Como entreter o seu cão dentro de casa

Porque é que é importante um cão estar entretido?

É muito importante que o cão tenha vários tipos de entretenimento no seu dia-a-dia, de forma a que seja estimulado física e mentalmente.  Desta forma, conseguimos garantir a sua atividade, bem como uma boa gestão da sua energia.

Entreter um cão é fundamental nas várias etapas da vida. Em cachorro para que esteja focado nas brincadeiras permitidas e evite que se sinta “aborrecido” e comece a fazer “asneiras”. Em adulto, para que mantenha a sua atividade indoor quando, devido a fatores como a disponibilidade do tutor ou o clima, não seja possível reservar muito tempo para desgastar energia outdoor. Em sénior para, particularmente, promover-se a estimulação mental, trazendo benefícios no que diz respeito à prevenção e/ou atraso no desenvolvimento de síndromes como a disfunção cognitiva.

O que posso fazer para o entreter?

Existem várias formas de entreter um cão dentro de casa, recorrendo a:

  • Brinquedos tipo Kong – feitos de material resistente e duradouro, permitem colocar comida no seu interior (desde biscoitos a alimentos caseiros), mantendo o cão entretido, que não “descansa” até os conseguir comer.
  • Bolas e cordas – dois dos tipos de brinquedo mais apreciados pelos cães. Contudo, carecem, na maior parte das vezes, da interação com o tutor.
  • Ossossintéticos ou mais naturais, prometem várias horas de distração. Devem ser escolhidos de acordo com o tamanho do cão e devem ser resistentes para evitar a sua fácil desintegração. Têm a vantagem de ajudar também na higiene oral.
  • Peluches – alguns cães entretém-se várias horas com um peluche na boca, transportando-o pela casa toda. Mas atenção, se ele for destruidor, pode expor o interior em algodão e, eventualmente, se não se tiver cuidado, ingeri-lo, o que pode criar um problema no trato gastrointestinal.
  • Jogos de estimulação cognitiva – existem vários produtos disponíveis no mercado para estimular a capacidade cognitiva do cão, recorrendo a jogos tipo “labirinto”, de memória ou de identificação táctil.
  • Televisão – já existe, pelo menos, um canal televisivo dedicado aos nossos cães, recorrendo a estímulos sonoros e visuais para manter a sua atenção. Também poderão ser utilizados vídeos do youtube para o efeito.

Um cão entretido, é um cão mais feliz?

Sim, a estimulação física e mental de um cão é muito importante para o desenvolvimento de um temperamento mais seguro, confiante e equilibrado. Além disso, é um fator determinante para controlo de problemas comportamentais tais como a ansiedade (de que se destaca a ansiedade por separação quando o tutor está ausente) e de prevenção e maneio de doenças como a obesidade e a disfunção cognitiva.

Tomás Magalhães     

Médico Veterinário

Tapetes absorventes – como treinar o meu cão a usá-los?

O que são os tapetes absorventes?

Conhecidos também como tapetes higiénicos, tratam-se de superfícies destinadas às necessidades fisiológicas do cão, tendo para isso propriedades de absorção dos resíduos e neutralização dos odores. Podem variar desde formas mais simples como resguardos até materiais mais resistentes que conferem um maior grau de higiene, limpeza e durabilidade.

Em que local devo colocar este tapete?

Deverá ser colocado num local da casa de fácil acesso ao cachorro, afastado das suas zonas de refeição e de descanso. Evitar colocar perto de portas ou divisões sujeitas a maior ruído, onde o cachorro se possa assustar e, no limite, associar a experiência negativa ao tapete, passando a evitá-lo.

Como posso treinar o meu cachorro a usá-lo?

Ensinar um cachorro a urinar e defecar num determinado local que o tutor defina para o efeito, pode ser bastante desafiante. O método mais eficaz é aquele que assenta na técnica do reforço positivo. Eis duas dicas principais de como o deve fazer:

  •  Sempre que o cachorro manifestar sinais de que irá fazer as suas necessidades (ex: andar em volta, farejar, ter acabado de acordar ou de comer, etc.), deve conduzi-lo de imediato para o tapete.
  • Quando ele urinar ou defecar no tapete, deverá ser recompensado com um biscoito, um elogio ou a oportunidade de brincar com um novo brinquedo.

E quando o meu cachorro puder vir à rua e for necessário “desaprender” este comportamento?

Quando o cachorro, depois de ter feito as vacinas iniciais, tiver autorização do Médico Veterinário para passear no exterior, onde é esperado que comece as fazer as necessidades, um novo processo de treino começa:

  • O tapete deverá ser retirado de casa, a zona onde ele se encontrava deve ser bem limpa para remoção de possíveis odores e devem ser promovidos mais passeios ao exterior (quando tinha o tapete fazia quanto lhe apetecia e agora tem que aprender a esperar pelo passeio).
  • Sempre que ele faça no exterior, deve ser de imediato premiado.
  • Nos casos mais difíceis, em que o cachorro está muito habituado ao tapete, este pode ser levado para a rua, sendo gradualmente retirado, de forma a ser premiado apenas quando urina fora deste.

O tapete absorvente também pode ser usado em cães adultos?

Sim, de facto existem cães que mantêm esta forma de higiene em idade adulta. A maioria são cães de tamanho pequeno e/ou que ficam muitas horas sem virem dar o seu passeio ao exterior. É, portanto, uma alternativa viável para animais cujos tutores não os consigam trazer com frequência à rua. Contudo, as idas regulares ao exterior continuam a ser importantes, não só pelas necessidades, mas para que o cão socialize com outros animais e pessoas e que contate com vários estímulos visuais e sonoros.

                                Tomás Magalhães      

Médico Veterinário

             

Novos boletins de vacinas e nova base de dados – o que mudou?

Os novos boletins de vacinas são obrigatórios?

Sim, neste momento, todos os boletins que sejam emitidos por um médico veterinário deverão obedecer ao novo modelo.

Se o boletim do seu cão ainda pertence ao  modelo antigo fornecido pelos laboratórios, saiba que este se encontrará válido até 31 de dezembro de 2021, momento a partir do qual todos os cães terão de possuir o modelo novo. Contudo, o mais provável é que já na próxima vacinação do seu cão, o seu médico veterinário coloque essa informação no novo boletim, procedendo à emissão do mesmo. O custo associado a esta emissão fica a cargo de cada clínica ou hospital veterinário.

Quais são as vantagens do novo boletim sanitário?

O novo boletim é disponibilizado exclusivamente pela Ordem dos Médicos Veterinários, tendo um número único associado, que permite a sua rastreabilidade. Assim, a emissão destes boletins é exclusivamente feita por um médico veterinário clínico em exercício de funções, assegurando-se o rigor das informações que nele são contidas e restringindo as possibilidades de falsificação.

Em que consiste a nova base de dados?

A nova base de dados SIAC (Sistema de informação de Animais de Companhia) resulta da fusão das duas bases de dados de identificação animal existentes até 25 de outubro de 2019: o SIRA e o SICAFE. No SIAC, além de estarem registados todos os animais com microchip em Portugal, com os seus dados e os dos respetivos tutores, também passarão a estar mencionadas as esterilizações e intervenções realizadas a esses mesmos animais. A vacinação antirrábica obrigatória passa também a ser registada e validada no SIAC, pelo médico veterinário que aplica a vacina. O comprovativo deste procedimento, o DIAC (Documento de Identificação do Animal de Companhia), deve ser sempre entregue ao tutor,

O meu cão não tem microchip. Qual o prazo que tenho para a sua aplicação?

  • Se o seu cão nasceu antes de 1 de julho de 2008  (quando não era ainda obrigatória a identificação), tem 12 meses a contabilizar a partir de 25 de outubro de 2019 para que seja marcado com o microchip e registado na base de dados.
  • Se tem consigo um cachorro, saiba que a sua identificação deverá ser feita até aos 120 dias de idade (4 meses).
  • Se for adquirir um cachorro diretamente num criador ou numa loja de animais, este já deverá ser entregue com o microchip aplicado, devendo proceder apenas à mudança de titular.
  • Se vive no estrangeiro e está a pensar regressar com o seu animal, saiba que o seu cão deverá ser registado no SIAC, se permanecer por um período igual ou superior a 120 dias em território nacional.

O meu cão já tem microchip e registo no SIRA/ SICAFE. Tenho que fazer alguma coisa?

Não, não precisa de fazer nada, pois o registo do seu cão terá sido transferido automaticamente para a nova base de dados. Por essa razão, não existem taxas a ser cobradas.

Continua a ser obrigatório o registo e licença na junta de freguesia?

Depende. Algumas juntas de freguesia estão a manter a obrigatoriedade do registo e licenciamento de todos os cães. Apesar do DL 313/2003 e da Portaria 421/2004 terem sido revogados, deixando de existir a obrigatoriedade deste licenciamento, algumas juntas de freguesia consideram deter ainda esta competência, tendo em conta a lei 75/2013, que lhes confere autonomia. Dada esta disparidade de entendimento legal entre a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e as Autarquias, o Governo já avançou que está a preparar uma Portaria para esclarecimento definitivo da situação.

E atenção: se lá em casa, para além de um companheiro que ladra, também tem um que mia, saiba que agora a aplicação do microchip em gatos também é obrigatória até aos 4 meses de idade ou, em gatos nascidos antes de 25 de outubro de 2019, até 36 meses (3 anos) após esta data.

                                                                                                Tomás Magalhães

  Médico Veterinário de Animais de Companhia

O meu cão tem medo e ansiedade: como modificar este comportamento?

Quais os principais sinais de um cão com medo/ ansiedade?

·       Aumento da frequência respiratória (“arfar”)

·       Comportamento de afastamento (“fuga”) ou de imobilização

·       Hipersalivação

·       Libertação do conteúdo dos sacos perianais

·       Manifestações típicas como “lamber os lábios” e/ou “bocejar”

·       Micção involuntária

·       Queda acentuada de pelo

·       Tremores

·       Vocalização

Em casos mais severos, e quando estão sozinhos sem a vigilância do tutor, podem inclusive traumatizarem-se e terem comportamentos de destruição no espaço onde estão inseridos.

De que é que o meu cão pode ter medo/ ansiedade?

Existem vários tipos de medos (ou fobias), dependendo do estímulo desencadeador que lhes está associado. Há cães que têm medo especificamente de um tipo de pessoas (ex: determinado género, idade ou etnia) ou de animais (ex: determinada raça ou porte), de locais (ex: clínicas veterinárias ou ruas movimentadas), de sons (ex: fogo de artifício, trovões ou vento), de objetos (ex: guarda-chuvas ou aspiradores) ou de situações (ex: ida ao banho/tosquia, tratamentos veterinários ou transporte de carro).

Em relação à ansiedade, esta está associada às situações acima descritas e, muitas vezes, mesmo à sua antecipação. A principal causa no cão é a “ansiedade por separação”, que decorre na ausência do tutor ou quando o cão não consegue contactar com o mesmo.

Na maior parte das vezes, estas manifestações resultam de uma inadequada exposição a estes estímulos na fase de socialização do cachorro.

Devo evitar ou expor o meu cão a estes estímulos?

Sempre que possível, o tutor deverá evitar expor o cão aos estímulos que lhe desencadeiam estes comportamentos, se estes forem facilmente evitáveis. Se se tratarem de estímulos recorrentes, em que exista a clara necessidade do cão aprender a conviver com os mesmos, deverá ser promovida a sua dessensibilização. Este processo deverá ser realizado expondo, de forma gradual e sistemática, o cão aos estímulos previamente identificados, em ambiente controlado e seguro. Sempre que o tutor note uma diminuição na reação perante o estímulo, o cão deverá ser premiado (técnica de reforço positivo).

O que mais posso fazer para modificar este comportamento no meu cão?

Uma vez que estes estímulos nem sempre são facilmente identificáveis e tendo em conta que uma dessensibilização mal conduzida pode levar a um agravamento do quadro comportamental, é sempre aconselhável uma consulta com um colega especialista em comportamento animal. Neste tipo de consultas, são dados vários conselhos e técnicas para o tutor pôr em prática. Em alguns casos, também poderão ser aconselhados produtos, tais como feromonas apaziguadoras (ex: Adaptil), em situações mais ligeiras, ou prescritos fármacos (ex: benzodiazepinas, inibidores seletivos da recaptação da serotonina ou antidepressivos tricíclicos), em situações mais graves e/ou crónicas, para uma resposta mais rápida e eficaz à terapia comportamental.

Se tem um cão em casa com este tipo de problemas, não perca mais tempo e aconselhe-se com o seu médico veterinário. O medo e a ansiedade têm solução!

Tomás Magalhães

Médico Veterinário

Como educar um cachorro nos primeiros meses?

1) Limitar o espaço

O tutor deverá definir as divisões, bem como os locais dentro das mesmas (ex: sofás, camas…), que são permitidas e proibidas. Por exemplo, se não quer que o cachorro tenha acesso ao seu quarto e à sua cama, deverá ensinar desde logo que não o pode fazer. É um erro comum permitir que ele durma consigo nas primeiras noites e depois negar-lhe mais tarde esse “direito”, deixando-o “confuso”.

 

2) Treinar a fazer as necessidades no local correto

Esta aprendizagem deve ser promovida com auxílio do reforço positivo, ou seja, o cachorro deverá ser premiado imediatamente após a execução do comportamento pretendido, de modo a estimular a sua repetição. Um erro comum é o tutor utilizar o reforço negativo (ex: castigar de forma verbal ou física), o que acaba, muitas vezes, por ter o efeito contrário. Por exemplo, se o cachorro urina fora do sítio, não deverá ser punido, sob o risco de gerar nele uma sensação de medo e ansiedade que o leve a começar a urinar em locais escondidos da casa. O que se deve fazer é premiar assim que ele faça no local correto.

 

3) Promover a socialização

Este é um fator determinante para a construção do temperamento do cachorro. O período de socialização decorre fundamentalmente entre as 3 e as 12 semanas de idade, terminando, assim, ainda antes da última vacina do protocolo vacinal inicial. Recomenda-se que o cachorro contacte com animais vacinados em ambientes protegidos (ex: casa de amigos e familiares) ou que venha ao exterior ao colo do tutor para que comece a contactar com novos estímulos visuais e sonoros.

 

4) Ensinar os comandos básicos

Quanto mais cedo forem ensinados os comandos básicos (ex: sentar, deitar, esperar…), mais fácil é e maior aproveitamento se poderá tirar dos mesmos. Estas sessões de treino deverão ser frequentes, mas curtas, porque é difícil manter a concentração dos cachorros durante vários minutos.

 

5) Criar rotinas de alimentação

Deverá criar hábitos e rotinas de alimentação ao seu cachorro desde cedo. Estabelecida a dose diária recomendada (que nos primeiros meses vai aumentando para acompanhar o crescimento), deverá dividir pelo número de refeições (geralmente 2), dando a horas específicas do dia. O objetivo será disponibilizar a ração a essas horas durante um período de tempo limitado (ex: 30 minutos), sendo retirada posteriormente a ração e fornecida apenas na refeição seguinte. Desta forma, criará rotinas de alimentação benéficas não só para regularização da produção de fezes, mas também para não se criarem apetites “caprichosos” (como é o caso de cães que vão “petiscando” ao longo do dia).

 

Não se esqueça que a educação do cachorro irá influenciar o seu comportamento na vida adulta, pelo que este “investimento inicial” de tempo e atenção será determinante para o futuro.

 

 

                                                                                   Tomás Magalhães

Médico Veterinário

O que é o treino com base no reforço positivo?

Em que consiste o treino baseado em reforço positivo?

É um tipo de treino, por condicionamento, através do qual se procuram ensinar determinados comportamentos por associação de recompensas ao cumprimentos dos mesmos.

O cão deverá ser  “premiado” sempre que exibe o comportamento pretendido, seja relativo a um comando (ex: sentar, deitar, ficar…) ou a uma nova regra. Por outro lado, também podemos usar este método quando queremos que o cão deixe de fazer algo incorreto, dando a recompensa assim que ele interrompa esse comportamento (ex: quando quer que o cão deixe de ladrar, tem de o recompensar assim que ele pare).

 

Que recompensas se deverão utilizar para fazer esse reforço?

Existem vários tipos de recompensas: alimentos, brinquedos ou atenção (ex: elogios e/ou carícias). A ideia é sempre a mesma: que seja algo atrativo para o cão e que estimule a repetição do comportamento. A recompensa alimentar é geralmente o incentivo mais usado, recorrendo a pequenos biscoitos de ingestão fácil e rápida. O objetivo depois será ir retirando, de forma gradual e aleatória, estas recompensas assim que realizada a sua correta aprendizagem.

 

Qual a vantagem deste tipo de treino relativamente aos “métodos tradicionais”?

No passado, as técnicas de treino utilizadas recorriam a métodos de castigo e intimidação. Contudo, graças aos progressos da medicina comportamental canina, percebeu-se que essa forma de “reforço negativo” tinha consequências nefastas para o animal, tais como o desenvolvimento de reações de medo, ansiedade e até agressividade. O treino por reforço positivo além de se mostrar mais eficaz, contribui para a construção de uma relação de maior confiança entre o tutor e o cão.

 

Que potenciais erros se podem cometer numa sessão de treino?

Existem vários erros que poderão influenciar o sucesso do treino canino e eventualmente serem prejudiciais para o cão que está a ser ensinado. São eles:

  • Aplicação do reforço de forma desajustada no tempo: a recompensa deverá ser dada ao cão imediatamente após a execução do comportamento a premiar. Se for dado de forma demasiado precoce ou tardia, poderá dificultar o estabelecimento de uma correta associação.
  • Uso incorreto de recompensas alimentares: se em quantidade excessiva ou se forem selecionados alimentos nutricionalmente inadequados, podemos estar a promover o aumento de peso e/ou alterações gastrointestinais.
  • Treinos longos: períodos longos de treino são desaconselhados, pois levam à perda de concentração e motivação do cão. As sessões de treino deverão ser frequentes, mas curtas.

 

Se tem um cão que precisa de treinar, utilize estas dicas e em breve tenho a certeza de que irá ver resultados!

 

     Tomás Magalhães

Médico Veterinário

 

Ciúmes entre cães. Como agir?

dermatite nel bulldog francese

Como sei se o meu cão é “ciumento”?

Se tem mais do que um cão em casa é provável que já tenha assistido a uma ou mais manifestações deste tipo. Um cão “ciumento” tende a disputar a sua atenção e a ter comportamentos de agressividade, rosnando e/ou tentando morder, quando está consigo e outro cão se tenta aproximar. O mesmo pode acontecer com os brinquedos e com a comida.

 

Como lidar com esta situação?

Uma vez que, frequentemente, estas manifestações comportamentais promovem conflito entre os cães, há vários cuidados que devem ser tomados para o evitar:

  • Estabelecer os limites de cada um e a hierarquia da casa (de forma a perceberem que o líder é o tutor e que a seguir vêm eles com iguais regras e direitos).
  • Dar o alimento em locais separados, para evitar a disputa de ração.
  • Ter brinquedos e camas diferentes para cada cão.
  • Promover passeios ao exterior (ambiente neutro), onde se deverá procurar realizar atividades de partilha e de inclusão.
  • Ignorá-los à chegada à casa, de forma a que nenhum sinta que está a receber mais atenção que o outro.
  • Quando estiver a interagir com um dos cães (ex: com ele ao colo, a brincar, etc.) e o outro se aproximar, deverá premiar o primeiro, aumentando a atenção, se este se mantiver tranquilo (reforço positivo). Se pelo contrário, este reagir com agressividade à chegada do outro cão, interromper de imediato a interação.
  • Evitar dispensar mais tempo com um cão em detrimento de outro. Se tiver que passar mais tempo com um deles (ex: por estar a precisar de mais cuidados), tente compensar o outro de seguida.

 

De notar que, apesar do tema deste artigo ser acerca dos “ciúmes entre cães”, a verdade é alguns cães têm outros animais ou mesmo pessoas como alvo destas manifestações. Um exemplo típico é o que ocorre quando uma nova pessoa é introduzida na vida diária, seja um bebé, um novo companheiro/a ou outro familiar com que passem a co-habitar. A solução é a mesma e passa por ensinar ao cão qual o seu lugar nesta nova dinâmica do quotidiano, que tem de respeitar o novo membro da família e que não irá perder a sua atenção e dedicação em detrimento dessa pessoa.

 

Tomás Magalhães

Médico Veterinário

Novo cão em casa? 5 dicas para uma adaptação mais rápida.

1.    Recolher o máximo de informações antes de o ir buscar

Antes de comprar ou adotar um novo cão, deve certificar-se que estudou bem a raça e o seu passado. Assim, irá perceber se é o cão mais adequado para si e para as condições que lhe pode oferecer. Depois de escolhido, deve informar-se acerca do histórico de saúde do mesmo (que doenças teve/ tem), do seu plano vacinal (que vacinas fez e quando precisa de repetir), do seu esquema de desparasitações e dos seus hábitos alimentares (saber qual a ração que está a fazer).

 

2.    Preparar a casa para a sua chegada

Antes do cão chegar, procure ter todas as condições de que ele precisa para os primeiros tempos. Prepare um local para ele dormir e uma zona separada para as refeições. Se for um cachorro, precisará também de uma zona onde ele possa fazer as necessidades até completar a primovacinação e poder vir à rua para as fazer. Compre também alguns brinquedos, adaptados ao seu tamanho e idade, que irão promover interações positivas entre os dois e serão importantes no treino e maneio do seu comportamento. Tenha uma ração de qualidade disponível para lhe dar (se não for a mesma que ele fazia, não se esqueça de ter parte da anterior para misturar e fazer uma transição gradual).

 

3.     Marcar uma primeira consulta no médico veterinário

Esta primeira consulta será muito importante para que o seu novo cão seja avaliado e assim possa saber se está tudo bem com ele. É também a altura em que será delineado o seu plano profilático (vacinas e desparasitações) e onde poderá fazer questões acerca de saúde, comportamento e nutrição.

 

4.     Introduzir de forma gradual aos restantes “co-habitantes”

Nesta fase o cão além das mudanças de espaço e de rotinas, também terá que aprender a partilhar o espaço com outras pessoas e/ou animais. Evite forçar o primeiro contacto, promovendo um conhecimento mútuo natural para evitar conflitos.

 

5.     Educar segundo o reforço positivo

É normal que o cão faça “asneiras” nos primeiros tempos em casa, seja cachorro ou não. A forma como lida com isso é que determinará o sucesso da sua educação. Atualmente sabe-se que a melhor forma de educar/ treinar um cão é através do reforço positivo. Por exemplo, não deverá recriminá-lo ou castigá-lo se ele fizer as necessidades fora do sítio, pois isso só fará com que ele comece a fazer em sítios escondidos da casa. Deverá sim, premiar sempre que ele faça no sítio correto.

 

Se está a ler este texto e tem um novo membro da família em casa, parabéns e boa sorte!

 

Tomás Magalhães

Médico Veterinário

6 frutas que os cães podem comer (e quais deve evitar!)

Que frutas posso dar ao meu cão?

Existem várias frutas que são seguras para os cães, estando, inclusive, incluídas na formulação de várias rações, devido ao seu alto teor em vitaminas, minerais, carotenos e fibras. 6 exemplos são: maçã, banana, pêra, pêssego, melancia e manga. Estas frutas deverão ser dadas em pequenos pedaços/ fatias ou mesmo esmagadas. Nos dias quentes, poderão ser congeladas e dadas como um “petisco refrescante e saudável”.

Que cuidados devo ter ao dar estas frutas?

Apesar das 6 frutas acima referidas poderem ser dadas a cães, a verdade é que é preciso ter 2 cuidados principais:

  • Remoção prévia das sementes e caroços: nunca se deverão dar caroços aos cães, pois além do perigo de criarem lesões ao longo do trato gastrointestinal e de poderem causar possíveis obstruções, são também ricos em substâncias potencialmente tóxicas, como é o caso do cianeto.
  • Quantidade fornecida: as frutas são um aporte calórico extra relativamente à ração, sendo bastante ricas em açúcar, o que pode prejudicar a saúde do seu cão, se dadas em excesso. A regra básica, transversal a qualquer “snack”, é que não deverá representar mais de 10% das calorias ingeridas e que estão previstas para o dia.

 

Quais as “frutas proibidas”?

Existem algumas frutas que colocam em risco a saúde dos nossos cães e por isso nunca lhes deverão ser dadas. 2 exemplos são as uvas que podem causar insuficiência renal e o abacate, que contém uma substância chamada persina, que causa vómitos e diarreia. Os citrinos, como a laranja e o limão, apesar de não serem tóxicos, devem ser evitados, pois ao aumentarem a acidez gástrica, podem provocar sinais de inflamação do estômago (gastrite), principalmente em animais mais sensíveis.

 

                                    Tomás Magalhães

Médico Veterinário

 

O meu cão tem alergia à pipeta para as pulgas, e agora?

As pulgas e as carraças são um perigo quer para os cães, quer para as pessoas, uma vez que são veículos transmissores de doenças parasitárias. É necessário fazer uma prevenção cuidada para evitar a sua infestação, principalmente nos meses quentes em que a sua presença no ambiente é ainda mais preponderante.

Porque é que o meu cão fez alergia à pipeta?

Se o seu cão fez alergia à pipeta, é porque tem hipersensibilidade à substância ativa presente na mesma. Sabendo isso, deverá escolher outra forma de desparasitação externa, recorrendo a uma pipeta com outra composição, colocando uma coleira ou administrando em comprimido.

Geralmente em cães com história de hipersensibilidade cutânea, a melhor opção é o comprimido, porque evita a absorção através da pele, que aumentaria o risco de desenvolver reação local semelhante.

Com que frequência se tem que dar o comprimido?

Dependendo do comprimido escolhido, este deverá ser administrado mensalmente (Nexgard®, Simparica® ou Credelio®) ou de 3 em 3 meses (Bravecto®).

Quais as vantagens e desvantagens do comprimido?

Vantagens:

  • Facilidade na administração
  • Eficácia alta (como são produtos mais recentes, existe um menor número de resistências reportadas)
  • Biodisponibilidade do produto inalterada com os banhos (pode dar banhos sem comprometer a eficácia do mesmo)

Desvantagens:

  • Potencial intolerância em cães com hipersensibilidade gastrointestinal (raro)
  • Ausência de efeito protetor simultâneo contra o flebótomo transmissor da leishmaniose, contrariamente à maioria das pipetas e coleiras

 

Existem, assim, várias alternativas à pipeta quando o seu cão não tolera a aplicação da mesma. Resta apenas selecionar a arma que melhor se adequa a ele e prepará-lo para o combate contra as pulgas e carraças. Temos a certeza de que irá sair vencedor!

Tomás Magalhães    

Médico Veterinário