Porque é que os ácidos gordos devem estar incluídos na alimentação de cães com problemas de pele?

Qual o efeito dos ácidos gordos?

Os ácidos gordos, principalmente ómega-3, promovem uma ação anti-inflamatória natural, reduzindo os sinais de dermatite (inflamação cutânea), descamação, alopécia (falhas de pelo) e prurido, que são as alterações mais frequentes em cães com problemas de pele.

Além disso, permitem manter uma barreira cutânea saudável, protegendo a pele da agressão e mantendo-a hidratada.

Esses ácidos gordos estão na ração ou é necessário suplementar?

Rações de boa qualidade e desenhadas para problemas cutâneos são ricas nestes ácidos gordos, pelo que a sua suplementação não é necessária. Destaco em particular, as rações que têm salmão como fonte animal. Contudo, se a ração que o cão estiver a fazer não for a mais adequada ou quando o aporte nestes constituintes tem de ser reforçado existem no mercado produtos que fazem esta suplementação, seja na forma de xarope ou cápsulas.

 

O meu cão tem um problema de pele, devo dar-lhe uma dieta rica nestes ácidos gordos?

Sim, os ácidos gordos deverão fazer parte do tratamento de qualquer patologia de pele. Sabe-se atualmente que doses altas de EPA e de DHA (resultantes da metabolização do ómega-3) têm efeito comprovado no controlo da sintomatologia cutânea. Desta forma, é possível reduzir a necessidade de recorrer a fármacos como corticosteroides ou de, pelo menos, reduzir a sua dose e/ou frequência de utilização. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor forma de incluir estes ácidos gordos no tratamento de pele do seu animal.

 

                                                                                               Tomás Magalhães

Médico Veterinário

Devo levar o meu cão ao veterinário com que regularidade?

Existem vários fatores que fazem com que tenha de levar o seu cão com maior regularidade à consulta.

Que fatores são esses?

Cachorros e cães sénior carecem de um maior número de visitas. Os primeiros devido à primovacinação e restantes procedimentos necessários nesta fase e os segundos para check-ups de saúde regulares e/ou para monitorização de doenças crónicas que se começam a manifestar com a idade.

Cães que se encontrem em regimes de perda de peso beneficiam de mais visitas  à clínica para se pesarem e para que lhe possam ser aconselhados ajustes na dose diária da ração.

  • Estado de saúde:

Todos os cães que apresentam qualquer tipo de alteração ou sinal clínico de doença deverão ser consultados de forma imediata para avaliação do seu estado de saúde, podendo necessitar, posteriormente, de consultas de controlo para reavaliação do caso e para que possa ser dada “alta” da situação.

  • Protocolo vacinal específico:

Apesar das vacinas recomendadas de forma geral para todos os cães serem a da raiva (obrigatória por lei) e a que dá imunidade contra a esgana, hepatite infeciosa, parvovirose, parainfluenza e leptospirose, a verdade é que o seu cão poderá necessitar de fazer outro tipo de vacinas. São exemplo a da leishmaniose e a da tosse do canil.

  • Doenças crónicas:

Cães diagnosticados com doenças crónicas, nomeadamente patologias cardíacas, gastrointestinais, hepáticas ou renais ou até mesmo quadros tumorais, necessitam de um maior número de visitas para monitorização clínica, realização de exames complementares e ajustes de medicação.

Se o seu cão é um cão adulto saudável é provável que apenas tenha que ir 1 a 2 vezes por ano ao veterinário, tendo em conta que deverá ser vacinado anualmente e desparasitado, pelo menos, de 6 em 6 meses.

Contudo, tenha em conta os fatores acima descritos e questione o seu médico veterinário quanto ao número de visitas recomendadas para o caso particular do seu cão.

Não se esqueça que consultas regulares permitem também detectar uma série de alterações que podem não ser percepcionadas em casa, melhorando o prognóstico através do seu diagnóstico precoce.

Tomás Magalhães

Médico Veterinário