Uma ração de supermercado é boa para o meu cão?

Fase da vida, nível de atividade e porte

É sabido que as necessidades nutricionais dos cães, não só em energia, mas em macro e micronutrientes, variam ao longo da vida, e devem ser respeitadas para os manter o mais saudáveis possível.

Assim, a primeira preocupação deverá ser procurar um alimento adequado à fase da vida em que se encontra o seu companheiro. Simplificando: gravidez/aleitamento, cachorro, adulto (esterilizado ou não) ou sénior.

O porte do cão também é importante, pois raças de crescimento rápido (grandes a gigantes) têm necessidades específicas para o desenvolvimento de articulações e ossos saudáveis, enquanto que as raças pequenas têm mais facilidade em comer rações com grãos pequenos.

Cães de trabalho ou desporto, que pratiquem atividade física regular e intensa, também têm necessidades superiores às de cães mais sedentários, especialmente no que toca à energia (calorias).

Ingredientes e rótulos

Após ter em conta a fase da vida, nível de atividade e o porte do cão, devemos olhar para os rótulos!

Geralmente, para atingir preços mais baixos, alguns fabricantes recorrem a ingredientes mais baratos, tipicamente muito processados e, portanto, de mais baixa qualidade e digestibilidade. Pelo contrário, as rações premium, utilizam tendencialmente ingredientes frescos e o menos processados possível para integrarem as suas rações.

Nos rótulos, os ingredientes estão listados por ordem decrescente, portanto, os ingredientes que estão presentes em maior quantidade aparecem primeiro. Assim, os primeiros ingredientes devem ser fontes de proteína de elevada qualidade e digestibilidade, idealmente de origem animal, tais como carne/peixe frescos, inteiros ou desidratados e não cereais/farinhas/glúten.

Também devemos evitar corantes e conservantes sintéticos, pois ingerir estes compostos diariamente não é saudável.

E o preço, compensa?

Se por um lado o preço por quilograma é mais baixo, quando comparado com rações premium, também é verdade que geralmente os animais terão de ingerir maior quantidade de comida para suprir as suas necessidades. Isto acontece porque a digestibilidade dos ingredientes utilizados é mais baixa e grande parte do que é ingerido não é aproveitado pelo organismo, acabando por ser eliminado nas fezes.

Assim, além de estarmos a nutrir melhor os nossos cães com alimentos de maior qualidade, a longo prazo o gasto vai ser menor porque estamos a promover a sua saúde e uma digestão saudável!

Inês Carvalho 

Médica Veterinária de Animais de Companhia

O meu cão está cansado da ração que come. O que devo fazer?

Porque deixou o meu cão de ter apetite?

Em primeiro lugar deve garantir que o seu cão se encontra saudável e que esta falta de apetite não poderá ser sintoma de doença. Se além da falta de apetite estiver mais prostrado (“triste”), com dor abdominal, com vómitos, diarreia, ou outro sinal clínico, deve ser consultado pelo seu Médico Veterinário.

Deve também certificar-se que a ração está em bom estado de conservação e que não rancificou. Por vezes, sacos de ração mal fechados, ou abertos há mais de 1 mês, podem sofrer alterações que os tornam menos saborosos e inadequados para consumo.

Se ele rejeita a ração, mas está de nariz no ar e olhos pedinchões atrás de todos os humanos que tenham algum alimento diferente, podemos estar perante um cão que se cansou da sua ração, ou que aprendeu que com este comportamento recebe atenção e “snacks” apetitosos e interessantes.

Se o seu cão for o segundo, o mais importante é ser consistente e evitar os extras! Caso contrário ele não terá uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes que precisa, e o comportamento tornar-se-á cada vez mais difícil de alterar.

O que posso fazer para tornar a refeição mais interessante?

  • Misturar água morna, caldo de carne (sem temperos) ou um dos nossos flavours para intensificar o cheiro da refeição;
  • Adicionar uma colher de comida húmida ou caseira (sem temperos), alterando as texturas e cheiros da comida;
  • Alterar a forma como a comida é oferecida, aumentando o desafio mental, através de dispensadores de comida ou jogos de procura (estimulando o olfato)
  • Em último caso, poderá ter de trocar de sabor dentro da mesma marca de ração ou mesmo mudar de marca. Caso seja esta a opção tomada, não se esqueça que a transição para o novo alimento deve ser feita lentamente, ao longo de uma semana, aumentando a quantidade do novo alimento e diminuindo a do antigo.

Se a falta de interesse se prolongar mesmo com estas medidas, deve contactar o seu Médico Veterinário para que este garanta que não existe nenhum motivo clínico para a falta de apetite do seu cão.

Inês Carvalho 

Médica Veterinária de Animais de Companhia 

Frutas para cães: Que cuidados devo ter?

O meu cão precisa de fruta?

Se o seu cão já é alimentado com uma dieta balanceada e tem um bom estado nutricional, alguns tipos de fruta podem funcionar como um snack. Porém, há que ter alguns cuidados que veremos de seguida, tais como o tipo de fruto e o tamanho dos mesmos.

 

Tamanho

Uma questão essencial a considerar será o tamanho da fruta. A cereja, abrunhos ou ameixas, por exemplo, atendendo claro ao tamanho do seu cão, dadas as dimensões do fruto e o facto de terem caroço, quando ingeridas poderão obstruir o esófago ou mesmo causar asfixia.

 

Quantidade

A quantidade é uma questão essencial. Pense no seu cão como uma criança, dependendo do seu tamanho. Se para uma criança de 8Kg, meia maçã é muito, para o seu cão, poderá ser ainda mais. De forma genérica, qualquer outro nutriente extra à nutrição primária do seu cão deverá representar menos de 10% do total de calorias ingeridas. A moderação é a regra, sendo importante ter em atenção que o excesso poderá causar irritação intestinal, diarreia ou aumento do gás intestinal, com outras complicações.

 

Tipo de fruto

Há frutos proibidos e frutos permitidos. Alguns tipos de fruto poderão ser utilizados como uma guloseima, desde que em pequenas quantidades, ao passo que outros poderão ser prejudiciais, quando ingeridos.

Vejamos então quais os frutos mais usuais que poderá ou não oferecer:

 

 

Fruto
Posso oferecer? Quantidade?
Razão
Maçã
Com moderação. 1 a 2 gomos*.
Evitar dar caroços e núcleo, dado conterem arsénio e ácido cianídrico.Fonte de potássio, fibra, flavonoides, fitonutrientes e Vitamina B, C e E.
Bananas
Com moderação. Sem casca.Uma porção de aprox. 3cm*.
Rica em potássio e carbohidratos.
Pêras
Com moderação.Um ou dois cubos*.
Fonte de fibra, ácido fólico, niacina, fósforo, potássio, vitaminas A, C, E, B1 e B2.
Morangos
Com moderação. Meio morango*.
Fonte de fibra, potássio, magnésio, ácido fólico, vitamina C, K, B1 e B6.
Amoras
Com moderação.2 a 3 amoras*.
Fonte de antioxidantes, fibras, manganésio, ómega-3 e vitaminas C, K, A e E.O excesso pode levar a diarreias.
Mirtilos
Com moderação.3 a 4 mirtilos*.
Fonte de antioxidantes, selénio, zinco e ferro, e vitaminas C, A, E e do complexo B.
Framboesa
Com moderação.2 a 3 framboesas*.
Fonte de fibra, antioxidantes, potássio, manganésio, ferro, vitamina C, K e do complexo B.
Pêssego
Com moderação.Um a três pedaços de apróx. 3 cm*
Nunca dar com caroço! Pode provocar obstrução.
Kiwi
Com moderação.Uma fatia*.
Fonte de fibra, potássio e Vitamina C.
Manga
Com moderação
Nunca dar com caroço! Pode provocar obstrução.
Melancia
Com moderação.Um a três pedaços de aprox. 3 cm*.
Fonte de água, vitaminas C, A, potássio e magnésio.
Melão
Com moderação.Um a três pedaços de aprox. 3 cm*.
Fonte de água, vitaminas C, A, cálcio, fósforo, potássio e magnésio.
Meloa
Com moderação.Um pedaço de aprox. 3 cm*.
Contém vitaminas A, do complexo B, C, fibra, potássio, magnésio, tiamina, tiamina, niacina e ácido fólico.
Abóbora
Com moderação.Uma a três porções iguais a uma colher de sopa*.
Fonte de fibra, carotenos, zinco, ferro, potássio e vitamina A.
Ananás
Atenção!Dar em pouca quantidade ou evitar.
Não administrar com casca, dado esta poder causar irritação do sistema gastrointestinal.O ácido pode ser prejudicial.
Laranja/Tangerina
Atenção!Dar em pouca quantidade ou evitar. Se optar por dar, oferecer apenas meio gomo.As grainhas são proibidas!
Mesmo pequenas quantidades podem levar gastrite, pelo teor em ácido cítrico da laranja.Fonte de fibra, potássio, cálcio, ácido fólico, vitaminas A, C, B1 e B6.A Laranjeira e grainhas são tóxicas, dado o componente em óleos essenciais e psoraleno.
Cerejas
Atenção!
Dar em pouca quantidade e retirar sempre os caroços.
Uvas
Proibido!
São tóxicas. Podem levar a diarreia, vómito, letargia, e mesmo a insuficiência renal.
Figos
Proibido!
Contêm ficina, podendo causar reação alérgica.A Figueira pode levar a inflamação cutânea, e pode dar diarreia e vómito quando ingerida.
Côco
Proibido!
Contém açucares que podem levar a desconforto intestinal.
Abacate
Proibido!
Leva a irritação intestinal e possui persina, um tóxico para os cães.

 

*As dosagens são meramente indicativas. Não se esqueça de considerar sempre o tamanho do animal.

 

Tenho árvores de fruta no quintal, e agora?

As árvores e o seu cão poderão continuar a coexistir, mas deverá passar a ter alguns cuidados, como por exemplo apanhar os frutos que apodrecem no chão, apanhar os frutos pequenos que caem. Apesar de a palatibilidade não ser a desejada, alguns cães que tenham por hábito ingerir tudo, poderão brincar com a fruta em início de apodrecimento ou a fruta pequena no solo, sendo assim infetados pelos fungos e bactérias que provocam o apodrecimento, ou mesmo engasgar-se com frutos pequenos.

 

Caso o seu cão tenha algum sinal como apatia, vómito, diarreia, consulte o seu Médico Veterinário, referindo sempre qual a fruta ingerida, bem como a quantidade.

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

6 frutas que os cães podem comer (e quais deve evitar!)

Que frutas posso dar ao meu cão?

Existem várias frutas que são seguras para os cães, estando, inclusive, incluídas na formulação de várias rações, devido ao seu alto teor em vitaminas, minerais, carotenos e fibras. 6 exemplos são: maçã, banana, pêra, pêssego, melancia e manga. Estas frutas deverão ser dadas em pequenos pedaços/ fatias ou mesmo esmagadas. Nos dias quentes, poderão ser congeladas e dadas como um “petisco refrescante e saudável”.

Que cuidados devo ter ao dar estas frutas?

Apesar das 6 frutas acima referidas poderem ser dadas a cães, a verdade é que é preciso ter 2 cuidados principais:

  • Remoção prévia das sementes e caroços: nunca se deverão dar caroços aos cães, pois além do perigo de criarem lesões ao longo do trato gastrointestinal e de poderem causar possíveis obstruções, são também ricos em substâncias potencialmente tóxicas, como é o caso do cianeto.
  • Quantidade fornecida: as frutas são um aporte calórico extra relativamente à ração, sendo bastante ricas em açúcar, o que pode prejudicar a saúde do seu cão, se dadas em excesso. A regra básica, transversal a qualquer “snack”, é que não deverá representar mais de 10% das calorias ingeridas e que estão previstas para o dia.

 

Quais as “frutas proibidas”?

Existem algumas frutas que colocam em risco a saúde dos nossos cães e por isso nunca lhes deverão ser dadas. 2 exemplos são as uvas que podem causar insuficiência renal e o abacate, que contém uma substância chamada persina, que causa vómitos e diarreia. Os citrinos, como a laranja e o limão, apesar de não serem tóxicos, devem ser evitados, pois ao aumentarem a acidez gástrica, podem provocar sinais de inflamação do estômago (gastrite), principalmente em animais mais sensíveis.

 

                                    Tomás Magalhães

Médico Veterinário

 

5 Benefícios surpreendentes do Óleo de côco para os cães

1 – Se misturado com a ração, melhora a hidratação da pele

Pode misturar o óleo de coco em pequenas quantidades na ração. O aporte extra de ácidos gordos dados pelo óleo de coco ajuda a reforçar e hidratar a barreira cutânea.

2 – Ajuda a deixar o pelo mais brilhante

Se colocado em pequenas quantidades no pelo pode deixar o pelo mais brilhante! Contudo, a quantidade utilizada deve ser mínima para que o pelo não fique oleoso.

3 – Tem ação antioxidante

O óleo de coco ajuda a diminuir a produção de radicais livres, quando utilizado em conjunto com a ração.

4- Melhora a palatibilidade da ração

Pode ser uma mais valia misturar um pouco de óleo de coco à ração em cães que não são amantes de ração seca. O óleo de coco vai dar um gosto especial à alimentação do patudo!

5 – Acalma inflamações na pele 

Usado externamente, pode ajudar a acalmar feridas e a hidratar a pele. Em processos inflamatórios cutâneos, em cães alérgicos por exemplo, a colocação de pequenas quantidades de óleo de coco na zona inflamada pode ajudar no alívio dos sinais clínicos cutâneos.

 

Em qualquer um dos casos, misture sempre poucas quantidades de óleo à alimentação! Deve verificar sempre que se trata de óleo de coco 100% natural (sem aditivos nem conservantes adicionados).

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia 

Ração Natural: 4 Benefícios para o seu cão

A FEDIAF (European Pet Food Industry Federation) define que a atribuição de “natural” deve ser entregue aos alimentos e não à ração como um todo.

Nesse caso, podemos considerar como alimentação natural a alimentação caseira ou a alimentação BARF.

Contudo, existem rações que incluem alimentos naturais (não processados previamenente) e que são sujeitos ao processamento físico para obtenção dos grãos de ração.

Que benefícios podem ser encontrados neste tipo de alimentação?

1  – Melhora a saúde no geral, por conter alimentos sem processamento prévio

As rações naturais ou a alimentação BARF incluem alimentos no seu estado natural, sem processamento químico prévio. A alimentação diária à base de ingredientes não processados ajuda na manutenção da saúde no geral, diminuindo a probabilidade do aparecimento de patologias futuras, que se sabe que podem ter como causa a ingestão frequente de produtos processados (como neoplasias).

2 – Pode ajudar cães com alergias ou sensibilidade alimentar 

Em cães com dificuldade em digerir facilmente alguns ingredientes ou cães com alergias a determinadas fontes proteínas, podem beneficiar de uma alimentação natural. O benefício vai depender do problema em questão do patudo e do tipo de ingredientes incluídos na alimentação.

3 – Se falarmos de alimentação BARF, um dos principais benefícios é favorecer a higiene oral 

A alimentação BARF estimula bastante a mastigação e permite a manutenção da higiene oral. Contudo, o grão de algumas rações permite estimular a mastigação de forma a prevenir a acumulação de placa bacteriana.

4 – Graças à qualidade nutricional, deixa a pele hidratada e o pelo brilhante!

A alimentação natural inclui ingredientes de boa qualidade que consequentemente aportam nutrientes importantes para a manutenção da saúde da barreira cutânea. A inclusão de fontes naturais de ácidos gordos ómega-3, como o óleo de salmão,  permite que a alimentação seja uma mais valia para a pele e pelo!

 

Algumas marcas de rações que incluem alimentos naturais na sua composição:

Daniela Leal 

Médica Veterinária

Porque é que os ácidos gordos devem estar incluídos na alimentação de cães com problemas de pele?

Qual o efeito dos ácidos gordos?

Os ácidos gordos, principalmente ómega-3, promovem uma ação anti-inflamatória natural, reduzindo os sinais de dermatite (inflamação cutânea), descamação, alopécia (falhas de pelo) e prurido, que são as alterações mais frequentes em cães com problemas de pele.

Além disso, permitem manter uma barreira cutânea saudável, protegendo a pele da agressão e mantendo-a hidratada.

Esses ácidos gordos estão na ração ou é necessário suplementar?

Rações de boa qualidade e desenhadas para problemas cutâneos são ricas nestes ácidos gordos, pelo que a sua suplementação não é necessária. Destaco em particular, as rações que têm salmão como fonte animal. Contudo, se a ração que o cão estiver a fazer não for a mais adequada ou quando o aporte nestes constituintes tem de ser reforçado existem no mercado produtos que fazem esta suplementação, seja na forma de xarope ou cápsulas.

 

O meu cão tem um problema de pele, devo dar-lhe uma dieta rica nestes ácidos gordos?

Sim, os ácidos gordos deverão fazer parte do tratamento de qualquer patologia de pele. Sabe-se atualmente que doses altas de EPA e de DHA (resultantes da metabolização do ómega-3) têm efeito comprovado no controlo da sintomatologia cutânea. Desta forma, é possível reduzir a necessidade de recorrer a fármacos como corticosteroides ou de, pelo menos, reduzir a sua dose e/ou frequência de utilização. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor forma de incluir estes ácidos gordos no tratamento de pele do seu animal.

 

                                                                                               Tomás Magalhães

Médico Veterinário

O meu cão pode comer ossos?

Porque é que os cães se alimentavam de ossos e de restos?

Antigamente o cão não estava tão domesticado como hoje em dia e não era visto como um membro da família tal qual como agora. Como tal, muitos cães não tinham acesso a uma alimentação selecionada especialmente para eles e acabavam por ser alimentados com ossos e restos de comida. Sem dúvida que esta opção é bastante apetitosa, tendo em conta o sabor, contudo na maioria das vezes não é uma alimentação equilibrada que respeita todas as necessidades nutricionais da espécie.

E hoje em dia?

Hoje em dia sabe-se que a alimentação baseada em ossos e restos de comida não é equilibrada e saudável, sendo que a maioria dos cães já tem a “oportunidade” de se alimentarem corretamente – com ração seca ou alimentação natural.

A ingestão de ossos é prejudicial? Porquê?

  • A ingestão de ossos pelo cão, principalmente ossos de frango ou ossos cozidos, pode ser prejudicial graças ao potencial traumatismo gastrointestinal que pode ser despoletado, uma vez que estes ossos possuem zonas cortantes.
  • Se por um lado os ossos cozinhados podem lascar-se e tornarem-se perigosos, por outro lado ossos crus podem conter risco bacteriológico.
  • Os ossos oferecidos aos cães normalmente provêm de restos de refeições cuja carne sofreu tempero. Os condimentos utilizados podem causar alterações gastrointestinais, podendo provocar vómitos e/ou diarreia.
  • Ainda que não provoquem qualquer alteração física no trato gastrointestinal (traumatismos), a maioria  dos ossos não é de fácil digestão para a maioria dos cães.

Mas existem benefícios na introdução de ossos na alimentação? Quais?

A lavagem dos dentes: esta é a principal vantagem. O ideal é que sejam oferecidos ossos grandes, difíceis de roer, que permitam uma correta higienização mecânica evitando a acumulação de tártaro.

Para além dos benefícios orais, há que salientar que ossos difíceis de roer mantém os cães entretidos durante bastante tempo! Contudo é importante não exagerar na quantidade diária.

A escovagem diária com a utilização de pasta dentífrica é também recomendada para ajudar a manter a boa saúde oral!

Saber diferenciar os ossos!

Os ossos de frango e ossos cozinhados devem ser excluídos. Os ossos maiores e mais duros podem ser oferecidos com cuidado. Os ossos “pré-preparados”, como Alpha Spirit, podem ser a melhor solução e, tendo em conta os benefícios orais, podem ser introduzidos como snacks na alimentação diária.

É importante ter sempre em atenção a sensibilidade intestinal de cada patudo: há animais que não toleram muitos “extras” fora da ração e nestes a oferta deste tipo de “snack” pode ser desaconselhada!

 

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

5 ingredientes naturais que pode misturar com a ração do seu cão

1 – Frango esfiado

Os patudos adoram frango e a inclusão de frango esfiado na refeição (sem ossos e cozido apenas em água) pode ajudar a aumentar o apetite nas horas da refeição e funciona como um extra de proteína diária.

2 – Cenoura cozida

A cenoura é um vegetal saudável para cães, razão pela qual está presente na composição de muitas rações. É fonte de vitaminas e vegetais e a inclusão, em pequenas quantidades, ajuda a reforçar o sistema imunitário do seu patudo!

3 – Brócolos cozidos

Torne o prato ainda mais verde – junte uma mistura de brócolos com cenoura. Os brócolos possuem efeito antioxidante e há quem advogue que ajudam na prevenção do cancro.

4 – Batata doce cozida

A batata é uma fonte de energia! Se o seu patudo tiver feito exercício intenso, por exemplo, pode reforçar o “prato” com um bocadinho de batata aos cubos!

5 – Maça

Fruta na refeição de ração? Porque não? Pode juntar cubinhos de maça na ração do seu patudo ou então cortar a maça em rodelas e oferecer-lhe como snack, ao lanche!

Consulte os seguintes artigos sobre “Alimentação variada” e “10 dicas alimentares saudáveis”.

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Rações grain free provocam problemas cardíacos?

Como identificar se as rações têm ou não cereais?

Normalmente as embalagens de rações sem cereais vêm com essa menção na embalagem – “sem cereais” ou “grain free”. Contudo, para ter a certeza se a ração tem ou não cereais (porque a menção na embalagem não é obrigatória), a composição deve ser consultada.

Rações sem cereais não incluem na composição cereais (em algumas rações apenas vêm mencionados “cereais”), arroz, milho, aveia, trigo.

De que patologia cardíaca se trata?

Os casos relatados referem-se a uma patologia cardíaca específica: a cardiomiopatia dilatada – uma patologia do músculo cardíaco que é comum em cães de raça grande. A cardiomiopatia dilatada caracteriza-se pela dilatação das câmaras cardíacas, motivada pela falta de força de contração do músculo cardíaco. Há uma predisposição racial (com componente hereditária) e os cães grandes são frequentemente afetados.

Como foi feita a correlação e o que se sabe até agora?

É comum que cães de raça grande (como Doberman, Dogue Alemão, São Bernardo, Boxer, Dálmata e Galgo Afegão) tenham uma incidência significativa da doença (são raças predispostas). Contudo, nos últimos dois anos o número de casos reportados de cardiomiopatia dilatada em cães de raças predispostas que comiam uma ração sem cereais foi elevado, havendo uma suspeita de correlação entre patologia e dieta. Para além disso, cães de raça pequena não predisposta à doença foram diagnosticados com cardiomiopatia dilatada, sendo que alguns deles estavam a ser alimentados com uma ração grain free.

Porque que é que as rações sem cereais podem estar na origem deste problema cardíaco?

A investigação levada a cabo pela FDA indica que não é a falta de cereais que pode estar na origem do desenvolvimento da condição cardíaca, mas sim a presença de determinados ingredientes em excesso nessas dietas – como é o caso de batata, ervilhas, grão-de-bico e outras leguminosas.

Está a ser estudada a influência do excesso destes ingredientes no desenvolvimento da patologia. É possível que o aparecimento de cardiomiopatia dilatada nestes casos esteja relacionado com a quantidade e biodisponibilidade de taurina (um aminoácido importante para a musculatura cardíaca, cuja falta pode motivar uma diminuição da força de contração do miocárdio). Contudo são necessários mais estudos para serem retiradas conclusões.

O meu cão faz ração sem cereais. Devo alterar a dieta?

Como não existem conclusões definitivas, a alteração da dieta em cães que comem rações grain free não é emergente. Contudo, em cães com problemas cardíacos ou com suspeita de problemas cardíacos a alimentação deve ser revista junto do veterinário.

Caso o animal não seja intolerante aos cereais e os digira bem, fazer uma ração equilibrada, com uma ótima proporção entre fonte proteicas, cereais (como arroz) e leguminosas é o ideal.

 

 

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia