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Insuficiência renal crónica nos cães

A insuficiência renal crónica (IRC) consiste num dano renal irreversível conduzindo a uma perda da função renal normal. Afecta principalmente animais adultos e seniores.

Filipa Calejo

Filipa Calejo

Veterinária
3 min de leitura

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Quais as principais consequências da perda da função renal?

O rim é responsável pelo controlo dos fluidos e expulsão de alguns detritos tóxicos do organismo. Assim quando a sua capacidade funcional é afectada podemos observar:

  • Azotémia  – retenção de ureia e creatinina no sangue;
  • Retenção de fósforo – Hiperfosfatémia;
  • Falta de ativação final da vitamina D – Hipertiroidismo renal secundário/ osteodistrofia renal;
  • Perda de proteína na urina – proteinúria;
  • Acidose metabólica;
  • Anemia não regenerativa – devido à diminuição da síntese de eritropoietina;
  • Urina diluída – incapacidade de concentrar a urina;
    Aumento da pressão arterial.

Que sintomas poderá um cão com IRC apresentar?

Numa fase inicial pode apresentar poucos, ou mesmo nenhum sintoma, devido à capacidade renal de compensar o dano, isto é, os nefrónios saudáveis “trabalham em excesso” para compensar os que estão danificados.  Com a evolução da doença, o cão vai apresentar sinais como polidipsia (aumento da ingestão de água) na tentativa de controlar os fluídos perdidos e excretar metabolitos tóxicos, e consequentemente um aumento da produção de urina – poliúria. Pode ainda observar sintomas como vómitos, perda de apetite e perda de peso. Numa fase mais avançada da doença aparece sinais como: fraqueza, depressão, convulsões e hemorragias.

Como é realizado o diagnóstico da IRC?

Quando há uma perda de 2/3 da função renal, o animal começa a ser sintomático. Através da história clínica e com recurso a um conjunto de exames complementares como análises sanguíneas, ecografia abdominal, medição pressão arterial e urianálise (análise da urina), o seu médico veterinário realiza o diagnóstico e determina o estádio da IRC.

Há tratamento? Qual?

Existe tratamento para atrasar evolução da doença, mas não há cura (o dano renal é irreversível).

  • Dieta veterinária específica para doença renal – especialmente formulada para minimizar os metabolitos de excreção renal, com concentração de minerais e eletrólitos adequadas à doença;
  • Quelantes de fósforo;
  • Medicação: como estimulantes de apetite, hipotensores, protetores gástricos e anti-eméticos.

Deverá ser realizado um acompanhamento regular?

Sim, é aconselhável visitas frequentes ao médico veterinário para a realização de exames sanguíneos e à urina, de forma a controlar a resposta ao tratamento e a evolução da doença.

A alimentação é importante?

Sim, a dieta alimentar é essencial fazendo mesmo parte do tratamento. A dieta veterinária para doença renal é uma ração hipoproteíca – redução de proteína para evitar a sobrecarrega renal. Além disso contém uma concentração adequada de minerais e eletrólitos, como por exemplo a diminuição de fósforo para evitar a hiperfosfatémia. São dietas ricas em antioxidantes e ómegas que favorecem a função renal.

O tratamento dietético pode aumentar em 2/3 vezes a esperança média de vida.

Veja também este artigo sobre alimentação renal.

 

Filipa Calejo

Médica Veterinária de Animais de Companhia

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