Tudo o que deve saber sobre o Cão de Água Português

 

Saiba tudo sobre uma raça sem grande divulgação, que rapidamente se espalhou pelo mundo depois de um exemplar se ter tornado o cão oficial do presidente Obama.

 

Origem

A história descreve a raça como originária do Algarve, onde era chamado de Cão d’Água Algarvio. Contudo, vários historiadores acreditam que a raça se originou nas planícies asiáticas, por volta de 700 A.C. Não há ainda consenso sobre qual o povo que trouxe os ancestrais da raça para a região agora ocupada por Portugal, descrevendo-se como os Berberes, ou Mouros nos séculos posteriores, ou pelos Godos, muito embora se pense que tenham sido estes últimos, dado que os cães dos Ostrogodos, originam o Caniche, que apresenta muitas caraterísticas semelhantes ao Cão de Água Português. Segundo o médico-veterinário Manuel Fernandes Marques, no seu livro “O Cão de Água”, publicado em 1938, os antepassados desta raça eram conhecidos pelos romanos como o “Cão Leão”, dada o seu particular corte de pelo. Esta antiguidade da raça poderá indicar que os seus antepassados são os mesmos dos do Caniche.

Em Portugal, o Cão de Água Português viveu em toda a costa de Portugal, onde foi usado para agrupar peixes em redes, recuperar redes rompidas, equipamentos perdidos e atuar como mensageiro entre navios e a costa. Sabe-se ainda que vários destes cães navegaram a bordo de navios, desde a costa Portuguesa até aos mares da Islândia.

No início do século XX, com o declínio da pesca e a introdução de novas tecnologias, a raça caiu em declínio. Ainda assim, O escritor Raul Brandão, na sua obra “Os Pescadores”, de 1932, descreve assim a atividade de um barco de pescadores de Olhão: “Tripulavam-no vinte e cinco homens e dois cães, que ganhavam tanto como os homens. Era uma raça de bichos peludos, atentos um a cada bordo a ao lado dos pescadores. Fugia o peixe ao alar da linha, saltava o cão ao mar e ia agarrá-lo ao meio da água, trazendo-o na boca para bordo”.

No início da década de 1930, o Dr. Vasco Bensaúde, um empresário açoriano dono de uma empresa de conservas, iniciou esforços para salvar a raça. A linhagem Algharborium teve os primeiros Cães de Água Portugueses registrados no Clube Português De Canicultura. O padrão original foi traduzido e minimamente revisto e ainda define exatamente como deve ser a conformação do Cão de Água Português, com base no trabalho para o qual o cão foi criado.

Em 1981, a raça foi considerada a mais rara do mundo, pelo livro de recordes do Guiness.

 

Cão de Água ou Cão d’Água?

Escreve-se de ambas as formas. Contudo, no Clube Português de Canicultura e nos diversos clubes oficiais de raças dos vários países, a designação da raça é Cão de Água Português.

Embora as parecenças da raça, não devem ser confundidos com o Cão de Água Espanhol ou mesmo o Cão de Água Francês.

 

O Cão de Água Português de hoje

O Cão de Água Português é uma raça reconhecida pela FCI (Federação Cinológica Internacional). Pertence ao grupo 8 (Cães levantadores (Retrievers) e cobradores de caça, e Cães de Água) e, dentro deste, à secção 3 – Cães de Água.

Porte: Médio

Peso: machos 19-25kg e fêmeas 16-22 kg

Altura ao garrote: machos 50-57 cm (idealmente 54 cm) e fêmeas 43-52 cm (idealmente 46 cm)

Cores: Preto, Castanho, Branco, ou Preto ou Castanho com manchas brancas

Tipo de pelagem: Existem dois tipos de pelagem: longa e ondulada, com pelo mais brilhante, e curta e encarapinhada, de pelo mais opaco. Têm pelo denso e abundante, cobrindo todo o corpo uniformemente. Não tem subpelo.

Aspeto geral: A cabeça é distintamente grande, e larga. Os olhos têm tamanho médio, sendo bem separados e um pouco obliquamente, sendo os olhos mais escuros os preferidos. Bordas dos olhos totalmente pigmentadas com bordas pretas em cães pretos, pretos e brancos ou brancos; bordas castanhas em cães castanhos. Orelhas inseridas bem acima da linha do olho, em forma de coração. Exceto numa pequena região na parte de trás, que permanece afastada da cabeça, as orelhas são mantidas bem contra a face. As pontas não devem chegar abaixo da mandíbula inferior. O pescoço é curto e musculado, sem barbela. O peito é largo e profundo, chegando ao cotovelo. As costelas são longas e bem arqueadas para fornecer a capacidade pulmonar ideal. A cauda não é ancorada, sendo grossa na base e afilando posteriormente. Quando o cão está atento, a cauda é mantida em anel, cuja frente não deve chegar à frente do lombo. A cauda fornece uma grande ajuda ao nadar e mergulhar, devido à sua largura.

Com ombros muito musculados, os membros anteriores são fortes e retas. Os pés são redondos e bastante planos, com dedos não dobrados, nem muito longos. As membranas entre os dedos são de pele macia, bem coberta de pelos e atingem as pontas dos dedos. A almofada central é muito grossa. Unhas pretas, castanhas, brancas e listradas.

Os membros posteriores são paralelos um ao outro, retos e muito musculosos na parte superior e inferior da coxa.

Tem uma expressão estável, penetrante e atenciosa.

Esperança de vida: 10-14 anos

 

Temperamento/ Comportamento

Dada a sua história, facilmente se compreende o facto de serem relatados como cães inteligentes, obedientes, e ótimos cães de guarda.

Têm um temperamento ativo, e resistente, mas também obediente. São amorosos e amigáveis, sendo companheiros extremamente leais.

O Cão de Água Português não se adequa, à vida no exterior de casa, sendo extremamente ligado à sua família e reagindo bastante mal à solidão. Assim, quando deixados sós, podem desenvolver comportamentos destrutivos.

Quando no exterior, se deixados sós, deve-se ter o cuidado de ter cercas altas ao redor do espaço, por forma a evitar que fujam.

 

Atividade/Exercício

O Cão de Água Português é uma raça com muita energia para gastar. Assim, o dono deve estar preparado para o exercitar diariamente e passar bastante tempo ao ar livre, muito embora, como referido previamente, gostem mais de estar dentro de casa.

Como o próprio nome indica, adoram a água. Assim, se puder, proporcione-lhe o contacto com a mesma.

 

Curiosidades

O Cão de Água Português tem membranas nas patas, o que o ajuda a movimentar-se na água.

Uma das particularidades desta raça relaciona-se com a inexistência de uma camada de subpelo, fazendo com que não exista troca de pelagem e, por consequência, com que largue muito pouco pelo. Foi precisamente o facto de o Cão de Água Português libertar menos pelo comparativamente a outras raças, que levou o Presidente norte-americano, Barack Obama, a adotá-lo na Casa Branca como cão de família, uma vez que a sua filha Malia sofre de alergia ao pelo dos cães. O primeiro cão chamou-se Bo (2008), tendo-se-lhe juntado uma fêmea, a Sunny (2012).

 

Patologias mais comuns

É uma raça bastante saudável. Contudo, como todas, tem problemas mais comuns. Estes são a a displasia da anca e questões relacionadas com a visão, como é caso das cataratas e da atrofia progressiva de retina.

 

Cuidados

Conforme referido acima, quando deixados a sós no exterior, deve-se garantir estarem cercados por vedações altas.

Apesar das qualidades do pelo, este deve ser escovado regular e extensivamente, por forma a não enrolar e não ganhar os vulgarmente designados “ninhos”.

 

Alimentação

Não existem quaisquer cuidados específicos no que toca à alimentação do Cão de Água Português. Como em todas as raças, a alimentação e dosagem deve ser ajustada à idade e nível de exercício do cão. Aconselhe-se sempre com o seu Médico Veterinário.

Dado serem cães bastante ativos, devem ter sempre acesso a água.

 

 

Amorosos, divertidos e companheiros, vão encher a sua casa e a sua vida!

 

 

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

As 5 raças de cães mais saudáveis

 

Uma das maiores prioridades relativamente aos nossos cães é a sua saúde. Quando escolhemos um cão, devemos, antes de mais, ter a noção de que quanto mais apurada a raça é, maior a probabilidade de ter patologias congénitas ou hereditárias. Desta forma, o cão mais saudável será aquele que não tem raça definida. Contudo, caso opte por uma raça pura, há algumas raças que têm menor historial de doenças.

 

Quais são então as raças mais saudáveis?

  • Chihuahua

Os chihuahua são conhecidos como a menor raça do mundo, pesando entre 1,5 e 3Kg e com uma altura entre 15 e 23cm. São cães leais, inteligentes, alertas, corajosos e rápidos, com uma esperança média de vida de 14 a 18 anos.

Exigem o mínimo de cuidado dos donos, requerendo pouco exercício diário, devido ao seu tamanho.

  • Pinscher

Também pequenos, embora menos do que os Chihuahua, pesam entre 3.5 e 5Kg, com uma altura entre os 25-30cm. Conhecidos como dedicados, vivazes, alertas, corajosos e rápidos, vivem habitualmente até aos 15 anos. Requerem algum cuidado no seu treino em casa, dado poderem desenvolver agressividade, possessividade e dominância.

São uma raça muscular e atlética, necessitando algum exercício diário.

  • Border Collie

Conhecidos pela sua agilidade, inteligência e obediência, são muito utilizados no Reino Unido para guiar ovelhas. Com um peso entre os 12 e 20Kg, medem entre 46 e 56cm. São cães persistentes, inteligentes, enérgicos, espertos e alertas. Têm uma esperança de vida de 10 a 14 anos. Requerem bastante exercício diário e acesso regular ao ar livre.

  • Caniche Miniatura

O caniche é uma raça de aparência nobre, um focinho esguio e um pescoço comprido, com pelagem abundante e encaracolada. Mede entre os 28 e 38 cm e pesa entre os 12 e 14 kg, podendo viver até aos 14 anos. Animados, sociáveis e carinhosos, os Caniches Miniatura são ótimos cães de companhia.

É uma raça bastante ativa que gosta de passear e, em particular, de brincar.

  • Husky Siberiano

Os Huskys são cães de tamanho médio, conhecidos pelas suas habilidades como cão de trenó e corrida, sendo relativamente saudável em comparação com outras raças do mesmo tamanho. Com uma esperança de vida de 11 a 13 anos, medem entre 50 e 60 cm e pesam entre 16 e 27Kg.

Necessitam bastante exercício diário, não suportando climas muito quentes, devido à sua elevada densidade de pelo, dado serem adaptados a climas com gelo e neve.

 

É importante lembrar que, independentemente da raça, é essencial garantir os cuidados adequados, uma dieta saudável e visitas regulares ao Médico Veterinário, por forma a garantir uma vida longa e feliz. A prevenção é o tratamento mais eficaz.

 

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

Como curar uma ferida do meu cão

 

Os nossos amigos são naturalmente curiosos e brincalhões, podendo magoar-se nas suas atividades.

O presente artigo sugere como tratar uma ferida do seu cão em casa. Contudo, realça-se que a ida ao Médico Veterinário é essencial, devendo ser efetuado o tratamento em casa, apenas como uma primeira abordagem, em caso de impossibilidade de deslocação ao médico. A profundidade da lesão, bem como a sua extensão podem gerar a necessidade de um tratamento diferenciado.

Antes de tocar

Lembre-se que as feridas doem. Embora um adulto saiba que não pode mexer e reagir, uma criança tenderá a chorar e espernear, especialmente quando tratamos a ferida. O mesmo acontece com os cães. Alguns cães, mesmo os mais dóceis, podem transformar-se em verdadeiras feras com a dor. É importante que tenha sempre alguém que o ajude a conter o animal, antes de examinar a ferida. Poderá ser necessária a utilização de um açaime.

O que não usar para limpar

Embora seja muito utilizada em medicina humana, a Povidona Iodada (vulgarmente conhecida como Betadine®), provoca a necrose dos tecidos, podendo atrasar a cicatrização. Este deve estar diluído a 10% quando utilizado.

O Peróxido de Hidrogénio (água oxigenada) é ótimo para parar o sangramento de feridas. Contudo, a sua utilização deve ser muito ponderada, dado levar também ele à necrose dos tecidos e atrasar a cicatrização.

Álcool. Recorde-se que a ferida por si, é o suficiente para alterar a tranquilidade do seu animal, podendo causar-lhe alguma agressividade pela dor. Não lhe deverá assim, juntar algo que o possa causar mais desconforto.

O que não utilizar para tratar

Antibióticos – A utilização de antibióticos deve ser simplesmente prescrita pelo Médico Veterinário. A utilização de um antibiótico deve atender à área, profundidade da ferida e extensão da lesão. A utilização do antibiótico errado ou desadequado, pode levar a resistências futuras a esse antibiótico. Também a dose deve ser ajustada ao peso do animal, podendo levar a intoxicações se desajustada.

Analgésicos – Tal como com os antibióticos, os analgésicos devem ser unicamente prescritos pelo Médico Veterinário. Falando do Paracetamol, dado ser o mais comum nas nossas casas, embora o cão não seja facilmente intoxicado por Paracetalmol, tal como os gatos, a dose deve ser ajustada ao seu peso. A sua utilização pode levar a danos hepáticos, quando não adequada. Este não é, inclusive, um fármaco com grande poder analgésico em cães.

Anti-inflamarórios – A utilização de anti-inflamarórios deve seguir a mesma regra dos analgésicos. Poderá facilmente intoxicar ou provocar graves danos hepáticos e/ou renais no seu cão com a utilização não controlada de anti-inflamatórios.

Material necessário

Água, água com sal (idealmente soro fisiológico), sabão, pano seco e limpo (idealmente, compressas).

Caso opte por utilizar um desinfetante, opte pela clorohexidina, mas se diluída a 2%.

O que fazer

Realça-se que os seguintes passos são elencados para o tratamento de feridas “comuns” como o equivalente a um joelho raspado ou um corte de superfície. Perante uma queimadura, o tratamento será distinto.

O primeiro passo será conter o cão e examinar cuidadosamente a ferida. A contenção poderá ser necessária para o restante tratamento.

Deverá começar por lavar a ferida com água abundante e sabão, por forma a retirar qualquer sujidade que possa existir.

Uma segunda lavagem com soro fisiológico é ideal. Caso não tenha à mão o soro fisiológico, poderá utilizar 1Litro de água engarrafada/fervida, adicionando-lhe 1 colher de café de sal (3,5 gramas). A solução salina tem propriedades antibacterianas, sendo útil para limpar a contaminação da ferida. É essencial que use a solução salina à temperatura ambiente. O calor leva à proliferação bacteriana.

Poderá então optar por utilizar de seguida a clorohexidina, desde que devidamente diluída. A utilização deverá ser semelhante ao uso do soro fisiológico descrito anteriormente.

Posteriormente, deverá secar a ferida. Para isso, idealmente, deve utilizar compressas esterilizadas. Caso não as tenha consigo, poderá utilizar compressas normais ou mesmo um pano lavado e seco.

Embora seja referido frequentemente que a saliva dos cães trata as feridas, deve evitar que o seu cão lamba a ferida, especialmente depois de lavada. Embora esta tenha capacidades antibacterianas, devido aos seus químicos, a sujidade da boca poderá também levar à infeção da ferida.

O próximo passo passará por se dirigir ao Médico Veterinário. Contudo, alguns passos adicionais poderão ser necessários. Caso a ferida seja aberta, deverá comprimir com a ajuda de um pano, por forma a diminuir o sangramento.

Caso o seu cão se tenha queimado o tratamento inicial passa por aplicar água fresca sobre a área, durante algum tempo, passando depois a aplicar panos embebidos em água fresca. Note-se que os panos devem gerar pouco pó e não terem fibras soltas. Os passos descritos no tratamento das feridas anteriores não se aplicam neste tipo de lesões. Deverá então dirigir-se ao seu Veterinário.

 

O tratamento em casa não é suficiente, na maioria das vezes, exceto em pequenas feridas e superficiais. Contudo, se corretamente aplicado, poderá ser essencial no tratamento da ferida.

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

Tudo o que precisa de saber sobre o Buldogue Inglês

 

Apesar do ar de mauzão, é uma raça extremamente dócil, calma e afetuosa.

 

Origem

A história indica que o Buldogue Inglês teve a sua origem em Inglaterra, ainda antes do século XIII. A raça foi selecionada para um desporto de lutas com touros (Bullbaiting), no qual o touro era enfurecido e atacado por vários cães, enquanto os espectadores assistiam e apostavam no resultado. Contudo, o estalão da raça na altura nada teria a ver com o atual, tratando-se de cães grandes, com mandíbulas enormes e, aparentemente, impermeáveis à dor. O nome buldogue vem exatamente de dessa prática. Em Inglês, bull significa touro e dog traduz-se como cão, daí o Bull dog.

O ponto de viragem na raça acontece quando, em 1835, são proibidos os desportos de sangue com animais em Inglaterra. Passaram então à clandestinidade, com as lutas de cães em caves. Esta atividade ilegal exigia cães com outras características, mais rápidos e animados do que o Buldogue calmeirão do início do século XIX.

Com a obsolescência do Bullbaiting e a clandestinidade das lutas, a raça enfrentou a extinção, com a resposta dos admiradores deste animal a iniciarem o longo processo de transformação da raça, desde um lutador, a um cão companheiro, meigo e calmo. Tornou-se assim, por diversos critérios de seleção, num cão mais atraente e doce.

Hoje, é um conhecido símbolo de Inglaterra. Utilizado nos EUA como mascote de diversas entidades, como as equipas de desporto da Universidade de Yale, ou da Universidade da Georgia, bem como do Corpo de Fuzileiros dos EUA, é também símbolo e mascote de diversas entidades por todo o mundo.

 

Bulldog ou Buldogue?

As diversas pesquisas mostram alguma confusão na nomenclatura da raça. Em Inglês escreve-se Bulldog, enquanto em Português se escreve Buldogue. Contudo, a nomenclatura é muitas vezes utilizada em simultâneo num mesmo texto. Uma outra distinção a fazer é relativa ao nome da raça. Apesar de o nome correto ser Buldogue Inglês, distinguindo-o dos restantes Buldogues, é vulgarmente reconhecido apenas como Buldogue.

 

O Buldogue atual

O Buldogue é uma raça reconhecida pela FCI (federação cinológica internacional). Pertence ao grupo 2 (Pinshers e Schnauzer – Molossóides, Boieiro suíço e Cães de gado) e, dentro deste, à secção 2.1- Raças Molossoides, Tipo Mastif;

Porte: Médio

Peso: machos 24-25kg e fêmeas 22-23 kg

Altura ao garrote: 31-40 cm

Cores: As cores variam entre branco, preto, fulvo, castanho claro e escuro (descrito como vermelho), podendo ser com coloração homogénea ou com a mistura de cores vermelha/castanha clara e branca, tigrado vermelho, tigrado vermelho e branco, tigrado fulvo e vermelho, com manchas vermelhas/fulvo sobre fundo branco. As variantes com cor preta também existem, embora tenham menos distinção nos diversos clubes de canicultura.

Aspeto geral: Em termos gerais, o Buldogue não pode ser confundido com qualquer outra raça. A cabeça é grande, com focinho curto, pele flácida, a testa franzida e o nariz cravado. A pele em torno da boca é mais longa, descendo abaixo da mandíbula. As orelhas são pequenas, caindo ligeiramente ao lado da cabeça. O pelo é curto, suave e brilhante. O corpo é musculado e as pernas são curtas, tendo o peito largo.

Esperança de vida: 8-10 anos

 

Temperamento/ Comportamento

Apesar do aspeto intimidador, são dos cães mais gentis, calmos e afetuosos. São conhecidos por estarem sempre bastante alerta e serem corajosos. Um dos grandes atributos que o tornam popular é a afetuosidade e calma com as crianças. São cães descritos como teimosos e determinados, que necessitam algum treino e persistência. Não gostam da solidão, devendo-se evitar deixá-los sós por longos períodos.

 

Atividade/Exercício

Embora felizes a relaxar junto dos donos, apreciam uma caminhada ocasional. O exercício moderado ajuda o Buldogue a ficar em forma. Contudo, devem-se evitar grandes exercícios em dias de maior calor.

Devem ser evitados pisos irregulares ou com escadas, devido à alta probabilidade de desenvolverem problemas articulares.

Os Buldogues gostam também de água, embora, pela sua morfologia, sejam péssimos nadadores. Deve-se evitar o acesso a águas sem pé.

 

Patologias mais comuns

O facto de esta raça ter sido modificada ao longo das últimas décadas, por forma a terem o comprimento do corpo e da cauda encurtados, acarretou vários problemas a nível de saúde, particularmente a nível respiratório, locomotor, problemas dermatológicos e cardíacos.

Algo típico dos Buldogues é o som da sua respiração, com o característico ronco, devido à dificuldade do ar ao passar nas vias respiratórias. Este som é mais pronunciado quando dormem e respiram pelo nariz. É comum a necessidade de recorrer ao Veterinário para uma cirurgia corretiva das vias respiratórias, devido ao Síndrome do Braquicéfalo.

São também predispostos a sofrerem de patologias da coluna, nomeadamente de displasia da anca, devido ao elevado peso que carregam sobre os membros,  hérnias discais e hemivértebras, devido à má formação das suas vértebras.

As alergias, a dermatite das pregas, os quistos interdigitais, e o vulgarmente designado “olho de cereja”, são patologias também frequentes, exigindo por isso cuidados acrescidos por parte dos donos.

Estão ainda descritas diversas patologias hereditárias e congénitas: hiperuricosuria, acne, foliculite, dermatites, distiquíase, entropion, ectropion, problemas dentários, fenda do palato, lábio leporino, hipoplasia da traqueia, fistula arteriovenosa, síndrome de Von Wilebrand, hidrocefalia, tumor das glândulas perianais, hipotiroidismo.

Importa ainda salientar que mais de 80% dos Buldogues nascem por cesariana, devido às suas grandes cabeças, impossibilitando-os de passar no canal de parto.

Apesar da curta esperança de vida, são reportados casos de cães que superam a média, quando devidamente cuidados e alimentados.

 

Alimentação

Este é um fator determinante para o aumento da longevidade do Buldogue. Qualquer dieta deve ser apropriada à idade do cão. Embora esta adaptação da dieta à idade seja transversal para todas as raças, é particularmente importante no caso do Buldogue. O Buldogue, pela sua reduzida atividade, tende a acumular mais peso, devendo a dieta ser restrita e adequada.

Os Buldogues têm também grande tendência a problemas de pele, podendo a causa ser alimentar, devendo a dieta ser adequada a tais situações.

Deve sempre consultar o seu veterinário sobre a melhor opção alimentar, caso tenha um Buldogue.

 

Cuidados a ter

São necessários cuidados diários para manter o cão saudável. Dado terem bastante pele na região do focinho e região genital, deve ser cuidadosamente limpa a pele entre as pregas de pele nessas localizações. Devem também ser limpos mais frequentemente do que nas restantes raças, os ouvidos e os olhos.

Dada a sua reduzida atividade, devem ser ainda estimulados a um pouco de exercício, não exagerando, dada a sua condição respiratória e cardíaca mais frágil. Dados estes problemas, os donos devem ainda atender às condições de temperatura e humidade da casa, uma vez que reagem muito mal a temperaturas e humidade elevadas.

 

O futuro da raça

Ainda que diversos Veterinários defendam que a raça deva evoluir para padrões suscetíveis de menores patologias, os vários clubes da raça espalhados pelo mundo, e as associações de canicultura defendem a continuidade da raça, tal como a conhecemos. Um dos ecos de alerta que se começam a fazer sentir vem da Holanda, que avançará com a proibição de criação desta raça, entre outras.

 

Longe do cão de luta para que foi criado e, apesar de todas as características menos positivas da raça, enchem rapidamente o nosso coração, pelo seu doce temperamento.

 

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

6 raças que precisam de pouco exercício diário

Caniche miniatura

O Caniche miniatura é um cão animado e inteligente, que se adapta muito bem à vida num apartamento. É uma ótima opção para crianças e idosos. É uma raça caracterizada pela sua dedicação e amor ao dono, relacionando-se bem com qualquer tipo de pessoa.

Embora seja ativo, não o leve consigo para a corrida diária. Fá-lo-á desistir.

Yorkshire Terrier

Tem uma personalidade, descrita por alguns, como grande para seu tamanho, sendo classificada como destemida, carinhosa, afetuosa, versátil e independente. É um animal muito irrequieto e nervoso, sempre alerta e atento. Talvez por isso, necessite de pouco exercício, dado gastar as suas energias durante o dia, na guarda da casa.

Chihuahua

Os Chihuahuas são das raças mais pequenas do mundo. É descrito como extremamente delicado, afetuoso e possessivo. São reconhecidamente ágeis e inteligentes dentro de casa, necessitando assim pouco exercício diário.

Bulldog Francês

São cães extrovertidos, alegres, brincalhões, atléticos e, acima de tudo, afetuosos com pessoas de todas as idades. É um cão adorado pelas suas feições e personalidade únicas.

São cães preguiçosos, que requerem o mínimo de exercício para se manterem alegres e saudáveis.

Pequenês

Têm uma personalidade independente e uma desconfiança instintiva com estranhos, alertando sempre os seus donos da presença de desconhecidos.

O comportamento calmo dentro de casa aliado ao pequeno tamanho, faz do Pequinês um excelente cão de apartamento.  Um passeio tranquilo na companhia do seu dono é o que mais se adequa ao temperamento da raça.

Pinscher miniatura

É uma raça requer os cuidados base, para a manutenção do bem-estar. O seu tamanho torna-o ideal para se adaptar bem em diversos ambientes.

São descritos como cães leais, valentes, persistentes, inteligentes, obedientes e curiosos.

Além das raças descritas acima, poderemos enumerar, de entre outras raças o Buldogue Inglês, Pug, King Charles Cavalier, Teckel miniatura, Basset Hound, Dogue de Bordeus, Lulu da Pomerânia, Shih Tzu, Mastim, Akita, Lhasa Apso, Spitz, Dogue Alemão, Chow-Chow, São Bernardo, Galgo Italiano.

Embora estas sejam raças que precisam de pouco exercício diário, não se esqueça que o passeio e exercício diários são essenciais para a manutenção do bem-estar do seu animal.

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

Porque é que os cães preferem brinquedos com barulho?

Existem várias teorias sobre o porquê de os cães tanto adorarem este tipo de brinquedos.

Pelo instinto de caça

A teoria mais comum é a de que os cães privilegiam este tipo de brinquedos, devido ao seu instinto de caça. O facto de os cães serem descendentes dos lobos leva a que assimilem o som do brinquedo ao de uma presa assustada, e os instintos do cão fazem-no reagir a estes ruídos. Isto explica o porquê dos cães perderem o interesse no brinquedo quando o seu barulho diminui – a presa está morta. Contudo, alguns cães não perdem o interesse até que o brinquedo esteja totalmente destruído.

Muitas pessoas tendem a rejeitar esta teoria pelo afeto que sentem pelo seu companheiro, levando a pensar que o seu querido e fiel patudo não é um verdadeiro caçador. Contudo, quem defende esta teoria diz não se poder lutar contra a natureza.

Ao deixar o seu cão brincar com estes brinquedos, deixa-o ser um cão. Deixá-lo “caçar” o seu brinquedo fá-lo libertar imensa energia e libertar o seu lado selvagem. Se o seu cão tiver o tempo adequado com o brinquedo, pode reduzir inclusive comportamentos indesejados com outros objetos ou mesmo com pessoas.

Para terem a sua atenção

A atração dos cães pelos brinquedos com barulho poderá advir da sua interação com humanos. Se pensarmos nisso, ao fazerem este barulho, prendem também a nossa atenção. Poderá nem sempre ser uma atenção positiva, mas o seu cão preferirá tê-la do que não ter qualquer atenção da sua parte.

Ver o cão ficar entusiasmado com um brinquedo é ótimo para os donos. Porém, deve recordar que quando o cão começa a ficar obcecado com ele e a tentar destruí-lo, é hora de lho retirar. Lembre-se que a ingestão de um corpo estranho deste tipo, pode levar o seu cão à mesa de cirurgia. Felizmente, nem todos os cães chegam a este tipo de extremos.

Para enriquecimento mental

O acto de morder estes brinquedos leva a à estimulação mental que os cães procuram e desejam. O som do brinquedo ativa o centro de recompensa do cérebro do cão. Isto gera sentimentos de prazer no seu cérebro, que o faz querer morder ainda mais.

Ao brincar, o cão exercita-se, mantendo-se também ocupado e reduzindo a sua ansiedade.

Causa-efeito

Uma outra teoria diz que a reação do cão aos barulhos do brinquedo é unicamente um efeito face a uma causa. Os cães gostam dos brinquedos com barulho, simplesmente porque fazer barulho. Por outras palavras, gostam do resultado de morder o brinquedo e deste produzir som. Para um cão, o ato de brincar com estes brinquedos, é uma experiência divertida que lhe dá uma recompensa instantânea.

Independentemente da teoria, aproveite e dê um destes brinquedos ao seu cão. Ele adorará!                                            

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

 

O que é a medicina veterinária holística?

Holismo, o que é?

Segundo o dicionário da língua portuguesa, holismo é a “doutrina que concebe o indivíduo como um todo, que não se explica apenas pela soma das suas partes, apenas podendo ser entendido na sua integridade; conceção, nas ciências humanas e sociais, que defende a compreensão integral dos fenómenos e não a análise isolada dos seus constituintes.” Assim, a prática do holismo trata o corpo como um todo.

Significa captar toda a imagem do paciente, isto é, o ambiente, o padrão da doença, a relação do animal de estimação com o proprietário, e desenvolver um protocolo de tratamento usando uma ampla variedade de terapias para curar o animal. O profissional holístico está interessado, para lá da história médica, também em genética, nutrição, meio ambiente, relacionamentos familiares, níveis de stress e outros fatores.

 

Em que consiste?

As técnicas utilizadas pela medicina holística são muito simples e minimamente invasivas, envolvendo o bem-estar animal e a redução do stress. O pensamento holista é centrado no amor, empatia e respeito.

A abordagem inicial da medicina veterinária holística, passa por reforçar os mecanismos de cura naturais do organismo, reservando a utilização de fármacos para último recurso. Procura-se assim a utilização dos mecanismos naturais do corpo.

A procura pela saúde é uma das premissas, procurando-se evitar as doenças com base numa boa alimentação, aumento da imunidade, melhoria do bem-estar. A ideologia “somos o que comemos” é assim um dos ideais da medicina holística, procurando-se a alimentação por alimentos naturais, não processados.

Na abordagem terapêutica ao animal doente, o veterinário holista inicia o tratamento com base em técnicas não farmacológicas ou cirúrgicas, a menos que a doença assim o “exija”. A terapia inicial será com base em produtos naturais e/ou medicinas alternativas, tais como a homeopatia, utilização de nutracêuticos, fitoterapia, aromaterapia, quiroprática, osteopatia, entre outras. A terapêutica farmacológica é apenas utilizada em caso de última necessidade, perante uma não resposta às terapias iniciais. Contudo, não deveremos confundir a medicina holística com medicina alternativa, dado esta utilizar não só as terapias alternativas, como também as técnicas da medicina tradicional.

Uma vez tratados os sintomas, a atuação do médico veterinário holista não está ainda completa, até que os padrões da doença tenham sido redirecionados. Ou seja, o paciente será guiado para um novo nível de saúde, procurando-se não só a saúde física, mas ainda a mental e emocional, e a sua manutenção de forma duradoura.

 

A abordagem holista

A visita a um veterinário holista é em tudo semelhante à de um veterinário tradicional. Ele irá examinar o animal e, em conversa, tentar chegar à sua história clínica. A abordagem ao animal passará pela análise do aspeto geral do animal, os linfonodos, medindo-se a temperatura, auscultando-o, entre outros métodos que sejam necessários, tais como a recolha de amostras de sangue, entre outras. As principais diferenças que poderá notar serão a provável ausência da bancada em inox, sendo o seu cão examinado no chão, ou mesmo num ninho. Deverá estar preparado para responder a perguntas menos comuns de um veterinário, como sobre o estado emocional do seu cão, devendo também a consulta demorar mais. Por último, as recomendações do veterinário poderão requerer maior esforço da sua parte, necessitando adicionar, por exemplo, ervas ou alguma terapia homeopática à comida do animal, exercitando-o mais, entre outros.

Assim, embora a prática do holismo se resuma em poucas palavras (“trata o corpo como um todo”), a sua amplitude é extremamente abrangente. Exemplificando com um animal que se apresentasse com otite. Visto por um veterinário holista, este começaria por pesquisar todo um historial que lhe permitisse saber como ficou com otite. Seria analisado tudo o que envolvia o paciente, incluindo o seu bem-estar emocional. A otite poderia ser causada por diminuição da imunidade do animal, devida a problemas nutricionais ou de aumento da sua ansiedade. A prática passaria provavelmente pela medicação do animal, tentando-se inicialmente outras abordagens mais naturais, sugerindo-se também alterações no estilo de vida, por forma a evitar problemas persistentes e recorrentes. Outro dos exemplos que se poderá dar é o caso da desparasitação preventiva. Neste caso, o uso de fármacos seria deixado para casos de patologia provocada pelos parasitas, privilegiando-se como prevenção a utilização de nutracêuticos e fitoterapia.

 

Mas o meu veterinário já tem algumas práticas holísticas então…

O facto de em Portugal, apenas agora, terem começado a surgir especialistas, faz com que a maioria dos veterinários no nosso país tenham uma abordagem um pouco holista, vendo o animal como um todo e não se centrando apenas no tratamento da doença, mas também na sua prevenção, por meio de melhorias da dieta, alterações de comportamento, melhoria do bem-estar, entre outros itens. É certo que a ideologia holista se centra também em meios alternativos e começa a sua abordagem terapêutica com base nesses meios, daí ser importante a distinção. Contudo, esta distinção é mais notória nos EUA ou noutros países Europeus.

 

Interessado em medicina holística? Aconselhe-se com o seu Médico Veterinário.

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

O meu cão perdeu o apetite. Devo preocupar-me?

O que é a falta de apetite?

A perda de apetite em cães é chamada anorexia. Esta pode ser parcial, referindo-se aos animais que ainda comem, mas não o suficiente para os manter saudáveis, ou completa, quando a perda de apetite é total.

O termo anorexia em cães nada tem a ver com a terminologia de anorexia nervosa que associamos aos humanos. Este é um sintoma indicativo de uma grande variedade de possíveis problemas subjacentes.

 

O que poderá ser?

A anorexia em cães poderá estar associada a problemas físicos, mentais, emocionais, ou outras patologias que poderão ser mais ou menos graves. Passaremos a referir abaixo algumas das mais importantes, ressalvando sempre que, num caso destes, deverá consultar o seu Médico Veterinário. Algo que pode ser tratado numa fase inicial pode evitar complicações futuras.

 

  • Come sem você saber: Esta é a primeira pergunta que deve procurar responder, até porque será provavelmente uma das primeiras que o seu Veterinário lhe fará em consulta. Se o seu cão tem livre acesso ao exterior, poderá estar a ingerir algo mais do que a comida que lhe dá em casa. Os cães têm hábitos de caça, podendo alimentar-se de animais aos quais acedem no exterior. Lembre-se ainda se o seu cão não tem a possibilidade de se alimentar do prato de outro cão nas proximidades.

 

  • Comeu algo que não devia: Os cães não diferenciam algo comestível, do tóxico ou estragado, ou mesmo do que não é simplesmente comestível, como as suas sapatilhas. A perda de apetite está muitas vezes associada a algo que ingeriu e não deveria. Deverá salvaguardar sempre o acesso do cão a eventuais venenos ou tóxicos, tais como anticongelantes, óleos, adubos e mesmo medicamentos. Mesmo algo tão apetecível como chocolate, café ou uvas, tem danos tóxicos em cães. Os tóxicos encontram-se também no seu jardim, em plantas ornamentais, tais como lírios, begónias, oleandros, azáleas, aloé vera, azevinho, entre muitas outras. Mas os problemas de anorexia não estão simplesmente associados a tóxicos, podendo o seu cão ter ingerido uma simples meia, bola ou outro corpo estranho que lhe cause obstrução do tubo digestivo, ou mesmo algo cortante, como um garrafão de água que use como brinquedo, e lhe possa causar danos internos, perdendo o apetite em resultado disso. Quer os tóxicos, quer os corpos estranhos, são casos de urgências veterinárias. Contudo, nem sempre a ingestão de algo estranho é tão grave, podendo ter ingerido um simples inseto, erva em excesso, ou algo tão apetecível que tenha encontrado na sua cozinha, como queijo, pão, entre outros, e que lhe cause indisposição temporária.

 

  • Dor:  Tal como os humanos, também os cães são mais ou menos sensíveis à dor, variando a sensibilidade de cão para cão. Assim, esta pode ser mais ou menos limitativa no apetite do seu cão. Importa aferir se sofreu algum traumatismo em resultado do exercício, de interação com outros animais, ou mesmo humanos. A dor poderá não ser apenas traumática, podendo advir de outras patologias, que veremos adiante.

 

  • Stress: Os cães gostam que tudo à sua volta se ajuste aos seus sentidos. Uma mudança no ambiente circundante pode levar o seu cão a ficar afetado pelo stress, podendo isso afetar o seu apetite, tal como acontece connosco. Conhecendo o seu cão melhor do que ninguém, em caso de stress, poderá e deverá intervir, para proporcionar ao seu cão o melhor bem-estar possível, e evitar ou corrigir eventuais causas de stress que o levem a diminuir o apetite.

 

  • Doença: Um simples problema dentário, a problemas sistémicos, tais como infeções, doenças infeciosas, problemas hepáticos, renais entre outros, podem afetar mais ou menos, e de forma diversa, a capacidade do seu cão em comer e o apetite do mesmo.

 

  • Diminuição da atividade: A diminuição do apetite poderá estar associada à redução da atividade do seu cão. Simples fatores, como a estação do ano (mais frio ou mais calor), a restrição do animal a um pequeno espaço sem estímulos, ou mesmo a idade, poderão diminuir o apetite. Por vezes, levar o seu cão a passear próximo da hora da refeição poderá ser suficiente para solucionar o problema.

 

  • Dieta: A escolha da dieta deve ser a apropriada ao estilo de vida, idade e saúde do seu cão. Uma dieta não adequada pode levar à diminuição do apetite. Nesse sentido, aqui na Barkyn, pode contar com profissionais que o poderão auxiliar na escolha da melhor dieta para o seu animal.

 

 

Assim, em caso de anorexia, procure o seu Médico Veterinário, tentando recolher o máximo de sinais para facilitar o diagnóstico o poder intervir o mais cedo possível. Apesar da variedade de causas, o prognóstico é geralmente bom quando solucionada cedo, ganhando os cães o apetite rapidamente após solucionada a causa.

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

 

 

Como manter o seu cão em forma nos dias mais frios

Em quem está o problema? Como o solucionar?

Com o tempo frio, passear com o seu cão também se pode tornar desagradável para si. Contudo, nunca se esqueça dos benefícios de caminhar, sendo inclusive recomendado pela Organização Mundial de Saúde e Direção Geral de Saúde como um incentivo ao combate ao sedentarismo típico desta altura do ano. Para além dos benefícios para a sua saúde, de acordo com a Associação Americana de Medicina Veterinária, a caminhada proporciona ao seu cão exercícios essenciais e estimulação mental. A atividade permite aos cães explorar novos aromas e cheiros além da sua casa. É também importante manter a atividade física do seu cão, para queimar as calorias em excesso, em consequência do maior tempo que fica parado para se proteger do frio.

Se o frio for extremo, deve optar por vestir algo ao seu cão, para o proteger do clima. Também os cães têm diversos níveis de tolerância ao frio, sendo mais notória a sensibilidade nos cães de pelo curto e mais claro. Também a chuva pode ser limitativa. Neste caso, deve optar por algo impermeável, para evitar que se molhe, e secar as suas patas ao terminar o passeio, pois no inverno terá mais dificuldade em secar, e sentirá mais o frio.

Se não quiser passear, poderá ter a sua solução nos parques de atividades para cães. Estes já existem em diversas cidades e em diversos locais na mesma cidade. Aqui, o seu cão poderá ser incentivado a um exercício mais intenso do que o simples passeio. Este percurso de atividade pode também ser criado no seu jardim, se tiver condições para isso. Um túnel, uma rampa, ou uma ponte, bem como barreiras para saltar serão alguns dos itens que poderá instalar. Não se esqueça contudo de o vestir adequadamente, tal como anteriormente descrito.

Se o clima o “impedir” de sair, poderá também exercitar o seu cão em casa. O passeio em passadeira elétrica é possível, desde que em velocidade moderada e após o seu cão se adaptar. Terá a limitação de não o estimular mentalmente ao não ver outras pessoas e outros animais.

Ainda em casa, o exercício mental é também importante. Este poderá ser facilmente conseguido escondendo guloseimas. Estes brinquedos libertam guloseimas para o seu cão  comer, enquanto brinca, e os quebra-cabeças fortalecem as habilidades de resolução de problemas e as habilidades de pensamento crítico do seu cão. Além disso, a atividade física interna queima calorias.

 

E se não estiver mesmo disposto a ir para o frio?

Existem já diversas instituições de “pet sitting” e “ATL” para cães. Nestes estabelecimentos, o seu cão poderá fazer as atividades anteriormente descritas, sem que você se sacrifique em sair para o frio. Terá sempre alguém devidamente certificado para o fazer por si.

 

Aconselhe-se com o seu Médico Veterinário

Nunca se esqueça de se aconselhar com o seu Médico Veterinário se notar algo de errado com o seu companheiro, tal como dificuldade em andar, dificuldade em efetuar alguns movimentos, “mancar”, tosse, entre outros. Tal como nós, também o corpo deles fica mais fragilizado no inverno, sendo nesta altura que muitos dos problemas se acentuam e acabam por mostrar sinais, tais como os problemas articulares.  

É importante a medição regular do peso do seu cão. Com menor atividade, também a quantidade de comida deve ser ajustada, por forma a que não ganhe peso em excesso.

Faça do inverno uma estação divertida e aproveite-a como o seu patudo!

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária

Como introduzir o meu bebé ao meu cão?

Não existe propriamente uma regra, devendo as dicas seguintes serem adaptadas caso a caso. Conhece o seu cão melhor do que ninguém e, tendo um cão calmo e meigo, algumas das frases que se seguem podem deixar de fazer grande sentido.

A introdução começa antes de o bebé nascer

A introdução deve começar ainda antes de o bebé nascer. Lembremo-nos da fragilidade de um bebé: devem ser criados limites a comportamentos agressivos, impulsivos ou mesmo de excitação.

Nesta fase, o seu cão deve saber respeitá-lo e saber ocupar o seu espaço, o espaço que lhe é dado por si. Crie espaços limite para o seu cão.

Tanto a sua como a rotina do cão serão alteradas. Assim, deve começar a fazer mudanças graduais na rotina dele, tais como horas de passeio, local onde dorme, entre outros. Isto evitará que o cão associe que tudo mudou por causa do bebé.

Os sons em sua casa irão alterar. O cão passará a ouvir bastante choro, podendo ser algo que o incomode. Deve assim apresentar-lhe este novo som várias vezes, até se tornar algo habitual para ele. Use para isso algo tão simples como a internet.

Apresente-lhe alguns brinquedos do seu futuro bebé. É importante que os saiba distinguir dos dele. Estabeleça limites para estes, por forma a que saiba que não pode brincar com eles. Se o seu cão não aprendeu os limites e acabar por pegar em algum brinquedo do bebé, não o castigue por isso. Substitua simplesmente por outro. Ele não deve associar o bebé a algo negativo.

 

Após o nascimento

Ainda com o seu bebé na maternidade, comece por trazer algo com o seu cheiro e apresente-o ao seu cão. Nesta fase, deve incitar o cão a cheirar com alguma distância. Ao fazer isto, diz ao seu cão que este cheiro é “seu” e que lhe dá permissão para o cheirar.

Ao trazer o bebé para casa, minimize a ansiedade do cão e leve-o para um grande passeio, antes de o bebé entrar, por forma a que o cão esteja num estado calmo-submisso quando chegar a casa. Nesta fase, ao já lhe ter dado a conhecer o novo cheiro que está em casa, não haverá stress por parte dele.

Aquando do primeiro contacto, o bebé deve estar numa alcofa/cama, por forma a poder mimar o cão quando o apresentar. Se alguém estiver com o bebé ao colo, é importante que essa pessoa esteja num estado bastante calmo, por forma a não transmitir a ansiedade ao cão.

Nos primeiros contactos, deve ser mantida uma certa distância, por forma a que o seu cão saiba qual o seu limite. Há quem defenda o uso de trela nestes primeiros encontros, de modo a poder controlar comportamentos indesejáveis. Ao longo do tempo, e após saber qual a sua reação e comportamento, poderá reduzir este limite.

Tal como referido antes, a atenção qure dará ao seu cão irá diminuir. Contudo, não se esqueça nunca da sua presença! Mime-o com o seu bebé próximo, para que este não seja uma ameaça para ele.

 

Feito tudo isto: deve dar tempo a ambos, para que se tornem os melhores amigos!

 

Mónica Carvalho

Médica Veterinária