada cor

O que é a heterocromia?

A heterocromia é o nome dado à alteração da coloração dos olhos. A coloração da íris é dada por deposição da melanina e a heterocromia acontece quando há um excesso ou falta de melanina. A heterocromia pode ser total quando um olho tem uma cor e o outro olho tem outra, ou parcial quando o mesmo olho tem cores diferentes. Embora se possa pensar o contrário, a heterocromia não afeta a acuidade visual.

Causas da heterocromia

Normalmente a heterocromia canina é hereditária e congénita, ou seja, é uma condição genética transmitida pelos pais e o cão já nasce com esta alteração. Pode também ser adquirida, ou seja, surgir na vida após lesões traumáticas, patologias como uveíte, glaucoma ou situações tumorais.

Sintomas e sinais de heterocromia

O principal sinal observado nos cães com heterocromia é o olho de cada cor ou o mesmo olho ter mais que uma cor. Pode ser observado em cachorro caso seja uma condição hereditária ou em adulto após alguma patologia e, neste último caso, irão ocorrer outros sinais também secundários à causa.

Raças com tendência à heterocromia

A heterocromia total canina acontece mais em algumas raças como é o caso do Husky Siberiano, Dálmata e Pastor Australiano e a heterocromia parcial canina é mais comum em raças como o Border Collie e o Dogue Alemão.

Quando hereditária e congénita, a heterocromia não passa de uma característica do animal, sem trazer consequências para a saúde. Se, pelo contrário, notar alteração na cor dos olhos do seu cão ao longo da sua vida, esta situação deve ser vista pelo médico veterinário habitual a fim de se perceber a causa.

Joana Silva

Médica Veterinária