O meu cão terá displasia da anca?

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É uma patologia hereditária que acomete a articulação coxo-femoral (zona de união do fémur à bacia), causando instabilidade articular, inflamação e doença degenerativa articular.

cão

Aparece com mais frequência em cães grandes de crescimento rápido, sendo o Pastor Alemão e o Labrador das raças mais afetadas. A displasia da anca pode manifestar-se desde cedo, em animais jovens entre os 5 e os 12 meses de idade, ou manifestar-se como patologia crónica em animais geriátricos.

 

Sintomas da displasia da anca

Dificuldade em caminhar, com claudicação e uma marcha anormal, e dor à manipulação e extensão da anca. Animais com displasia da anca tendem a ficar com os músculos dos membros posteriores atrofiados, uma vez que transportam grande parte do peso do corpo para os membros anteriores com o objetivo de diminuir a sobrecarga da anca. Cães com displasias de anca em fase inicial podem não demonstrar sinais clínicos nem dor.

 

Como diagnosticar – que testes devem ser realizados?

Devem ser realizadas projeções radiográficas, idealmente com o animal sedado. O exame radiográfico pode ser feito desde cedo, a partir dos 7-18 meses de idade. A displasia da anca é dividida em diferentes categorias conforme a severidade da mesma, tendo em conta as alterações radiográficas da articulação coxo-femoral identificadas e a manifestação dos sinais clínicos.

 

Tratamento – Correção definitiva, controlo das manifestações clínicas e prevenção do agravamento da patologia

O tratamento definitivo só é possível ser feito através de uma correção cirúrgica, recorrendo a técnicas como a osteotomia tripla ou a ablação da cabeça do fémur.

A dor existente deve ser tratada com medicação anti-inflamatória em fases agudas. Está recomendada a suplementação com condroprotetores, a alimentação com rações próprias para suporte de problemas articulares e o controlo de aumentos de peso.

Durante a idade de crescimento, animais predispostos a displasia da anca não devem ser alimentados com dietas muito energéticas. Devem ser escolhidas rações de júnior para raças de grande porte, para que o ganho de peso acompanhe o crescimento do animal.

Os cães com displasia da anca não devem ser utilizados para reprodução, uma vez que a patologia tem um caráter hereditário. Animais para reprodução cujas raças são predispostas a este tipo de problema são sujeitos a descarte de displasia da anca através de exames radiográficos. A execução de testes genéticos para avaliação da existência desta condição é ainda promissora, contudo constituirá num futuro próximo um teste diagnóstico bastante útil e fiável.

Daniela Leal
Médica Veterinária de Animais de Companhia

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