5 sinais de stress no cão

Quais são então os principais sinais de stress num cão?

1. Bocejar

Tal como nós, os cães bocejam quando estão com sono. Contudo, este comportamento pode surgir em situações nas quais se sintam desconfortáveis (ida ao veterinário, trovoadas, introdução de um novo patudo em casa), uma vez que desencadeia uma série de mecanismos internos que lhes vão proporcionar tranquilidade.

2. Lamber a boca / nariz

Se vir o seu cão a lamber a boca / nariz sem que uma deliciosa iguaria esteja por perto, o mais provável é que esteja stressado.

3. Arfar

Respirar com a boca aberta ou aumentar a frequência das respirações por minuto pode estar associado a stress. Se isto acontecer num contexto em que o seu cão está relaxado e tranquilo, deve ser interpretado de outra forma.

4. Vocalizar

Comportamentos como “choramingar”, uivar e ladrar excessivamente estão relacionados com medo / stress e são dos sinais mais facilmente identificáveis pelos tutores.

5. Alterações Gastrointestinais

Perda de apetite e diarreia (colite por stress) podem ocorrer na sequência de eventos que causem ansiedade no cão. Existem atualmente dietas direcionadas para este tipo de situações, que são altamente palatáveis e de fácil digestão, contendo ingredientes que ajudam a prevenir os efeitos gastrointestinais do stress nos nossos patudos.

Reconhecimentos destes sinais – Muito importante!

Alguns cães podem experienciar episódios agudos / esporádicos de stress,
enquanto que outros podem viver num estado crónico de ansiedade.
Reconhecer que alterações de comportamento, mais ou menos óbvias, podem estar associadas a aumento dos níveis de ansiedade, é essencial para que possamos ajudar os nossos patudos perante estas situações. Deste modo, evitamos a progressão do stress, o que pode não só interferir com o bem-estar do seu cão, como também pode afetar a sua saúde (alterações gastrointestinais, diminuição da eficácia dos sistema imunitário…).

Sara Alves 

Médica Veterinária

Uma ração de supermercado é boa para o meu cão?

Fase da vida, nível de atividade e porte

É sabido que as necessidades nutricionais dos cães, não só em energia, mas em macro e micronutrientes, variam ao longo da vida, e devem ser respeitadas para os manter o mais saudáveis possível.

Assim, a primeira preocupação deverá ser procurar um alimento adequado à fase da vida em que se encontra o seu companheiro. Simplificando: gravidez/aleitamento, cachorro, adulto (esterilizado ou não) ou sénior.

O porte do cão também é importante, pois raças de crescimento rápido (grandes a gigantes) têm necessidades específicas para o desenvolvimento de articulações e ossos saudáveis, enquanto que as raças pequenas têm mais facilidade em comer rações com grãos pequenos.

Cães de trabalho ou desporto, que pratiquem atividade física regular e intensa, também têm necessidades superiores às de cães mais sedentários, especialmente no que toca à energia (calorias).

Ingredientes e rótulos

Após ter em conta a fase da vida, nível de atividade e o porte do cão, devemos olhar para os rótulos!

Geralmente, para atingir preços mais baixos, alguns fabricantes recorrem a ingredientes mais baratos, tipicamente muito processados e, portanto, de mais baixa qualidade e digestibilidade. Pelo contrário, as rações premium, utilizam tendencialmente ingredientes frescos e o menos processados possível para integrarem as suas rações.

Nos rótulos, os ingredientes estão listados por ordem decrescente, portanto, os ingredientes que estão presentes em maior quantidade aparecem primeiro. Assim, os primeiros ingredientes devem ser fontes de proteína de elevada qualidade e digestibilidade, idealmente de origem animal, tais como carne/peixe frescos, inteiros ou desidratados e não cereais/farinhas/glúten.

Também devemos evitar corantes e conservantes sintéticos, pois ingerir estes compostos diariamente não é saudável.

E o preço, compensa?

Se por um lado o preço por quilograma é mais baixo, quando comparado com rações premium, também é verdade que geralmente os animais terão de ingerir maior quantidade de comida para suprir as suas necessidades. Isto acontece porque a digestibilidade dos ingredientes utilizados é mais baixa e grande parte do que é ingerido não é aproveitado pelo organismo, acabando por ser eliminado nas fezes.

Assim, além de estarmos a nutrir melhor os nossos cães com alimentos de maior qualidade, a longo prazo o gasto vai ser menor porque estamos a promover a sua saúde e uma digestão saudável!

Inês Carvalho 

Médica Veterinária de Animais de Companhia

O meu cão está cansado da ração que come. O que devo fazer?

Porque deixou o meu cão de ter apetite?

Em primeiro lugar deve garantir que o seu cão se encontra saudável e que esta falta de apetite não poderá ser sintoma de doença. Se além da falta de apetite estiver mais prostrado (“triste”), com dor abdominal, com vómitos, diarreia, ou outro sinal clínico, deve ser consultado pelo seu Médico Veterinário.

Deve também certificar-se que a ração está em bom estado de conservação e que não rancificou. Por vezes, sacos de ração mal fechados, ou abertos há mais de 1 mês, podem sofrer alterações que os tornam menos saborosos e inadequados para consumo.

Se ele rejeita a ração, mas está de nariz no ar e olhos pedinchões atrás de todos os humanos que tenham algum alimento diferente, podemos estar perante um cão que se cansou da sua ração, ou que aprendeu que com este comportamento recebe atenção e “snacks” apetitosos e interessantes.

Se o seu cão for o segundo, o mais importante é ser consistente e evitar os extras! Caso contrário ele não terá uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes que precisa, e o comportamento tornar-se-á cada vez mais difícil de alterar.

O que posso fazer para tornar a refeição mais interessante?

  • Misturar água morna, caldo de carne (sem temperos) ou um dos nossos flavours para intensificar o cheiro da refeição;
  • Adicionar uma colher de comida húmida ou caseira (sem temperos), alterando as texturas e cheiros da comida;
  • Alterar a forma como a comida é oferecida, aumentando o desafio mental, através de dispensadores de comida ou jogos de procura (estimulando o olfato)
  • Em último caso, poderá ter de trocar de sabor dentro da mesma marca de ração ou mesmo mudar de marca. Caso seja esta a opção tomada, não se esqueça que a transição para o novo alimento deve ser feita lentamente, ao longo de uma semana, aumentando a quantidade do novo alimento e diminuindo a do antigo.

Se a falta de interesse se prolongar mesmo com estas medidas, deve contactar o seu Médico Veterinário para que este garanta que não existe nenhum motivo clínico para a falta de apetite do seu cão.

Inês Carvalho 

Médica Veterinária de Animais de Companhia 

Frutas para cães: Que cuidados devo ter?

O meu cão precisa de fruta?

Se o seu cão já é alimentado com uma dieta balanceada e tem um bom estado nutricional, alguns tipos de fruta podem funcionar como um snack. Porém, há que ter alguns cuidados que veremos de seguida, tais como o tipo de fruto e o tamanho dos mesmos.

 

Tamanho

Uma questão essencial a considerar será o tamanho da fruta. A cereja, abrunhos ou ameixas, por exemplo, atendendo claro ao tamanho do seu cão, dadas as dimensões do fruto e o facto de terem caroço, quando ingeridas poderão obstruir o esófago ou mesmo causar asfixia.

 

Quantidade

A quantidade é uma questão essencial. Pense no seu cão como uma criança, dependendo do seu tamanho. Se para uma criança de 8Kg, meia maçã é muito, para o seu cão, poderá ser ainda mais. De forma genérica, qualquer outro nutriente extra à nutrição primária do seu cão deverá representar menos de 10% do total de calorias ingeridas. A moderação é a regra, sendo importante ter em atenção que o excesso poderá causar irritação intestinal, diarreia ou aumento do gás intestinal, com outras complicações.

 

Tipo de fruto

Há frutos proibidos e frutos permitidos. Alguns tipos de fruto poderão ser utilizados como uma guloseima, desde que em pequenas quantidades, ao passo que outros poderão ser prejudiciais, quando ingeridos.

Vejamos então quais os frutos mais usuais que poderá ou não oferecer:

 

 

Fruto
Posso oferecer? Quantidade?
Razão
Maçã
Com moderação. 1 a 2 gomos*.
Evitar dar caroços e núcleo, dado conterem arsénio e ácido cianídrico.Fonte de potássio, fibra, flavonoides, fitonutrientes e Vitamina B, C e E.
Bananas
Com moderação. Sem casca.Uma porção de aprox. 3cm*.
Rica em potássio e carbohidratos.
Pêras
Com moderação.Um ou dois cubos*.
Fonte de fibra, ácido fólico, niacina, fósforo, potássio, vitaminas A, C, E, B1 e B2.
Morangos
Com moderação. Meio morango*.
Fonte de fibra, potássio, magnésio, ácido fólico, vitamina C, K, B1 e B6.
Amoras
Com moderação.2 a 3 amoras*.
Fonte de antioxidantes, fibras, manganésio, ómega-3 e vitaminas C, K, A e E.O excesso pode levar a diarreias.
Mirtilos
Com moderação.3 a 4 mirtilos*.
Fonte de antioxidantes, selénio, zinco e ferro, e vitaminas C, A, E e do complexo B.
Framboesa
Com moderação.2 a 3 framboesas*.
Fonte de fibra, antioxidantes, potássio, manganésio, ferro, vitamina C, K e do complexo B.
Pêssego
Com moderação.Um a três pedaços de apróx. 3 cm*
Nunca dar com caroço! Pode provocar obstrução.
Kiwi
Com moderação.Uma fatia*.
Fonte de fibra, potássio e Vitamina C.
Manga
Com moderação
Nunca dar com caroço! Pode provocar obstrução.
Melancia
Com moderação.Um a três pedaços de aprox. 3 cm*.
Fonte de água, vitaminas C, A, potássio e magnésio.
Melão
Com moderação.Um a três pedaços de aprox. 3 cm*.
Fonte de água, vitaminas C, A, cálcio, fósforo, potássio e magnésio.
Meloa
Com moderação.Um pedaço de aprox. 3 cm*.
Contém vitaminas A, do complexo B, C, fibra, potássio, magnésio, tiamina, tiamina, niacina e ácido fólico.
Abóbora
Com moderação.Uma a três porções iguais a uma colher de sopa*.
Fonte de fibra, carotenos, zinco, ferro, potássio e vitamina A.
Ananás
Atenção!Dar em pouca quantidade ou evitar.
Não administrar com casca, dado esta poder causar irritação do sistema gastrointestinal.O ácido pode ser prejudicial.
Laranja/Tangerina
Atenção!Dar em pouca quantidade ou evitar. Se optar por dar, oferecer apenas meio gomo.As grainhas são proibidas!
Mesmo pequenas quantidades podem levar gastrite, pelo teor em ácido cítrico da laranja.Fonte de fibra, potássio, cálcio, ácido fólico, vitaminas A, C, B1 e B6.A Laranjeira e grainhas são tóxicas, dado o componente em óleos essenciais e psoraleno.
Cerejas
Atenção!
Dar em pouca quantidade e retirar sempre os caroços.
Uvas
Proibido!
São tóxicas. Podem levar a diarreia, vómito, letargia, e mesmo a insuficiência renal.
Figos
Proibido!
Contêm ficina, podendo causar reação alérgica.A Figueira pode levar a inflamação cutânea, e pode dar diarreia e vómito quando ingerida.
Côco
Proibido!
Contém açucares que podem levar a desconforto intestinal.
Abacate
Proibido!
Leva a irritação intestinal e possui persina, um tóxico para os cães.

 

*As dosagens são meramente indicativas. Não se esqueça de considerar sempre o tamanho do animal.

 

Tenho árvores de fruta no quintal, e agora?

As árvores e o seu cão poderão continuar a coexistir, mas deverá passar a ter alguns cuidados, como por exemplo apanhar os frutos que apodrecem no chão, apanhar os frutos pequenos que caem. Apesar de a palatibilidade não ser a desejada, alguns cães que tenham por hábito ingerir tudo, poderão brincar com a fruta em início de apodrecimento ou a fruta pequena no solo, sendo assim infetados pelos fungos e bactérias que provocam o apodrecimento, ou mesmo engasgar-se com frutos pequenos.

 

Caso o seu cão tenha algum sinal como apatia, vómito, diarreia, consulte o seu Médico Veterinário, referindo sempre qual a fruta ingerida, bem como a quantidade.

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

Quais os melhores cães de guarda e porquê?

O que é um cão de guarda?

Por definição, um cão de guarda é um cão cuja sua função é exatamente a de guardar/vigiar um determinado território, uma pessoa ou animal. Este instinto de proteção foi-lhes herdado pelo seu ancestral, o lobo, pelo que, independentemente do seu tamanho e das suas particularidades enquanto raça, seja ele um Yorkshire ou um Rottweiler, todos o possuem.

 

Todos são iguais então?

De notar no entanto que, se formos “atropelados” por um Yorkshire ou um Rotweiller na rua, com certeza que o impacto será certamente diferente! 😊

E é por esse motivo que quando pensamos em cão de guarda, inevitavelmente pensamos em cães com um determinado porte e com determinadas características capazes de assustar qualquer agente invasor, esquecendo-nos rapidamente de que todos são igualmente capazes de a desempenhar.

 

Quais as mais comuns?

Inevitavelmente, quando abordamos esta questão no sentido prático, automaticamente pensamos em cães com determinadas particularidades, nomeadamente de peso, porte, robustez, poder de mandibula e pelo seu “ar feroz”. Exemplos dessas raças são:

  • Rotweiller
  • Doberman
  • Pastor Alemão
  • Pastor Belga
  • Boxer
  • Pit-Bull Terrier
  • Staffordshire Bull Terrier
  • Staffordshire Terrier Americano
  • Leão da Rodésia
  • Fila Brasileiro
  • Bullmastiff
  • Dogue Argentino

De entre as raças mais típicas de cães de guarda, também se incluem algumas portuguesas, como por exemplo:

 

  • Cão de Serra da Estrela
  • Cão de Gado Transmontano
  • Cão de Castro Laboreiro
  • Cão de Fila de São Miguel
  • Cão de Fila da Terceira

Resta alertar que algumas das raças citadas podem ser perigosas ou potencialmente perigosas. Saiba mais sobre este tema aqui. 

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

 

Ciúmes entre cães. Como agir?

Como sei se o meu cão é “ciumento”?

Se tem mais do que um cão em casa é provável que já tenha assistido a uma ou mais manifestações deste tipo. Um cão “ciumento” tende a disputar a sua atenção e a ter comportamentos de agressividade, rosnando e/ou tentando morder, quando está consigo e outro cão se tenta aproximar. O mesmo pode acontecer com os brinquedos e com a comida.

 

Como lidar com esta situação?

Uma vez que, frequentemente, estas manifestações comportamentais promovem conflito entre os cães, há vários cuidados que devem ser tomados para o evitar:

  • Estabelecer os limites de cada um e a hierarquia da casa (de forma a perceberem que o líder é o tutor e que a seguir vêm eles com iguais regras e direitos).
  • Dar o alimento em locais separados, para evitar a disputa de ração.
  • Ter brinquedos e camas diferentes para cada cão.
  • Promover passeios ao exterior (ambiente neutro), onde se deverá procurar realizar atividades de partilha e de inclusão.
  • Ignorá-los à chegada à casa, de forma a que nenhum sinta que está a receber mais atenção que o outro.
  • Quando estiver a interagir com um dos cães (ex: com ele ao colo, a brincar, etc.) e o outro se aproximar, deverá premiar o primeiro, aumentando a atenção, se este se mantiver tranquilo (reforço positivo). Se pelo contrário, este reagir com agressividade à chegada do outro cão, interromper de imediato a interação.
  • Evitar dispensar mais tempo com um cão em detrimento de outro. Se tiver que passar mais tempo com um deles (ex: por estar a precisar de mais cuidados), tente compensar o outro de seguida.

 

De notar que, apesar do tema deste artigo ser acerca dos “ciúmes entre cães”, a verdade é alguns cães têm outros animais ou mesmo pessoas como alvo destas manifestações. Um exemplo típico é o que ocorre quando uma nova pessoa é introduzida na vida diária, seja um bebé, um novo companheiro/a ou outro familiar com que passem a co-habitar. A solução é a mesma e passa por ensinar ao cão qual o seu lugar nesta nova dinâmica do quotidiano, que tem de respeitar o novo membro da família e que não irá perder a sua atenção e dedicação em detrimento dessa pessoa.

 

Tomás Magalhães

Médico Veterinário

Deve-se tosquiar o cão no Inverno? 5 Factos sobre a tosquia no inverno

De facto, um pelo longo, molhado e emaranhado faz com que, facilmente, o seu cão fique frio, húmido e suscetível a infeções. Assim, durante o inverno, os cuidados com o pelo do seu patudo tornam-se ainda mais importantes! Por isso, a resposta à pergunta “o meu cão pode ser tosquiado no inverno?”, a resposta é sim.

O que deve, então, saber sobre a tosquia no inverno:

  • Claro que os nossos amigos patudos também sentem frio, mas os malefícios de não tratar do pelo no inverno poderão ser muito maiores. Se não tosquiar o seu animal, nem tiver os devidos cuidados diários, o estado do pelo poderá chegar a um ponto em que a única solução é a tosquia completa e bem mais curta do que a elegida por si.

 

  • A tosquia deve ser adaptada à época do ano. O pelo não deverá ser cortado tão curto no inverno. Dessa forma, conseguirá manter uma quantidade de pelo suficiente para manter a temperatura corporal do seu cão, mas ao mesmo tempo consegue fazer muito mais facilmente a sua manutenção.

 

  • Um pelo mais curto no inverno pode ajudar a manter a pele mais saudável e livre de infeções. Se o seu cão passa mais tempo no exterior, estará mais suscetível a ficar molhado ou sujo. Um pelo comprido ou um pelo que não seja diariamente cuidado poderá acumular detritos e humidade, o que juntamente com o possível aparecimento de nós, pode conduzir a infeções dermatológicas.

 

  • O uso de casacos poderá ser uma ajuda para manter quente o seu cão no tempo mais frio. A tosquia ajudará a manter o pelo menos emaranhado.

 

  • Se preferir não tosquiar, saiba que poderá apenas optar pela tosquia higiénica. Este tipo de tosquia poderá ser feito ao longo de todo o ano. Caracteriza-se pelo corte do pelo apenas nas zonas genitais, ajudando a mantê-las mais limpas e, assim, menos suscetíveis a infeções.

 

Lembre-se que o pelo do seu cão precisa de um cuidado continuo ao longo de todo o ano!

 

Ana Alves – Médica Veterinária

Cuidados a ter com um cão sénior: 7 dicas para donos de cães mais velhos

O envelhecimento faz parte do curso natural da vida e não tem de ser propriamente uma coisa má. Contudo, em determinado momento, o seu cão poderá não ter tanta energia e poderá precisar que as aventuras que passa com ele sejam menos frenéticas.

A idade a partir da qual um animal é considerado sénior depende da sua raça e significa que o animal já completou 75-80% da sua esperança média de vida. Animais de raça miniatura a pequena (até 10kg) podem ser considerados seniores a partir dos 10 anos; raças médias (10-25kg) a partir dos 8 anos; e raças grandes a gigantes (mais de 25kg) a partir dos 6/7 anos.

Em animais mais velhos é frequente o aparecimento de determinados problemas de saúde com os quais devemos saber lidar.

Patologias associadas à idade:

  • Artrites – inflamação das articulações;
  • Problemas cardíacos – o coração deixa de responder tão bem ao bombeamento do sangue para todo o corpo;
  • Perda de visão e audição – os órgãos sensoriais começam a degenerar;
  • Alterações cognitivas – pode haver alteração de comportamentos e perda de comandos anteriormente aprendidos;
  • Problemas hormonais – alterações prostáticas e testiculares (nos machos) e infeções de útero (nas fêmeas);
  • Neoplasias – a probabilidade de aparecerem tumores aumenta com a idade.

 

Dicas para manter a qualidade de vida:

 

  • Ração sénior – é importante adaptar a ração à condição atual do seu animal. Este tipo de rações está formulado para cobrir as necessidades nutricionais de animais idosos e, por outro lado, também possui alguns suplementos, por exemplo para as articulações.

 

  • Cama confortável – o ninho do seu patudo deve agora ser ainda mais fofo. Deve ser suficientemente acolchoado para que as suas articulações possam estar apoiadas numa superfície macia.

 

  • Evite alterar a disposição dos móveis em casa – O seu cão já conhece de olhos fechados a sua casa. Mas, se ele começa a sofrer de alterações cognitivas ou perda de visão e se a disposição da casa de alterar, ele ficará perdido sem se saber localizar.

 

  • Coloque o bebedouro e comedouro num local mais perto do seu ninho e facilmente acessível. Com dificuldades locomotoras ou com alterações cognitivas, o seu patudo pode não se deslocar para beber ou comer.

 

  • Exercício físico controlado – é importante manter a mobilidade das articulações. Mas, atenção, não deve exagerar. Se o seu cão sofre de artrites, certamente que ao fim de muito tempo de exercício ele poderá começar a sentir dores. Por outro lado, se já existir algum problema cardíaco, isto torna-se ainda mais importante. Assim, poderá aumentar a frequência dos passeios, mas diminuir a sua duração.

 

  • Estimulação sensorial e cognitiva – é importante continuar o treino do seu patudo, ensinar-lhe coisas que ele possa ter vindo a esquecer, manter o contacto social com outros animais e fazer jogos com ele.

 

A partir desta idade, todos os patudos devem visitar o Médico Veterinário com mais regularidade, idealmente semestralmente. Deve marcar uma consulta de geriátria, na qual o Médico Veterinário se vai na descoberta e tratamento precocemente das patologias anteriormente referidas (por exemplo, através do exame físico, análises sanguíneas e de urina). Ele pode ainda aprofundar as dicas que lhe referi anteriormente.

 

Ana Alves

Médica Veterinária

Que raças têm o pelo mais hipoalergénico para as pessoas?

“Sou alérgico ao pelo de animais” – é em grande parte um mito. Os alergénios aos quais as pessoas são normalmente alérgicas encontram-se na saliva, glândulas sebáceas e células da pele morta (mais conhecidas por caspa) e não propriamente no pelo dos animais. O que acontece é que o pelo é um meio de armazenamento desse tipo de substâncias, bem como de pólen ou ácaros, também grandes fontes de alergias.

Se já tem um cão em casa e necessita de minimizar os alergénios presentes no ambiente existem algumas dicas que poderá seguir.

Como reduzir a quantidade de alergénios em casa:

 

Se é uma pessoa “alérgica a animais”, dar-lhe-ei em seguida uma lista de raças de cão que poderá escolher de forma a que as suas alergias possam estar mais controlas.

Atenção! Deverá igualmente adotar as medidas anteriores. Deverá também saber que entre cada cão o tipo de alergénios difere, bem como a reação que cada pessoa individual apresenta face a cada alergénio. Por isso, apesar de possuir uma raça “hipoalergénica” em casa, poderá apresentar igualmente manifestações alérgicas.

As raças hipoalergénicas são assim definidas porque incluem cães que produzem muito pouca caspa e cujo pelo cai muito pouco ou, quando cai, fica preso nas outras camadas de pelo (evitando-se, assim, que os pelos juntamente com os alergénios se espalhem pela casa).

 

Raças “hipoalergénicas”

  • Poodle
  • Schnauzer
  • Yorkshire Terrier
  • Bichon Frisé
  • Bichon Maltês
  • Shit-tzu
  • Samoiedo
  • Cão de crista chinesa
  • Basenjis
  • Cão de água português

 

Lembre-se também que a melhor forma de perceber se é alérgico, e a que raça é alérgico, é passar algum tempo com patudos de diferentes raças e verificar a sua reação!

 

Ana Alves

Médica veterinária

Novo cão em casa? 5 dicas para uma adaptação mais rápida.

1.    Recolher o máximo de informações antes de o ir buscar

Antes de comprar ou adotar um novo cão, deve certificar-se que estudou bem a raça e o seu passado. Assim, irá perceber se é o cão mais adequado para si e para as condições que lhe pode oferecer. Depois de escolhido, deve informar-se acerca do histórico de saúde do mesmo (que doenças teve/ tem), do seu plano vacinal (que vacinas fez e quando precisa de repetir), do seu esquema de desparasitações e dos seus hábitos alimentares (saber qual a ração que está a fazer).

 

2.    Preparar a casa para a sua chegada

Antes do cão chegar, procure ter todas as condições de que ele precisa para os primeiros tempos. Prepare um local para ele dormir e uma zona separada para as refeições. Se for um cachorro, precisará também de uma zona onde ele possa fazer as necessidades até completar a primovacinação e poder vir à rua para as fazer. Compre também alguns brinquedos, adaptados ao seu tamanho e idade, que irão promover interações positivas entre os dois e serão importantes no treino e maneio do seu comportamento. Tenha uma ração de qualidade disponível para lhe dar (se não for a mesma que ele fazia, não se esqueça de ter parte da anterior para misturar e fazer uma transição gradual).

 

3.     Marcar uma primeira consulta no médico veterinário

Esta primeira consulta será muito importante para que o seu novo cão seja avaliado e assim possa saber se está tudo bem com ele. É também a altura em que será delineado o seu plano profilático (vacinas e desparasitações) e onde poderá fazer questões acerca de saúde, comportamento e nutrição.

 

4.     Introduzir de forma gradual aos restantes “co-habitantes”

Nesta fase o cão além das mudanças de espaço e de rotinas, também terá que aprender a partilhar o espaço com outras pessoas e/ou animais. Evite forçar o primeiro contacto, promovendo um conhecimento mútuo natural para evitar conflitos.

 

5.     Educar segundo o reforço positivo

É normal que o cão faça “asneiras” nos primeiros tempos em casa, seja cachorro ou não. A forma como lida com isso é que determinará o sucesso da sua educação. Atualmente sabe-se que a melhor forma de educar/ treinar um cão é através do reforço positivo. Por exemplo, não deverá recriminá-lo ou castigá-lo se ele fizer as necessidades fora do sítio, pois isso só fará com que ele comece a fazer em sítios escondidos da casa. Deverá sim, premiar sempre que ele faça no sítio correto.

 

Se está a ler este texto e tem um novo membro da família em casa, parabéns e boa sorte!

 

Tomás Magalhães

Médico Veterinário