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Lúpus eritematoso sistémico e discóide: em que consistem?

O lúpus eritematoso sistémico e o discóide são doenças auto-imunes – as células de defesa do organismo “atacam” os seus próprios tecidos. Leia mais.

Filipa Calejo

Filipa Calejo

Veterinária
3 min de leitura

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O lúpus eritematoso sistémico e o discóide são ambos doenças auto-imunes. Isto significa que, as células de defesa do organismo, não o reconhecem, acabando por desenvolver “reações de ataque” a determinadas células, tecidos e órgãos próprios.

Qual a sua causa? Como se desenvolve a doença?

A sua causa é desconhecida, acredita-se que haja uma predisposição genética em associação a fatores de risco como a exposição a um estímulo (fatores ambientais, fármacos ou agente infecioso) provocando uma reação inflamatória exacerbada.

Lúpus eritematoso sistémico (LES):

Doença de carácter multi-sistémico, afeta nomeadamente os rins, articulações, pele e vasos sanguíneos. As raças como o Pastor Alemão, Collie, Beagle e Poodle estão mais predispostas a esta doença. É mais comum em animais de meia idade e não tem uma predisposição sexual.

Quais os sintomas mais comuns?

Como é uma doença que afeta vários órgãos, pode apresentar diversos sintomas:

Pode ter uma manifestação lenta e prolongada ou episódios agudos.

Como é realizado o diagnóstico?

Não é um diagnóstico fácil, são necessários vários exames para o seu Médico Veterinário confirmar a suspeita de LES, como:

  • Hemograma e bioquímicas
  • Punção articular – cultura e análise do líquido sinovial
  • Biópsia/raspagem de pele
  • Ecografia
  • Urianálise (análise à urina)
  • Ecocardiografia
  • Pesquisa de anticorpos anti-nucleares (ANA) 

Tem tratamento? 

É uma doença sem cura, de tratamento contínuo. Os corticoesteróides são a base do tratamento, sendo inicialmente recomendado uma dose alta e progressivamente um desmame ao longo de semanas ou meses.

Deverá estar atento a possíveis complicações associadas aos efeitos secundários da medicação como infeções secundárias, úlceras gastrointestinais, entre outros.

É uma doença grave? Qual o prognóstico?

Sim, com prognóstico de reservado a mau.

A sua severidade, assim como prognóstico, variam de acordo com a resposta do animal ao tratamento. Alguns animais vivem anos sem complicações, apenas requerem ajuste na medição ao longo do tempo. Contudo, outros animais infelizmente não respondem à medicação, podendo nesse caso ser fatal.

A anemia e a insuficiência renal são duas complicações graves e potencialmente fatais do LES.

 

O lúpus eritematoso discóide: 

O Lupus eritematoso discóide ou cutâneo é considerado uma variante do LES, na qual há um envolvimento predominante do plano nasal, face e orelhas. As raças como o Pastor Alemão, Collie, Husky Siberiano e Chow-Chow estão mais predispostas a esta doença.

Quais os sintomas mais comuns?

Numa primeira fase verifica-se despigmentação nasal e dos lábios, que evolui para erosões e ulcerações, podendo também ocorrer nos membros distais e genitália.

Como é realizado o diagnóstico?

Com recurso a biópsia e histopatologia das lesões.

Qual o tratamento?

Terapia local e sistémica com corticoesteróides. É desaconselhado a exposição solar direta, e recomendado o uso protetor solar.

É uma doença grave?

Não ameaça a vida do animal, mas pode causar desfiguração.

 

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

 

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