Devo dar ao meu cão alimentos húmidos?

Alimentos completos e alimentos complementares

É importante distinguir estes dois tipos de alimento húmido, pois um pode ser oferecido em exclusivo e o outro não.

Os alimentos completos, como o nome indica, podem ser utilizados como único alimento da dieta do seu cão, pois fornecem todos os nutrientes que ele necessita para ser saudável.

Pelo contrário, os alimentos complementares, servem para complementar uma dieta equilibrada (por exemplo, ração seca, de qualidade) e não devem ser a base da sua alimentação.

É possível alimentar o seu cão apenas com alimentos húmidos completos. Poderá ler sobre as vantagens e desvantagens deste regime alimentar aqui.

Quando adicionar alimentos húmidos à dieta do meu cão?

  • Fase de desmame
  • Transição de uma dieta caseira para ração seca
  • Aumentar a palatibilidade e ingestão voluntária de alimento (animais em convalescença, cães sénior ou com paladar mais exigente)
  • Aumentar a quantidade de água ingerida, aumentando a hidratação (animais sénior, com patologia urinária e/ou renal)
  • Criar pastas para brinquedos dispensadores de comida (Kong)

Que alimentos húmidos existem?

  • Latinhas
  • Saquetas
  • Barkyn flavours

Na nossa loja pode encontrar uma grande variedade destes produtos!

Que quantidade devo adicionar?

No caso de animais saudáveis, em que incorporamos a comida húmida na sua dieta, como um “extra”, devemos reger-nos pela regra dos 10%.

A quantidade de comida húmida que devemos adicionar não deve exceder 10% das calorias diárias ingeridas. Esta regra é válida para qualquer “extra” que queiramos adicionar à alimentação dos nossos cães. Deste modo evitamos que comecem a ganhar peso!

No caso de patologias específicas, as quantidades podem variar e pode ser até aconselhada uma alimentação exclusivamente húmida. Nesses casos, o melhor a fazer é aconselhar-se junto do seu Médico Veterinário assistente sobre a melhor opção para o seu cão.

Inês Carvalho
Médica Veterinária

Os cães podem comer iogurte?

Benefícios do iogurte

  • Elevado teor em cálcio
  • Fonte de proteína de elevado valor biológico
  • Contêm “bactérias boas” para o intestino
  • Baixo teor em lactose, quando comparado com outros alimentos como, por exemplo, o leite de vaca
  • Fonte de vitaminas A, D e complexo B

Que tipo de iogurte é seguro e saudável para os cães?

O iogurte ideal para os nossos amigos de 4 patas é o iogurte grego natural (não aromatizado, sem adição de açúcar ou adoçantes artificiais, pois são prejudiciais à saúde dos cães e alguns são tóxicos, como o xilitol).

Este iogurte, apesar de ter maior teor calórico e lipídico (gorduras), é aquele que apresenta menor quantidade de lactose, o principal hidrato de carbono do leite, responsável por reações gastrointestinais em indivíduos intolerantes.

Assim, no caso de animais que tenham, por qualquer motivo, de ter uma dieta com níveis de gordura controlados, deverá optar-se por iogurte grego natural magro.

Os cães podem ser intolerantes à lactose?

Sim, tal como as pessoas, os animais de companhia podem ser intolerantes à lactose, essencialmente por hipolactasia (diminuição da quantidade de enzima lactase presente no organismo).

O meu cão é intolerante à lactose, pode comer iogurte?

Dependendo do grau de intolerância é possível que alguns cães intolerantes possam comer iogurte como snack de vez em quando, preferencialmente iogurte grego natural ou iogurte natural sem lactose.

No entanto, nestes casos específicos, o melhor é sempre consultar o seu Médico Veterinário assistente.

Se o seu “cãopanheiro” não puder ser recompensado com iogurte, não se preocupe, há uma série de outros alimentos que poderá incluir na sua dieta!

Inês Carvalho
Médica Veterinária

Um caldo caseiro para o seu cão

Ingredientes:

  • 2 coxas de frango inteiras;
  • 1/2 chávena de chá de cenoura partida às rodelas;
  • 1/3 chávena de chá de aipo partido em pequenos pedaços;
  • 1 chávena de chá de abóbora (conheça os benefícios deste alimento);
  • 1 chávena de chá de batata doce partida em pedaços grandes;
  • 2 ramos de salsa;
  • 1 colher de chá de Bovril (opcional, para cães com apetite mais caprichoso);
  • 1 colher de sobremesa de vinagre de sidra;
  • Água;
  • Pode, igualmente, colocar moelas, fígado, coração e/ou rins do frango.

Modo de preparação:

  • Lave previamente com água os vegetais e a batata doce;
  • Numa panela, junte as coxas de frango inteiras, a cenoura, o aipo, a abóbora, as folhas de salsa e a batata doce;
  • Encha a panela com água até cobrir por completo os ingredientes;
  • Aqueça até atingir a temperatura de ebulição e, posteriormente, deixe cozinhar em lume brando por 25 minutos;
  • Remova os ossos e descarte. Atenção que os ossos podem ser perigosos para os cães, descarte e tenha cuidado para que o seu amigo não os consiga apanhar do saco do lixo;
  • Coloque a carne, sem os ossos, de volta na panela com os restantes ingredientes cozinhados;
  • Adicione uma colher de sobremesa de vinagre de sidra;
  • Deixe arrefecer um pouco e está pronto a servir!

As quantidades sugeridas são para um cão de porte médio, ajuste as quantidades consoante o porte do seu animal.

Tenha em atenção que se trata de uma sugestão para oferecer como mimo esporádico. Não deve oferecer em detrimento da ração, pois não cobre as necessidades nutricionais diárias. Se desejar introduzir uma alimentação caseira com a ração, consulte o seu médico veterinário de forma a formular uma alimentação equilibrada.

Consulte aqui outros alimentos que pode e não pode oferecer ao seu animal de estimação e as nossas sopas disponíveis na nossa loja online.

Sílvia Honrado

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Fazer a transição de alimentação caseira para ração

Se o seu cãozinho está habituado a uma alimentação exclusiva ou maioritariamente caseira, será de esperar que a aceitação de uma dieta comercial seja mais difícil, mas não impossível! Tem que ter em conta que lhe está a alterar uma rotina e a oferecer um alimento com sabor, textura e cheiro diferente. Há que se considerar, igualmente, que cada animal tem pequenas variações em termos de paladar e consequentes preferências  alimentares.

Algumas dicas para efectuar esta transição:

  • Existe uma grande variedade de marcas de alimento comercial para cães disponíveis no mercado. Na escolha da ração tenha em consideração:
    • Idade – existem gamas específicas para as diversas fases de vida – cachorro, adulto, adulto maduro/mature e sénior;
    • Porte – dependendo do porte do animal (pequeno, médio, grande, muito grande/gigante) as rações variam nos tamanhos do grão e na sua formulação;
    • Condições de saúde – há determinadas situações em que é necessária e benéfica uma formulação de nutrientes particulares, nomeadamente em doentes renais, excesso de peso/obesidade, sensibilidades alimentares e dermatológicas e problemas articulares;
    • Necessidades específicas – cadelinhas gestantes/lactantes, animais esterilizados;
    • Sabor – escolha uma ração em que o sabor seja de um alimento que o seu animal goste mais e que esteja mais familiarizado.
  • A transição tem que ser sempre gradual. A alteração brusca da dieta pode provocar alterações no trato gastrointestinal e, consecutivamente, possíveis cólicas e diarreias. A alteração progressiva não só diminui a probabilidade de isto acontecer, como, também, ajuda numa maior aceitação do novo alimento:
    • 1ª semana: misture 1/4 (25%) de ração com 3/4 (75%) da dieta caseira habitual;
    • 2ª semana: misture 50% ração com 50% dieta caseira;
    • 3ª semana: misture 75% ração com 25% dieta caseira;
    • 4ª semana: comece a oferecer apenas a ração.

O tempo que cada animal leva a aceitar a nova dieta é muito variável, pelo que deverá adaptar para cada caso. Por exemplo, se verificar que a transição da 1ª semana ainda está a ser feita com relutância, pode prolongar o tempo da mesma.

  • Misturar a ração com água morna: intensifica o cheiro, o que pode tornar mais apetecível, e amolece a ração, assemelhando-se mais à textura de uma dieta caseira;
  • Misturar a ração com alimento comercial húmido (latas e saquetas), Barkyn Flavourarroz ou carne e a respectiva água de cozedura.

Se optar por misturar a ração com outro alimento, pergunte a um médico veterinário como o deve fazer, de forma a não exceder as quantidades recomendadas de calorias diárias e, consequentemente, aumento gradual do peso corporal do seu animal.

 

Sílvia Honrado

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Ossos Crus vs. Ossos pré-cozinhados

Saúde oral

A manutenção da saúde oral é um dos principais pilares da saúde geral do seu cão. Para o fazer existem várias opções, sendo uma delas o fornecimento de ossos crus ou cozinhados aos cães.

Potenciais benefícios

Um dos principais benefícios desta prática é a estimulação da mastigação. Teoricamente, ao estimular a mastigação e, consequentemente a salivação, é criado um ambiente oral ótimo para a proliferação de microbiota “boa”, diminuindo a acumulação de tártaro e mau hálito.

Potenciais riscos da inclusão de ossos na alimentação

  • Obstruções (no pós boca – “garganta”, esófago, estômago, intestinos ou recto)
  • Perfurações e lacerações
  • Dentes partidos
  • Gastroenterites (por exemplo, por Salmonella spp. ou E. coli, presentes em ossos crus)

Se, por um lado, os ossos cozinhados são mais fáceis de digerir e eliminam o risco de contaminação por agentes patogénicos causadores de gastroenterites, por outro também  partem mais facilmente, podendo dar origem a farpas de osso. Estes fragmentos afiados facilmente causam lacerações orais ou perfurações gastrointestinais, sendo as últimas uma emergência potencialmente causadora da morte do animal.

Conclusão

Há que pesar os riscos vs benefícios para cada cão e compreender as potenciais consequências da ingestão de ossos. No geral, esta prática não é recomendada, por não ser considerada suficientemente segura.

Se, ainda assim, optar por dar ossos aos seus cães, faça-o apenas quando os puder vigiar, impedindo que engulam fragmentos de osso.

Tome precauções para evitar a contaminação por agentes patogénicos, tais como: lavar bem as mãos após contacto com os ossos e descartar qualquer osso no espaço de 24h da sua utilização.

Alternativas

A Veterinary Oral Health Council (VOHC) mantém uma lista atualizada dos produtos aceites para a promoção e manutenção da saúde oral dos nossos pacientes caninos e felinos.

Estudos indicam que a escovagem diária dos dentes é o método mais eficaz para diminuir a acumulação de tártaro, sendo até 3 vezes mais eficaz que um snack dental diário.

Alguns cães satisfazem também a necessidade de roer utilizando brinquedos próprios para o efeito. Pode encontrar algumas opções na nossa loja online!

Inês Carvalho
Médica Veterinária

Dieta vegetariana para o meu cão: prós e contras

Sendo uma espécie maioritariamente carnívora, até que ponto é éticamente correto alterar/restringir a sua alimentação a uma dieta vegetal?

Este é um dilema ético e muito se tem falado dele atualmente. No entanto, objetivo deste artigo não é discuti-lo mas sim apresentar informação científica sobre os prós e contras deste tipo de dietas.

Os cães são considerados carnívoros, mas ao longo da sua evolução, junto do Homem, desenvolveram a capacidade de digerir e assimilar nutrientes a também a partir de fontes vegetais. No entanto isso não faz deles herbívoros, não têm as características digestivas necessárias a digerir de forma tão eficiente fontes vegetais.

Assim, apesar de não ser o seu comportamento/escolha natural, os cães adultos saudáveis podem ter uma dieta de base vegetal, desde que esta seja equilibrada e cubra todos os requisitos nutricionais conhecidos.

Dietas comerciais ou caseiras?

Sendo uma tendência de mercado, muitas empresas estão a tentar explorar este nicho, sendo várias as marcas que estão a apostar em linhas vegetarianas/veganas. Multiplicam-se também as receitas caseiras, muitas vezes formuladas por curiosos ou profissionais sem formação adequada.

Estas dietas são mais difíceis de formular e equilibrar, de modo a garantir que todos os requisitos são cumpridos, sendo também mais fácil falhar e causar desequilíbrios e deficiências nutricionais…

Um estudo norte americano demonstrou, 25% das rações comerciais vegetarianas/vegan disponíveis no mercado não cumpriam os requisitos de aminoácidos essenciais da Association of American Feed Control Officials (AAFCO) nem as directrizes da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA). Estas dietas não são consideradas seguras ou adequadas e têm o potencial de causar problemas de saúde graves, como cardiomiopatia dilatada.

Pelo contrário, as dietas de prescrição veterinária, de base vegetal, investigadas, cumprem todos os requisitos de formulação e rotulagem, além de não apresentarem contaminação com DNA de mamífero, ao contrário de metade das rações vegetarianas/veganas de outras marcas.

Da mesma forma, as dietas caseiras formuladas por Médicos Veterinários Especialistas em Nutrição e adaptadas a cada indivíduo também não apresentam problemas e eliminam o potencial de contaminação, pois o tutor tem controlo absoluto sobre a sua produção.

Assim, se forem equilibradas e cumprirem todos os requisitos nutricionais, ambas as opções são válidas!

Prós

Contras

  • Geralmente não adequadas para cães em crescimento (devido às necessidades específicas em alguns aminoácidos), cadelas grávidas ou em lactação.
  • Menor digestibilidade, quando comparadas com dietas “carnívoras”.
  • Segundo os estudos actualmente disponíveis, apenas duas marcas possuem dietas comerciais vegetais que cobrem adequadamente os requisitos nutricionais dos cães adultos – Purina e Royal Canin.
  • Se, por motivos éticos, os tutores permitirem a inclusão de ovos na dieta, existe mais uma opção adequada, de outra marca, disponível no mercado.
  • Apenas uma dieta comercial é, atualmente, considerada correta para cães em crescimento.
  • Menor palatiblidade
  • Preço

Aconselhamento Médico-Veterinário

Se optar por alimentar o seu cão com uma dieta vegetariana/vegana, não descure os check-ups veterinários e análises sanguíneas (hemograma, bioquímicas gerais, doseamento de B12, folatos e aminoácidos essenciais) a cada 6-12 meses, para identificar e corrigir eventuais deficiências nutricionais ou problemas de saúde, que possam surgir, a elas associados como anemia e cardiomiopatias.

Inês Carvalho
Médica Veterinária

O que é uma ração hipoalergénica?

Tal como a própria palavra indica, uma dieta hipoalergénica é aquela que tem menor probabilidade de causar alergia.

Ora, esta definição é muito abrangente. Se um animal for alérgico a carne de vaca, uma ração de salmão (por exemplo) será hipoalergénica. O mesmo já não será verdade para outro cão, alérgico a salmão.

Assim, importa distinguir as várias opções “hipoalergénicas” que existem:

  • Dieta com fontes de proteína e carbohidratos limitadas

    – quanto menos ingredientes potencialmente alergénicos uma dieta contiver, mais fácil se torna identificar quais os verdadeiros responsáveis pelos sinais clínicos.

  • Dieta com uma nova fonte de proteína

    – recorrendo a fontes de proteína que nunca tenham sido ingeridas pelo animal, diminuímos a probabilidade do sistema imunitário estar sensibilizado para as mesmas, diminuindo a probabilidade de uma reação.

  • Dieta com proteína hidrolisada

    – estas dietas de prescrição veterinária são produzidas sob condições controladas. Normalmente são as primeiras a serem produzidas após limpeza da linha de produção (para evitar contaminações e vestígios de ingredientes indesejados) e as proteínas que contêm sofrem um processamento especial, que as parte em pedacinhos tão pequenos que o sistema imunitário não as consegue reconhecer!

Destas 3 opções “hipoalergénicas” a única que deve ser utilizada para uma dieta de eliminação (parte do processo de diagnóstico de alergias alimentares) é a dieta com proteína hidrolisada. Isto deve-se ao rigoroso processo de produção a que é sujeita, ao contrário das outras opções.

Alguns animais têm um apetite extremamente caprichoso e, nesses casos, poderá ser vantajoso recorrer a uma dieta de eliminação caseira, nutricionalmente equilibrada por um Médico Veterinário com formação apropriada, utilizando uma lista de ingredientes restrita e uma nova fonte de proteína.

Por fim, se nenhuma das opções anteriores for viável, poderá ser escolhida uma dieta com nova fonte de proteína e lista de ingredientes o mais limitada possível, mantendo em mente que será a opção com menor probabilidade de sucesso.

A opção deverá ser tomada em conjunto com o seu Médico Veterinário, que o aconselhará qual a melhor opção para o caso do seu animal, tendo em conta não só a história e sinais clínicos mas também a história nutricional.

Inês Carvalho
Médica Veterinária

Devo procurar uma ração específica para a raça do meu cão?

O que é uma raça?

Uma raça é um conjunto de indivíduos, da mesma espécie, com características genotípicas e fenotípicas semelhantes. No fundo, que se parecem entre si e correspondem a um determinado padrão. Isto é conseguido, maioritariamente, através de cruzamentos entre indivíduos da mesma raça. Estes cruzamentos produzem indivíduos com as características desejadas mas, ao longo do tempo, vão diminuindo a diversidade genética da população e predispondo ao aparecimento de algumas doenças.

Doenças específicas da raça?

Embora não existam doenças exclusivas de determinadas raças, sabemos que há maior incidência de algumas patologias em cada raça. Por exemplo, maior incidência de patologia articular em Pastores Alemães, de atopia em Bulldogs Franceses e obesidade em Labradores Retriever, quando comparados com outras raças.

Porquê rações específicas para as raças?

Não existe evidência científica que demonstre que diferentes raças têm efetivamente necessidades nutricionais distintas.

No entanto, sabendo as características e doenças mais frequentes de cada raça, é possível suplementar e desenhar a fórmula das rações para dar mais suporte às áreas tipicamente mais frágeis (seja pele, digestão, articulações, manutenção de peso, etc) numa óptica preventiva.

As rações adaptas à raça, têm também a vantagem de um tamanho e forma de grão perfeitamente ajustado ao porte e tipo de mastigação, favorecendo uma ingestão mais lenta ou uma maior limpexa dos dentes, durante a refeição, por exemplo.

Na nossa loja temos duas marcas com opções para algumas das raças mais populares: a Royal Canin e a Advance.

Todos os cães de raça devem comer ração específica para a sua raça?

A resposta é não.
Qualquer cão, de qualquer raça, pode comer uma ração desenhada “para todas as raças” ou sem raça especificada, desde que cumpram os requisitos nutricionais para o seu estilo e fase da vida e que o cão seja saudável.

Se o seu cão tiver patologias comuns para a raça, deverá equacionar trocar para uma ração específica para a raça ou outra ração que seja aconselhada pelo seu Médico Veterinário para o maneio e controlo da doença em causa.

Felizmente, as opções disponíveis no mercado são muitas, permitindo escolher, para cada animal, a que melhor se adequa às suas necessidades individuais!

Inês Carvalho
Médica Veterinária

Restos de comida que não devo dar ao meu cão

Alimentos tóxicos

Uma das tentações, quando temos restos de comida em casa em excesso, é dá-los aos nossos cães. No entanto, muitos dos pratos que confeccionamos contêm ingredientes que são tóxicos eles.

Cebola e alho

As plantas do género Allium contêm substâncias sulfurosas que podem conduzir a distúrbios gastrointestinais, anemia, alterações neurológicas, dor abdominal e perda de apetite, de forma imediata ou alguns dias após ingestão. Os Akita Inus e os Shiba Inus são especialmente sensíveis a estas plantas.

Uvas e passas

O mecanismo através do qual provocam toxicidade não é ainda totalmente compreendido e as doses que induzem toxicidade não estão estabelecidas. Sabe-se apenas que afetam e comprometem gravemente a função renal. Alguns indivíduos são mais susceptíveis do que outros, pelo que o melhor é não arriscar e não oferecer estes alimentos!

Chocolate

Muito apreciado pela maioria dos humanos, o chocolate contém metilxantinas e cafeína, ambas substâncias tóxicas. Alguns podem conter tembém xilitol (um substituto do açúcar) e álcool. Os sintomas podem variar, estando descritos distúrbios gastrointestinais, alterações do ritmo cardíaco, convulsões e em casos graves morte. Quanto maior a percentagem de cacau, maior a concentração destas substâncias.

Xilitol

É um adoçante presente em alguns produtos “sem açúcar” que, nos cães, conduz à libertação exagerada de insulina, resultando em hipoglicémia grave e, em alguns casos, lesões hepáticas.

Álcool

O álcool (ou etanol) está presente em alguns pratos/alimentos mas também é produto da fermentação do açúcar da fruta ou levedura de massa de pão/pizza não cozinhada. Pode causar alterações neurológicas, hipotermia,  vómitos e desidratação.

Abacate

Tanto o fruto como a árvore são tóxicas para muitos animais, entre eles os cães, devido ao alto teor em persina. Esta pode provocar vómitos, diarreia, dificuldade respiratória e problemas cardíacos. Em casos extremos pode levar à morte. Por isso, nada de dar guacamole aos seus cães!

Outros restos de comida proibidos

Além da toxicidade existem também perigos físicos causados por restos que contenham espinhas de peixe e ossos pequenos/cozinhados. Todos têm potencial de causar obstruções e/ou perfurações gastrointestinais, ambas urgências médicas!

Assim, devemos afastar estes alimentos das taças de comida dos nossos animais e procurar soluções para reaproveitamento dos mesmos ou entrega a organizações que os encaminhem para outros humanos que deles possam desfrutar, em segurança, como a sua Re-food local!

Inês Carvalho
Médica Veterinária

Superalimento para o seu cão: abóbora

Multifunções

A abóbora é um alimento rico em água, fibra, vitaminas e antioxidantes, e pode ser incorporado e misturado com a ração do seu cão, dando um aporte extra destes nutrientes sem adicionar muitas calorias!

A fibra presente na abóbora funciona como pré-biótico, promovendo a saúde do trato gastrointestinal e a proliferação das “bactérias boas” do intestino. O alto teor em água também ajuda a regular a função intestinal e a promover uma hidratação adequada do seu companheiro.

Além disso, por ter um alto teor de fibra e baixo teor de gordura, pode ser também utilizada para melhorar a saciedade, no caso de animais com sobrepeso, que estejam a fazer dieta.

Benefícios chave

  • Alto teor em fibra (saciedade e saúde gastrointestinal)
  • Baixo teor em gordura (adequada para animais em programas de perda de peso ou que estejam a ingerir dietas restritas em gordura)
  • Rica em antioxidantes (beta-carotenos)
  • Rica em vitamina A (importante para a saúde dos olhos e sistema imunitário)

Preparação

A abóbora deve ser cozida ou assada no forno, sem adição de sal ou outras especiarias, até ficar com uma textura suave. A forma mais fácil de a incorporar na dieta é sob a forma de puré!

Também pode optar por utilizar abóbora enlatada, desde que não tenha adição de açúcares, adoçantes ou especiarias, já que podem ser nocivas e até tóxicas para os cães.

Quantidades

Sempre que incorporamos um novo alimento na dieta dos nossos cães, devemos fazê-lo lentamente. Dependendo do tamanho do cão e da sua sensibilidade digestiva, pode começar com 1 colher de chá e aumentar gradualmente até chegar a 1-2 colher(es) de sopa por refeição.

Pergunte ao seu Médico Veterinário!

Estas características poderão ser benéficas para alguns animais que sofram de obstipação, diarreia, ou estejam a tentar perder peso. No entanto, deve sempre consultar o seu Médico Veterinário antes de alterar a dieta do seu cão, para saber se esta é uma opção segura e adequada para o caso específico do seu patudo!

Inês Carvalho
Médica Veterinária