Alimentação para cães com diarreia crónica

Alimentação para cães com diarreia crónica

O que se entende por patologia intestinal crónica?

Qualquer patologia intestinal com tendência à recidiva pode ser descrita como sendo uma patologia intestinal crónica. As mais comuns são de caráter inflamatório ou neoplásico.

 

Como saber se um cão tem patologia crónica?

O principal sinal clínico que um cão com patologia intestinal manifesta é a diarreia (líquida ou pastosa), que pode vir acompanhada ou não de outros sinais clínicos (consoante a zona intestinal afetada e o tipo de patologia em questão) – vómitos, perda de peso, tenesmo (dificuldade em defecar). A diarreia pode ainda variar na forma, consistência e cor.

Regra geral, os animais que sofrem de patologia intestinal crónica já foram vistos várias vezes por veterinários por diarreias recidivantes e já foi realizado um diagnóstico definitivo. O controlo veterinário regular deve ser mantido.

 

Porque é importante a dieta?

Um animal com uma patologia intestinal crónica tem, à partida, um intestino sensível que necessita de dieta especial. Nem todos os animais com patologia respondem de igual forma à mesma dieta. Na maioria das vezes, para além do estudo aprofundado do tipo de patologia em questão e consequente introdução da dieta mais indicada par o caso, é necessário experimentar várias dietas até descobrir aquela que o animal tolera melhor.

 

Que tipos de dieta podem ser fornecidos?

É importante que uma dieta para uma alteração gastrointestinal cumpra os seguintes pontos (sendo estes pontos variáveis consoante a causa inicial de diarreia):

  • Dieta nutricionalmente equilibrada e com uma qualidade nutricional boa;
  • Com proteína facilmente digestível (com origem no frango e no ovo);
  • Baixa em gordura;
  • Com fibras prebióticas e probióticas que ajudam na manutenção da microflora gastrointestinal benéfica;
  • Com inclusão de ácidos gordos essenciais EPA e DHA, que atuam como antiinflamatórios intestinais “naturais”.

A necessidade de fibras em termos de quantidade e tipo (solúveis e insolúveis) irá depender da doença intestinal em questão e qual o local do intestino que está afetado. Como tal, poderá variar caso a caso.

 

É possível estabilizar os sinais clínicos apenas com maneio alimentar?

Sim. É a solução ideal para todos os donos e médicos veterinários. Em muitos casos é possível manter um animal com história de diarreia crónica sem sinais clínicos apenas com o maneio dietético. Em alguns casos é necessário juntar medicação que pode, dependendo do caso, ser prolongada no tempo.

Veja aqui outras causas de diarreia.

Daniela Leal
Médica Veterinária de Animais de Companhia

Como fazer a troca de ração?

Como fazer a troca de ração?

Transição/Mudança de ração

A transição de uma ração para a outra deve ser feita de forma gradual, durante um período de 5 a 7 dias.

 

Porquê mudar de ração?

A mudança de ração é necessária ao longo do crescimento. A transição de ração de júnior para ração de adulto e a transição desta para uma ração sénior são transições praticamente obrigatórias. A primeira deve ser feita por volta do primeiro ano de vida e a segunda por volta dos 10 anos, dependendo do estado de saúde do animal.

Fora estas transições, e durante a vida adulta, desde que saudável, o animal não necessita de mudar de ração regularmente. A mudança deve sempre ser feita se o objetivo for a transição para uma ração de melhor qualidade.

 

Como fazer a transição de ração?

A transição deve ser feita de forma gradual. Inicialmente deve-se colocar ¾ da ração que vai ser descontinuada juntamente com ¼ da nova ração. Ao longo dos dias a quantidade da nova ração deve ir aumentado e a quantidade da ração que vai ser descontinuada deve ir reduzindo.

As rações contêm diferentes quantidades de energia por grama e a quantidade fornecida diariamente a cada animal vai variar consoante a ração em questão. Contudo, durante a transição pode optar-se por fornecer a quantidade diária em gramas correspondente à ração para a qual se vai mudar.

 

A que sinais clínicos prestar atenção durante a mudança de ração?

Distúrbios gastrointestinais são os mais frequentes. Vómitos e diminuição da consistência das fezes podem ocorrer. O sistema gastrointestinal dos cães adapta-se estritamente a uma ração e aos componentes presentes na mesma, pelo que alterações na digestibilidade são frequentes durante a mudança. Se os sintomas persistirem deve ser consultado o Médico Veterinário. Repositores da flora intestinal podem ser necessários caso a transição da ração tenha causado sinais clínicos.

Daniela Leal
Médica Veterinária de Animais de Companhia

Quais as vantagens do óleo de salmão?

Quais as vantagens do óleo de salmão para o cão?

O óleo de salmão é especialmente rico em ácidos gordos ómega-3. Os benefícios dos ácidos gordos ómega-3 provêm essencialmente do ácido eicosapentaenóico (EPA) e do ácido docosahexanóico (DHA), que desempenham propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e de estimulação do sistema imunitário.

Os ácidos gordos devem fazer parte da alimentação do animal. Idealmente, as rações deviam conter uma boa quantidade tanto de fontes de ómega-3 como ómega-6. Os óleos de peixes (como o atum e salmão) e de algas incorporados na ração aumentam a quantidade de ómega-3, enquanto que os óleos de soja, linhaça, girassol e milho enriquecem a dieta com ómega-6.

 

A necessidade de suplementação aumenta nas seguintes situações:

  • Problemas dermatológicos: A pele é formada por estrato córneo lipídico, do qual as ceramidas fazem parte. Os ácidos gordos essenciais são componentes importantes das ceramidas, daí ajudarem a reforçar a barreira cutânea;
  • Em animais velhos, com disfunção cognitiva: Graças aos seus efeitos antioxidantes, é utilizado como suplemento em concentrações elevadas de forma a ajudar a atrasar o desenvolvimento de patologias do foro cognitivo (que estão associadas a degeneração do tecido cerebral) em cães velhos. Contudo a sua eficácia não está completamente provada;
  • Cães com patologia cardíaca: Alguns estudos provam a eficácia dos ómega-3 como possuindo um efeito antiarrítmico. Para além disso ajuda a aumentar o apetite em cães com patologia cardíaca avançada, bem como a diminuir a perda de massa muscular, resultado da doença cardíaca;
  • Como coadjuvantes de suplementos articulares em cães com patologia ortopédica: Quanto maiores forem os níveis de EPA e DHA na dieta, menores os percursores de anti-inflamatórios “mais potentes” que se formam como resposta à doença ortopédica, diminuindo assim a agressão às articulações e reduzindo a ocorrência de artrites.

 

Daniela Leal
Médica Veterinária de animais de companhia

O meu cão é sénior. Que ração devo escolher?

Barkyn - o meu cão é senior, que alimentação lhe posso dar

Quando considerar que um cão atingiu a idade sénior?

A idade em que um cão é considerado sénior/geriátrico é variável, dependendo da raça em questão. Um cão pode ser considerado sénior na altura em que já viveu aproximadamente 75% do tempo face à esperança média de vida para o tipo de cão em questão – cães de raças gigantes têm uma esperança média de vida menor em comparação com cães de raça pequena.
Em média, um cão é considerado sénior a partir dos 8 anos de idade.

 

Quais as patologias que aparecem com mais frequência na idade sénior?

Osteoartrite, disfunção cognitiva, doença renal crónica, neoplasia.

 

Pontos importantes na dieta de cães sénior

  • Cães com idade sénior têm necessidades nutricionais diferentes de cães jovens e adultos e, portanto, a alimentação deve ser ajustada a essas necessidades.
  • Os requerimentos energéticos diminuem com o avanço da idade, mas a quantidade de proteína incorporada deve aumentar. Para além disso, há maneios nutricionais que podem ser ajustados para conseguir retardar o aparecimento de patologias que previamente se sabe que aparecem frequentemente com o avanço da idade.
  • Cães em idade sénior não devem engordar e, ao mesmo tempo, não devem perder massa muscular magra. A obesidade em cães mais velhos promove o desgaste das articulações e coloca o organismo em stress oxidativo. Dietas com requerimento energético menor mas com uma percentagem proteica maior, baixas em gordura e com uma boa incorporação de fibra podem ajudar.

 

Qual a composição que um dono deve procurar para encontrar a dieta ideal?

Cães sénior necessitam de dietas com mais proteína (de qualidade nutricional elevada) comparativamente a cães adultos. A incorporação de ácidos gordos ómega-3 e de componentes antioxidantes (vitamina C e E, L-carnitina e inclusão de frutas e legumes), embora não esteja comprovado que diminua significativamente os processos degenerativos que aparecem com o aumentar da idade, podem ajudar a atrasar a sua progressão e a aumentar a capacidade cognitiva.

Também a incorporação de condroprotetores (glucosamina e condroitina) é importante na alimentação sénior, por trazerem benefícios na proteção articular. A atuação  destes dois suplementos é potenciada pela incorporação de ácidos gordos ómega-3 na dieta.

 

É necessário aconselhamento técnico veterinário?

É ideal ter sempre aconselhamento veterinário, principalmente em questões tão subjetivas quanto esta.

A idade sénior não é estática e varia de animal para animal, consoante o seu estado clínico e fisiológico e a esperança média de vida – perante isso, convém ser o veterinário a indicar a altura correta para a mudança da alimentação.

Daniela Leal
Médica Veterinária de Animais de Companhia

Que alimentos não devo dar ao meu cão?

Oferecer outro tipo de alimentos fora das refeições (como se fossem snacks) pode causar distúrbios gastrointestinais.

Para além dos distúrbios provocados por mudanças na dieta, existem reações alérgicas ou tóxicas que são provocadas por alguns alimentos que não são tolerados pelo organismo do cão e, como tal, não lhe devem ser fornecidos.

 

Alimentos tóxicos para o cão:

  • Abacate: Pode provocar intoxicação se ingerido em quantidade;
  • Bebidas alcoólicas: Pequenas quantidades de álcool ingeridas por cães podem causar alterações a nível do sistema nervoso central. Os sinais típicos são incoordenação motora, vómitos e aumento da frequência respiratória;
  • Café e chá: A cafeína e a teofilina não são bem toleradas pelo cão, induzindo aumentos da frequência cardíaca e alterações a nível do sistema nervoso central;
  • Chocolate: Contém teobromina, substância intolerada pelos cães. O consumo de chocolate pode provocar alterações a nível cardíaco e a nível do sistema nervoso central, podendo causar convulsões e paragens cardíacas. Vómitos e diarreias podem ocorrer;
  • Cogumelos: Causam intoxicação se ingeridas as espécies venenosas. Dor abdominal e danos hepáticos e renais são os sinais mais frequentes;
  • Cozinhados com alho e cebola: Quer no seu estado cru quer utilizados em cozinhados, o alho e a cebola não são bem tolerados pelos cães, causando anemias severas;
  • Frutos secos: Podem causar vómitos, diarreias e pancreatite; 
  • Cítricos: Pela acidez que contêm não são recomendados, podendo causar distúrbios sobretudo a nível gástrico;
  • Lacticínios: Os cães não digerem bem a lactose e, como tal, a ingestão de lacticínios pode provocar vómitos e diarreias;
  • Uvas: Não são bem toleradas pelo seu potencial nefrotóxico (causam insuficiência renal);
  • Xilitol: O xilitol, muito utilizado nos doces, provoca hipoglicemia e falha hepática. Vómitos e falta de força para caminhar podem ocorrer em cães intoxicados por este componente.

 

Tratamento de intoxicações:

A ocorrência de intoxicação pela ingestão de qualquer um dos alimentos mencionados depende sempre da quantidade ingerida e do peso do cão em questão. Contudo, quando um alimento que possui risco de causar intoxicação é ingerido em grande quantidade, o vómito deve ser induzido de imediato e o animal deve ser levado ao veterinário.
Caso não seja possível fazer o cão vomitar logo após a ingestão do tóxico, o internamento com fluidoterapia e tratamento de suporte pode ser necessário para ajudar o organismo a eliminar o composto, diminuindo as probabilidades de intoxicação e dano orgânico.

 

E o resto dos alimentos? São seguros?

A ingestão de grande quantidade de alimentos fora das refeições, ainda que não sejam alimentos potencialmente tóxicos, pode ser contraproducente e causar alterações orgânicas indesejáveis e diminuir a absorção intestinal de nutrientes essenciais.

Daniela Leal
Médica Veterinária de Animais de Companhia